27 de jun de 2011

A melhor idade para começar a falar outra língua

“A educação bilíngue pode começar quando a criança ainda é bebê”, afirma a professora de Linguística da PUC do Paraná, Rosane de Mello Santo Nicola, mestre em Educação. “Não que exista uma idade-limite para esse aprendizado começar, mas pesquisas apontam que até o terceiro ano de vida a criança tem um domínio muito grande do contexto em que vive. Pode não entender direito o que está sendo dito, mas compreende o tom da voz e a expressão do rosto, por exemplo. Isso possibilita a ela aprender de forma totalmente natural, sem imposições”, garante.

Para Rosane, a criança que recebe educação bilíngue está propensa a desenvolver mais o cérebro, além de aprender o segundo idioma com mais facilidade. A professora explica que, na teoria cognitiva, quanto mais possibilidades de aprendizado existir, mais a criança vai aprender. Consequentemente, com uma educação em dois idiomas a criança pode acumular um repertório maior de informações, pois o ensino é feito sempre com parâmetros curriculares de outros países. Segundo Rosane, aprender dois idiomas ao mesmo tempo é um método de aquisição de informações que transcende a língua e apresenta um novo universo cultural do país ou países onde a segunda língua é falada. “Criança pequena é como fita virgem: o corpo diz para ela aprender a ouvir e o cérebro reforça a ordem”, complementa.

A pedagoga Marina Freitas, de São Paulo, concorda que quanto mais cedo acontecer esse contato da criança com outro idioma, melhor. Ela conta que antes dos dois anos de idade, aceitar outro idioma é fácil e a criança nem questiona. O ensino é aceito como mais uma característica do ambiente, e isso ocorre de forma natural. “Para cada objeto encontrado, são criados dois caminhos para significar e representar: um em português e outro no segundo idioma”, comenta.

Conforme a fluência na língua materna vai se aprimorando, diz Marina, o processo de aprendizado de outro idioma muda. “Até os dois anos de idade, a comunicação é feita de forma não-verbal. Com a fluência, a criança começa a questionar mais o segundo idioma, inclusive no que diz respeito à pronúncia de determinadas palavras, por exemplo.

Você acredita que a tendência para o futuro seja que todas as crianças recebam educação bilíngue?

8 comentários:

  1. João Dias Albuquerque28 de junho de 2011 11:48

    Que bacana. Não sabia que já se podia ensinar dois idiomas às menores crianças, já a partir dos 3 anos. Eu acho que, sim, o ensino bilingue será o futuro... mas ainda estamos longe deste futuro.

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  2. Oi, João, boa tarde,
    Pois é. O bilinguismo pode ser introduzido na vida da criança desde cedo. Quem sabe, no futuro, cada vez mais crianças tenham acesso à alfabetização em dois idiomas. Quanto mais educação tiver uma sociedade, mais ela avança, sem dúvidas. Veja o exemplo do Canadá. O país é bilíngue desde a década de 70. É um modelo extremamente bem sucedido.

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  3. Sempre tive interesse no assunto, agora ainda mais, pois faço letras-inglês e tenho uma filha de 1 ano e 5 meses.

    Já li que a 2º língua pro bebê é introduzida por outra pessoa da casa (ou na escola), pois se for a mesma pessoa que cuida e fala com ela o dia todo na língua materna aí sim geraria uma "confusão". É isso mesmo?

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  4. Oi, Layana,
    Para responder a sua pergunta, consultamos Cintia Sant'Anna, coordenadora acadêmica da Maple Bear. Ela explica que tendemos sempre a nos comunicar utilizando nossa língua materna, o que nos dá mais conforto e segurança. Porém, no caso da rede Maple Bear, o que se orienta é a criação de situações em que as crianças sintam necessidade de utilizar a língua que estão aprendendo. Além disso, é fundamental a existência de situações reais de comunicação e a criação de um ambiente de aprendizagem. Isso evita que a criança aprenda uma segunda língua por meio da repetição e da memorização de palavras. E, por outro lado, faz com que ela passe a aprender nesta língua. Ou seja, comece a pensar, refletir e agir em inglês, no caso.
    Assim, a criação de 'an English-only atmosphere' é essencial para que a criança entenda que, naquele momento, a língua a ser utilizada por todos é o inglês. A partir deste entendimento, sendo necessário expressar-se em inglês para ser compreendida pelos interlocutores, a utilização da língua pela criança ocorre naturalmente.
    Não há uma divisão na mente na criança. A alteração da língua ocorre de forma natural, de acordo com o contexto.

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  5. Eu e meu marido optamos por iniciar a educação bilingue da nossa filha logo nos primeiros meses de vida. Usamos a abordagem minority language at home, em que, grosso modo, falamos inglês em casa e português fora. Nossa filha hoje tem 2 anos e 4 meses e separa perfeitamente os contextos. Mesmo em casa ela sabe com quem se comunicar em inglês (os pais) ou em português (a babá), é algo bem natural. Temos achado a experiência fascinante!

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  6. A educação Bilíngüe já é uma realidade não só no Canadá como em diversos países da Europa. Prova disto é que a Comissão Europeia está fazendo esforços redobrados, no sentido de conseguir que cada cidadão na Europa saiba falar, além da sua própria língua materna, pelo menos outras duas línguas. Para alcançar este objetivo, muitos países da União Europeia vem apostando, há algum tempo, na Aprendizagem Integrada de Conteúdos (CLIL),que nada mais é do que a utilização de uma língua estrangeira no ensino de disciplinas curriculares como, por exemplo,matemática, ciências ou geografia.Entre as línguas mais utilizadas o Inglês ocupa o primeiro lugar,seguido do Francês e o Alemão.
    No Brasil a educação bilíngüe vem se tornando uma tendência. Tanto é que o Foreign Affairs and International Trade Canada, uma espécie de câmara de comércio do Canadá orienta as instituições de ensino canadenses a investirem no Brasil mas destacam a falta de leis que regulamentem o setor de ensino de idiomas e educação bilíngüe como um dos maiores entraves para a expansão deste novo mercado educacional.

    Basta darmos uma voltinha pelos principais bairros do Rio de Janeiro para vermos que a preocupação e a orientação feita aos investidores canadenses procede. Parece que a denominação ” Escola Bilíngue” virou moda é várias são as escolas que se intitulam assim. Para os pais fica a dúvida de saber se toda e qualquer escola que ofereça um projeto de Inglês diário pode ser considerada bilíngue.

    Como educadora e há muitos anos trabalhando com educação bilíngue,minha resposta é não. Ter um projeto bilíngue ou oferecer vivências diárias em uma segunda língua é muito diferente de ser uma Escola Bilíngue.

    Parabéns pelo blog! É ótimo saber que podemos contar com mais este espaço sobre o bilinguismo.

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  7. Oi
    Será que voce pode me ajudar?Tenho um neto americano e os pais falam em portugues com ele,mas na escolinha que ele já está a um ano só se fala o
    ingles.Mas ele com 2 anos não fala quase nada,ele dá bay bay com tau e fala
    cars.Mas ele aponta quando quer qualquer coisa,entende tudo que fala e ensina pra ele.Será que a demora pra falar é por causa dos 2 idiomas juntos?

    Obrigada

    Elza

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    Respostas
    1. Olá Elza, agradecemos o seu contato!

      Com nossa experiência, notamos que o ensino de outro idioma nessa fase da vida, de nada atrapalha no aprendizado da língua materna. Pelo contrário. O processo cognitivo da criança é estimulado e desenvolvido mais rapidamente.

      Muitos fatores podem influenciar na efetividade do aprendizado. Estímulos dos pais, qualidade e métodos da escolinha e até mesmo problemas de saúde como visão audição, hiperatividade, etc. Sugerimos que entre em contato com a Maple Bear (www.maplebear.com.br), uma das escolas bilíngues mais bem conceituadas do mundo e saiba mais sobre método de ensino, resultados e benefícios.

      Abraços,
      Equipe do Blog Ensino Bilíngue

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