14 de jun de 2011

Bilinguismo ajuda criança a relativizar os fatos

A educação bilíngue está relacionada a diversos processos, mas, primeiramente, depende de outras questões como idade, língua materna, facilidade de aprendizagem, entre outros aspectos. Conversamos com Norma Viscardi, Mestre em Linguística Aplicada pela UNICAMP e pós-graduada em Psicopedagogia pela PUC, para esclarecer dúvidas constantes de pessoas interessadas no bilinguismo infantil. Após viajar para diversos países atrás de um modelo exemplar de educação bilíngüe (confira no post anterior suas experiências nessa busca), Norma também nos conta como um pouco sobre suas reflexões a respeito do bilinguismo, em entrevista que você confere abaixo.

Quando começou a se interessar pelo tema bilinguismo?

Sempre fui apaixonada por línguas e culturas estrangeiras. Meu interesse surgiu quando, aos 17 anos, viajei pela Europa e, já naquela época, verifiquei a fluência das pessoas em mais de um idioma. Resolvi estudar línguas e me especializei em tradução. Depois, passei a me dedicar ao ensino de idiomas e, em 1998, recebi um convite de uma escola para elaborar um programa bilíngue. Desde então, não parei mais de pesquisar e trabalhar com o bilinguismo na educação.

Existe uma idade mais apropriada para começar o ensino de um segundo idioma?

Para estar exposta à outra língua, é importante que haja uma referência linguística clara para a criança, ou seja, saber quando e com quem utilizar outro idioma. Este fator está relacionado à questão da identidade e da subjetividade. Logo, é muito importante que os primeiros contatos com o mundo sejam estruturados em um idioma, de preferência o da mãe ou da comunidade local. Aos poucos, outro idioma pode ser introduzido por meio da prática oral e, após os cinco anos de idade, de maneira sistemática e formal na escola.

Quais são os principais benefícios do bilinguismo?

O desenvolvimento da metacognição e do pensamento crítico. Estar exposto a mais de um idioma leva a criança a pensar sobre a língua, fazer comparações e abrir-se para a relatividade dos fatos. Na aquisição bilíngue, o próprio significado é relativo. Isto tem um valor imenso nos dias de hoje, uma vez que os meios de comunicação tornam o conhecimento cada vez mais efêmero e relativo e as relações humanas são essencialmente multiculturais. Outra vantagem é o raciocínio lógico-matemático. Todo idioma contém em si um sistema lógico e preciso. A prática de mais de um idioma estimula o exercício da aquisição desta lógica, comparada à outra, de outro idioma. Isto é essencial para a agilidade de raciocínio.

Como o aprendizado de uma segunda língua afeta o desenvolvimento da criança?

Só consigo ver aspectos positivos sobre a educação bilíngue. Insisto, porém, que a inserção pedagógica bilíngue deve ser feita de maneira responsável. O profissional deve demonstrar conhecimento e respeito ao contexto cultural das crianças, das características e dificuldades de aprendizagem de cada uma delas. A aprendizagem ainda estimula de forma significativa o desenvolvimento cognitivo e metacognitivo, gerando maior autoestima e segurança. Daí a necessidade de exposição o maior tempo possível, em contextos diversificados. Para diferenciar os sons, é importante fazer um trabalho consistente de consciência fonológica nos dois idiomas, desde as séries iniciais.

No Brasil, a educação bilíngue pode ser aplicada com sucesso?

O modelo de educação bilíngue no Brasil se parece mais com o que está sendo implantado na Espanha. Aqui, há grandes possibilidades de sucesso, tanto no ensino bilíngue em inglês quanto no espanhol. Entretanto, é necessário haver primeiro investimento na qualificação dos profissionais. Esta é a grande prioridade na educação bilíngue.

Quais são suas maiores dúvidas em relação ao ensino bilíngue?

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