10 de jun de 2011

Experiências de educação bilíngue na Europa

Norma Viscardi, mestre em Linguística Aplicada pela Unicamp e pós-graduada em Psicopedagogia pela PUC, acaba de voltar de uma viagem pela Europa. O roteiro? Escolas bilíngues infantis em diversos países. Norma saiu do Brasil para conhecer, pesquisar e analisar modelos de educação bilíngue. Agora que retornou, divide conosco o que viu lá fora.

Norma conta que o Bilinguismo tem definições e características muito diferentes em cada local onde é implantado na educação. Com exceção da Espanha, nos países da Europa, a segunda língua – o inglês na maioria dos casos – faz parte do currículo oficial com aulas de gramática, leitura, escrita e conversação, desde o ensino fundamental. São horas dedicadas à prática do segundo idioma em todos os anos da escolaridade.

Como um dos pontos mais interessantes da viagem, Norma cita o modelo que viu na Alemanha. Devido à realidade multicultural de Frankfurt, por exemplo, há escolas de educação infantil montessorianas com dois professores atuando em sala de aula ao mesmo tempo, sendo um falando alemão e o outro, inglês. “Durante duas horas e meia, observei uma classe com este modelo educacional e fiquei impressionada ao ver como as crianças, de 3 a 6 anos de idade, todas no mesmo espaço, comunicavam-se entre elas nos dois idiomas e com facilidade de compreensão”, comenta.

Ainda em Frankfurt, ela foi a uma escola que trabalha com grupos por nacionalidade e tem turmas bilíngues de alemão/turco, alemão/francês, alemão/inglês. As turmas convivem na mesma escola e há ocasiões em que as atividades são de integração de todos os grupos. Neste caso, a língua predominante é o alemão. “As turmas têm em suas atividades uma atuação bilíngue com dois professores, cada um responsável pela prática de um idioma. Tudo transcorre com muita naturalidade”, afirma.

Ela explica que as crianças que chegam nestas escolas com idade mais avançada passam por um programa chamado after school. Realizado após o horário de aula, o after school é um centro de atividades diversificadas, com aulas em alemão de artes, esportes, jogos e brincadeiras, vídeo, música, leitura. “Observei uma atividade com crianças de várias nacionalidades e nós nos comunicamos em espanhol e inglês. As crianças estavam muito interessadas em falar comigo em seus próprios idiomas e em conhecer minhas características culturais. Percebo que esta diversidade linguística bem conduzida pedagogicamente gera muita flexibilidade. As crianças são muito interessantes e definitivamente mais open-minded", avalia.

Norma conta que na Espanha há um programa oficial bilíngue sendo introduzido aos poucos, em todas as escolas públicas de ensinos fundamental e médio. O programa, que se chama Escuelas Concertadas, foi efetivado pelo Ministério da Educação. Trata-se de um currículo oficial no qual o inglês é introduzido, primeiro, nas atividades de artes, música, educação física e, aos poucos, no decorrer das séries do fundamental, vai abrangendo outras disciplinas até ser utilizado em 50% das horas e atividades escolares. A dificuldade, no entanto, está nos professores que ainda não são devidamente proficientes na língua inglesa

Norma também esteve na Finlândia, país com programa trilíngue na escola. Finlandês, inglês e sueco. As aulas dos idiomas complementares fazem parte do currículo regular, mas há prática intensiva de conversação em laboratórios de línguas. Um dado interessante, segundo ela, é que todo o material das línguas estrangeiras é produzido no país com uma abordagem finlandesa das diferenças culturais.

Você acha que o ensino bilíngue em escolas públicas brasileiras pode ser aplicado com sucesso?

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