28 de jul de 2011

Bilinguismo amplia oportunidades de relacionamento

Duas vezes mais chances de fazer amigos, de ler, de brincar. Duas vezes mais chances de se relacionar. Crianças bilíngues são privilegiadas porque, entre outras coisas, têm mais possibilidades de interagir com o novo.

"Vivenciando o bilinguismo na escola, observo que principalmente as crianças entre quatro e cinco anos têm maior facilidade para se comunicar sem inibição com outras crianças e pessoas de nacionalidades diferentes, ampliando rapidamente seu círculo de amizades”, afirma Larissa Pereira Forti, professora bilíngue em Sorocaba (SP). Ela conta que sempre que a escola recebe algum estrangeiro na escola, seja como aluno ou visitante, as crianças aceitam o ‘outro’ e não mostram nenhum estranhamento. “Pelo contrário, muitas vezes tentam estabelecer um diálogo com aqueles que falam inglês ou ainda ensinar palavras em português”, acrescenta.

Estimular a criança a se arriscar cada vez mais no universo da nova língua é uma prática considerada importante. Motivada na escola, mais cedo ou mais tarde ela vai querer se comunicar com pessoas que falam o segundo idioma. Ao perceberem que no período da aula não devem falar a língua nativa, os alunos acabam se esforçando – cada um no seu ritmo - para adquirir o novo idioma.

Como ela percebe que funciona, passa a ampliar o vocabulário e as estruturas gramaticais. A criança começa a produzir frases mais complexas e ganha gosto em explorar essa outra possibilidade de comunicação. Ao ver que existe no mundo mais de um código falante e mais de uma maneira de interpretar o mundo, a criança perde o medo do interlocutor que não se expressa em sua língua natal.

Sem preconceitos
Essa predisposição para aceitar a novidade acaba funcionando como uma espécie de antídoto contra práticas preconceituosas, segundo Larissa: “Tenho um novo aluno cuja língua materna é o espanhol. Os coleguinhas da sala desde o início o ajudaram a inserir-se ao grupo, sem mostrar qualquer preconceito ou admiração. O fato dele falar ainda uma terceira língua não criou nenhum tipo de barreira em suas relações sociais em um ambiente bilíngue. Por isso, acredito que quanto mais nova a criança e mais cedo ela tiver contato com essa diversidade, mais tranquilamente ela saberá lidar e respeitar o diferente”.

Marianne Pesci de Matos, pedagoga e mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), concorda que o bilinguismo ajuda a ampliar as possibilidades de comunicação. “O contato com outra língua e outra cultura na infância é positivo não só pela facilidade de assimilação, mas porque a criança vai crescer vendo o mundo menos etnocêntrica, mais diversificada e, consequentemente, mais tolerante e aberta ao 'novo' ao diferente”, argumenta.

Além da facilidade para se comunicar, quais outras vantagens você acredita que a criança tem ao aprender o segundo idioma?

25 de jul de 2011

Utilizar idioma estrangeiro nas tarefas do dia a dia torna aprendizado mais prazeroso

Aprender o segundo idioma na escola e em seguida praticar o que aprendeu em casa, com a família, ajuda a criança a ganhar mais confiança na língua estrangeira. Para o bacharel em Letras, Natanael Lima, os pais devem incentivar os filhos, mas sem testá-los constantemente: “A criança precisa aprender com naturalidade e o momento precisa ser lúdico e prazeroso. Se for assim, com diversão, as crianças realmente aprendem. Elas são verdadeiras esponjas".

Natanael explica que os adultos aprendem por associação e comparação porque possuem ligações neurais mais “cristalizadas”. Por isso dependem de um parâmetro linguístico (português) para que o idioma estrangeiro seja compreendido e adquirido. No caso das crianças, as construções mentais são diferentes e adquiridas por um “filtro” com menos bloqueios.

Então, que tal criar situações fora da sala de aula para que o novo idioma possa fazer ainda mais sentido para a criança? Pais que já possuam um conhecimento da língua estrangeira têm várias alteranativas. Veja as dicas de Pedro Lazaro dos Santos, professor de inglês e mestre em Linguística Aplicada:

Refeições
A “brincadeira” pode começar durante as refeições. Alguém da família pode dizer os nomes dos alimentos e das bebidas na língua estrangeira. A criança poderá tocar, experimentar e saborear esses alimentos, identificando os nomes que possivelmente já aprendeu na escola. É uma oportunidade também de aprender novas palavras.

Trânsito
Está com seu filho no trânsito? Descreva cores, pessoas, roupas, veículos, placas de sinalização. Aliar o movimento das ruas com a conversa no idioma estrangeiro fará com que a criança memorize melhor as palavras ensinadas pelos pais.

Historinhas
Leia histórias na nova língua para seus filhos na hora de dormir. Eles possuem muitas ilustrações que despertam a atenção da criança, ajudando a compreender o significado da história.

Atividades Físicas
Faça atividades físicas com seu filho e vá dizendo os nomes das partes do corpo, dos exercícios que são feitos e dos objetos utilizados. Vivenciando o idioma, a criança aprenderá muito mais e se lembrará com mais facilidade, pois na mente dela o aprendizado estará ligado a um momento prazeroso.

Filmes e TV
Deixe a criança assistir a filmes e desenhos animados falados na língua estrangeira. Os desenhos, especialmente, chamam bastante atenção com suas músicas de fácil memorização que aumentam o vocabulário.

Álbum de família
Mostre as fotografias dos álbuns de família e, a cada foto, crie oportunidades para que as palavras relativas a esse universo como mother e son possam vir à tona. As crianças conseguirão fazer as relações de grau de parentesco entre os membros da família na língua estrangeira mais facilmente.

“Nada impede que os pais inventem jogos, brincadeiras e outras atividades na língua estrangeira para que tenham momentos prazerosos com seus filhos. Há muitos sites com ideias de como desenvolver a língua estrangeira em casa com as crianças”, ressalta Pedro.

E você, utiliza o aprendizado do seu filho na escola bilíngue como gancho para explorar o idioma com ele no dia a dia?

21 de jul de 2011

Leitura fora da escola funciona. Veja como escolher livros para o seu filho.

Um bom livro, além de ser um poderoso instrumento no aprendizado de uma segunda língua, transporta a criança para outros mundos e ainda aguça a criatividade. Mas, como despertar o gosto pela leitura nesta era em que a tecnologia ganha cada vez mais espaço no cotidiano infantil? O primeiro passo é escolher livros com narrativa acessível e temas que sejam do interesse da criança.

Linguagem
A linguagem tem que ser balanceada para motivar. Quem orienta é Ana Paula de Lima, pedagoga e professora de Língua Inglesa com experiência em análise de livros didáticos. Segundo ela, dependendo da idade, se o texto for muito fácil, a criança pode achar o livro infantil demais e perder o interesse. Por outro lado, se a linguagem for muito sofisticada, a criança pode se cansar rapidamente e desistir da leitura.

“É importante que o livro traga vocábulos e estruturas gramaticais que as crianças compreendam, mas também algumas informações novas que elas consigam entender pela contextualização da história e que enriqueçam seu conhecimento da língua”, adverte.

O visual
Além disso, é preciso ter atenção à parte visual - já que as crianças se sentem atraídas por ilustrações que transmitem claramente o contexto da história - e que utilizem as cores vermelho, amarelo, azul e verde. Já figuras mais sofisticadas, com cores como o marrom e o roxo, passam seriedade e não despertam tanta atenção.

Sons, rimas e interatividade
Livros que permitem que a criança interaja com a história também são recomendados, como aqueles em que o personagem é um fantoche. As crianças também tendem a gostar de histórias que envolvem rimas e músicas, porque é mais fácil aprender assim.

Aurea Menten garante que essa dica funciona. “Meu filho tinha 1 ano de idade quando meu marido foi fazer doutorado nos Estados Unidos. Moramos lá durante 4 anos. Mantínhamos o Português em casa, mas toda vivência dele na escola, com os amigos ou vendo televisão foi em Inglês. Me lembro que funcionava muito com ele os livrinhos com rimas, frases curtas e engraçadas, como The cat in the hat, do Dr. Seuss”, conta a mãe de Fábio, hoje um rapaz de 27 anos que cursa doutorado na França.

“Ele adorava cantar. Os livrinhos de música sing along eram muito atraentes. Eu também prestava atenção aos temas que ele gostava mais. Os livros de dinossauros faziam mais sucesso”, completa Aurea que diz ter ido muito a bibliotecas e livrarias com o filho manusear.

Contextualização

E atenção na hora de escolher as histórias. Os pais devem optar por enredos que se relacionem, de alguma forma, com a realidade da criança, a fim de que ela possa se identificar com os personagens e se envolver com o texto.

“Livros de literatura infantil carregam muitas mensagens que, na maioria das vezes, não são percebidas. Os personagens ainda são muito estereotipados, o que nos leva a criar conceitos errados acerca de outras culturas. Por que a maioria das princesas costuma ser de cor branca? Os pais devem observar esses aspectos”, recomenda Ana Paula.
De novo, Aurea conta o que aprendeu ao educar o filho: “Uma série que ele gostava muito aos 4 anos era Berenstain Bears, que trazia assuntos cotidianos com uma mensagem como Get in a Fight, Junk Food, Trouble with friends, entre outras”.

Disposição para encontrar
Dicas ajudam a orientar a escolha, mas nada disso adianta se os pais não tiverem disposição para procurar os livros nas bibliotecas e livrarias junto com seus filhos. Quem já passou pela experiência garante que a criança vai carregar esse hábito por toda a vida.

“De uma coisa eu tenho certeza: ter levado meu filho a livrarias e bibliotecas desde muito cedo quando ele estava imerso em outro idioma fez muita diferença na vida dele. Até hoje ele cultiva o hábito de ler e não importa em qual língua. Às vezes ele me fala que está com vontade de ler em Português e envio um livro para a casa dele no exterior. Acho que eu nunca vi a mochila dele sem um livro”, conclui Aurea que ainda dá um recado aos pais de crianças menores: “Os livros devem estar espalhados pela casa para que o seu filho, mesmo sem saber ler, possa folhear e manusear sem restrição. E se os pais tiverem o hábito de ler em casa – os livros de adultos e também os infantis para as crianças – o exemplo vai ser incorporado”.

Você incentiva seu filho a ter contato com livros desde cedo?

19 de jul de 2011

Exibir os talentos do filho pode atrapalhar

O amigo do pai de “Juninho” resolve fazer uma visita à casa da família. Entra, senta no sofá e começa a provar o cafezinho oferecido pelo anfitrião. Mal sente o gosto da bebida quando ouve o pai da criança dizer: “Juninho, mostra para o amigo do papai que você já sabe falar inglês”. O pobre menino, que só tem 5 anos e não é dado a se exibir, tenta se esconder, mas o pai insiste: “Filhão, mostra o que você aprendeu na escola!”.

É difícil encontrar alguém que não tenha presenciado uma cena como essa. E qual pai ou mãe pode julgar quem tenha agido assim? O orgulho de ver o filho tão novinho indo tão bem na escola, deslanchando em outro idioma, toma conta de muitas famílias e faz corar os “Juninhos” por aí. Mas é preciso ter cuidado com as “sessões de exibição” dos filhos que os deixam expostos e até constrangidos.

“É interessante para a criança demonstrar o que aprendeu e ser reconhecida por tal feito, desde que seja uma ação espontânea”, explica Patrícia Nogueira, especialista em Psicologia Clinica e mestre em Lingüística Aplicada. Ela chama a atenção para os perigos de expor a criança a uma situação constrangedora: “Se ela gaguejar ou tiver algum esquecimento, pode sentir-se inferiorizada. Com isso, corre o risco de desenvolver uma resistência diante de outras aprendizagens e até uma inibição intelectual, em última instância”.

Isso não quer dizer que os pais não devam valorizar os progressos da criança no novo idioma. É a forma de manifestar a satisfação com essas conquistas, principalmente perante outras pessoas, que precisa ser pensada para que não haja exageros e para que a criança não se sinta pressionada.

Uma das alternativas para os pais é transformar o aluno em “professor”. Fingir que esqueceu uma palavra, por exemplo, e pedir para a criança ensinar como dizê-la no novo idioma. Ao ensinar os pais, o filho se sente valorizado porque sabe algo que eles não sabem. Além disso, autoconfiança aumenta, de acordo com Albina Escobar, membro do conselho consultivo do Braz-tesol, associação mundial de professores de língua inglesa. “Se a criança não consegue responder às expectativas dos pais, fica frustrada. Então é preciso passar tranquilidade a ela”, ensina.

Albina dá dicas práticas de como colocar isso em prática:
- Durante uma brincadeira o pai pode falar “vamos cantar uma musiquinha”, e ele – o pai – começa a cantar.
- Se estão sentados no quarto, o pai pode falar “vamos contar os seus brinquedos em inglês one, two...”’ e, mais uma vez, é o pai quem começa.

“Esses exemplos dão a sensação para o filho de que ele é apoiado, sente que pode fazer isso porque os pais estão ao lado dele, não é preciso ter medo”, ensina Albina.

E você, acha que já presenciou alguém expondo os talentos da criança de uma forma não adequada?

14 de jul de 2011

A troca de informações entre os pais pode ajudar os filhos

“Mamãe, como é que fala palhaço em inglês?”. A criança ali, na sua frente, brilha os olhos de curiosidade. Você não sabe como responder. O que fazer? Uma alternativa é ajudá-la a buscar a resposta no dicionário. Medida simples, capaz de incentivar o filho a continuar pesquisando sobre o segundo idioma.

Renata Bauer, mãe de uma menina de três anos que estuda em escola bilíngue, em Brasília, conta que já passou pela situação acima. Procurou a resposta na internet, mas acredita que perdeu a chance, naquele momento, de mostrar à filha como é bom ter intimidade com os livros. Na semana seguinte, colocou em uso o dicionário britânico antes esquecido na estante. “Comentei o que aconteceu com a mãe de um colega da minha filha. Ela se identificou com a situação e comprou o dicionário para se precaver. Hoje trocamos várias dicas sobre literatura em inglês para as crianças”, diz.

Essa troca de “figurinhas” permite que os pais aprendam uns com os outros. A criança não consegue memorizar os nomes dos planetas ou das cores no segundo idioma? Alguém pode dizer que criou uma música que, ao ser cantarolada pelo filho, o ajudou a aprender. Nesse caso, por que não passar a receitinha da música adiante?

O intercâmbio traz uma sensação de conforto principalmente quando os pais têm muitas dúvidas sobre o processo de aquisição do segundo idioma. A criança está mais silenciosa? Anda confundindo as palavras? Como lidar com tanta curiosidade sobre a nova língua? Essas são questões para se esclarecer na escola, mantendo a proximidade com a equipe pedagógica, mas nada impede que sejam compartilhadas com outros pais. “É bom conversar com uma pessoa que está passando pelo mesmo que você. E fazendo isso, a gente acaba percebendo que não é possível acertar o tempo todo. Pai e mãe erram, ainda que bem intencionados”, reflete Renata.

Para tentar acertar cada vez mais, vale sim dialogar muito com outras famílias. Essa é a opinião de Guilherme Kawachi, mestre em Linguística pela UFSCar. “A troca de informações sempre rende benefícios à criança. Pode ajudar os pais a compreender melhor as abordagens e métodos de ensino, as dificuldades e sucessos na aprendizagem e ainda ajuda a descobrir ferramentas - como filmes e vídeos na língua-alvo - que podem contribuir para o desenvolvimento da criança no idioma”, ressalta.

E você? Costuma trocar informações para ajudar no desenvolvimento do seu filho?

11 de jul de 2011

Sopa de Culturas

O Brasil é o país do chiclete com banana, como foi eternizado num samba de Jackson do Pandeiro. Mas até que ponto a mistura de informações, sotaques e culturas é positiva para uma criança?

A pergunta é feita por pais de alunos de escolas bilíngues, mas segundo estudiosos do assunto, não há risco de que a identidade cultural dessas crianças entre em colapso pelo simples fato de conviverem em mais de um universo lingüístico e sócio-cultural.

“Eles aprenderão brincadeiras, comemorações, histórias, lendas, poemas e músicas dos universos culturais do próprio país e dos países que se vêem representados pela escola. Isso não se transformará em conflito se a escolha da instituição tiver sido criteriosa, alinhada aos valores familiares e se a criança perceber que os pais valorizam ambas as línguas e culturas”, afirma Norma Wolffowitz-Sanchez, mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem.

No caso dos pais que têm pouca intimidade com a cultura e língua usadas na escola dos filhos, a orientação é para que legitimem o aprendizado da criança, mostrando que se interessam pelas novidades que ela traz e preservando os valores familiares e culturais brasileiros.

“Nas escolas pode parecer que uma cultura se sobreponha a outra, principalmente se a criança estiver em um programa de imersão total na língua internacional. Mas são os valores sócio-afetivos da família e a valoração das línguas e culturas pelos pais que influenciarão a formação identitária da criança e a construção de valores em relação à cultura brasileira e à de outros países”, explica Norma que encontra parceiros nessa defesa.

Entre eles, Helena Miascovsky, especialista em educação bilíngüe. Segundo ela, pesquisas importantes apontam que a criança bilíngüe observa, explora e vivencia o mundo tendo como base não apenas um referencial cultural, mas diversos referenciais que possibilitam que ela combine, transforme e crie novas formas de agir. Por isso, não há confusão ou choque cultural, mas sim uma ampliação de possibilidades e de conhecimento de duas ou mais culturas que se somam. Mais uma vez, a dica é para que os pais incentivem.

“É preciso valorizar o idioma de cada família, mas isso não quer dizer que assistir a filmes no segundo idioma não seja recomendado. Muito pelo contrário, assistir a filmes juntos, brincar, cantar no segundo idioma pode ser uma forma muito bacana de interagir com os filhos”, ensina Helena.

Você concorda que os pais têm papel fundamental na educação dos filhos?

7 de jul de 2011

Mapa do tesouro para uma escola bilíngue

A decisão foi tomada: matricular o filho em uma escola bilíngue. Mas existe receita para não errar na escolha da instituição? Como ter garantias de que a criança vai receber de fato todos os benefícios desse sistema de educação? O primeiro – e crucial - ponto a ser observado é um item que costuma passar despercebido por ser tão óbvio: a escola precisa ser realmente bilíngue e não apenas se denominar como tal.

Teóricos do bilinguismo asseguram que educação bilíngue é uma forma de instrução planejada e ministrada em pelo menos duas línguas. Ou seja, a língua estrangeira não é ensinada apenas como matéria focal, mas também é utilizada para o ensino de conteúdos de diferentes áreas. No check list da escola ideal é preciso verificar como o currículo foi planejado. Entender, por exemplo, se os aspectos culturais das duas línguas são contemplados.

Em relação à alfabetização, Antonieta Megale, educadora e membro do grupo Grupo de Estudos sobre Educação Bilíngue da PUC/SP (GEEB), considera, entre os aspectos essenciais, o uso de materiais didáticos adequados e o desenvolvimento de habilidades dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno. “Além disso o professor deve ter não apenas conhecimentos pedagógicos e fluência no idioma no qual ensina, mas também compreender o significado de ser bilíngue, bicultural e biletrado”, ressalta.

Um corpo forte de professores e gestores. Esse é um dos requisitos que uma escola deve ter para que os pais acertem na escolha, segundo Gerald Macleod, vice-presidente global da rede de escolas Maple Bear.

Ele acredita que uma escola torna-se reconhecida quando as crianças aprendem e os resultados estão diretamente relacionados à qualidade do ensino, determinado por um bom currículo, que seja implementado por uma equipe guiada por lideranças capazes. “A reputação junto aos pais torna-se mais forte quando o programa de ensino é apoiado por todos na escola e quando tudo é comunicado aos pais dos alunos”, completa Macleod.

Você conhece a metodologia de ensino da escola onde seu filho estuda?

4 de jul de 2011

Importância de segundo idioma faz crescer procura por escolas bilíngues

A preocupação com o futuro das crianças está fazendo com que muitos pais deixem de encarar o domínio de um segundo idioma como um diferencial para se tornar essencial. Para Tatiana Dorleans e Silva, diretora da escola bilíngue Maple Bear Canadian School Curitiba, na capital paranaense, a noção da importância desse ensino está se enraizando nas famílias brasileiras, que se preocupam com o futuro de seus filhos. “Se mesmo sabendo outro idioma, além do português, as pessoas encontram dificuldades para arranjar um bom emprego, sem esse domínio é ainda mais difícil”, comenta.

Os brasileiros não são os únicos que buscam cada vez mais a alfabetização bilíngue. “Recebemos ligações de pessoas que moram no exterior, estão vindo para o Brasil e querem matricular seus filhos em uma escola bilíngue. Não temos um número oficial aqui na escola, mas eu diria que entre 10% a 15% dos nossos alunos são estrangeiros”, fala Tatiana.

Valéria Pires, assistente de diretoria do Liceu Pasteur, escola paulistana que utiliza metodologia de ensino em português e francês, revela que a demanda está maior que a oferta. “Estamos recusando alunos por falta de vagas. Há uma lista de espera com cerca de 50 alunos”, comenta. Para ela, essa busca por matrículas tem aumentado, não apenas por parte de famílias francesas que estão instaladas no Brasil, mas também por famílias brasileiras. “De uma maneira geral, as pessoas procuram cada vez mais oferecer aos seus filhos o ensino bilíngue como forma de investir no futuro dessas crianças”, complementa.

A presidente da Organização das Escolas Bilíngues de São Paulo (OEBI), Ana Paula Mariutti, também revela que cresce o número de escolas que utilizam a metodologia bilíngue no País. “Infelizmente, o Brasil não possui uma estatística oficial, mas a OEBI faz uma contagem extra-oficial que aponta que existem atualmente 96 escolas bilíngues no Brasil, sendo que 56 estão localizadas somente no estado de São Paulo”, conta.

Você acha que é possível implementar a metodologia bilíngue em todas as escolas do país?