19 de jul de 2011

Exibir os talentos do filho pode atrapalhar

O amigo do pai de “Juninho” resolve fazer uma visita à casa da família. Entra, senta no sofá e começa a provar o cafezinho oferecido pelo anfitrião. Mal sente o gosto da bebida quando ouve o pai da criança dizer: “Juninho, mostra para o amigo do papai que você já sabe falar inglês”. O pobre menino, que só tem 5 anos e não é dado a se exibir, tenta se esconder, mas o pai insiste: “Filhão, mostra o que você aprendeu na escola!”.

É difícil encontrar alguém que não tenha presenciado uma cena como essa. E qual pai ou mãe pode julgar quem tenha agido assim? O orgulho de ver o filho tão novinho indo tão bem na escola, deslanchando em outro idioma, toma conta de muitas famílias e faz corar os “Juninhos” por aí. Mas é preciso ter cuidado com as “sessões de exibição” dos filhos que os deixam expostos e até constrangidos.

“É interessante para a criança demonstrar o que aprendeu e ser reconhecida por tal feito, desde que seja uma ação espontânea”, explica Patrícia Nogueira, especialista em Psicologia Clinica e mestre em Lingüística Aplicada. Ela chama a atenção para os perigos de expor a criança a uma situação constrangedora: “Se ela gaguejar ou tiver algum esquecimento, pode sentir-se inferiorizada. Com isso, corre o risco de desenvolver uma resistência diante de outras aprendizagens e até uma inibição intelectual, em última instância”.

Isso não quer dizer que os pais não devam valorizar os progressos da criança no novo idioma. É a forma de manifestar a satisfação com essas conquistas, principalmente perante outras pessoas, que precisa ser pensada para que não haja exageros e para que a criança não se sinta pressionada.

Uma das alternativas para os pais é transformar o aluno em “professor”. Fingir que esqueceu uma palavra, por exemplo, e pedir para a criança ensinar como dizê-la no novo idioma. Ao ensinar os pais, o filho se sente valorizado porque sabe algo que eles não sabem. Além disso, autoconfiança aumenta, de acordo com Albina Escobar, membro do conselho consultivo do Braz-tesol, associação mundial de professores de língua inglesa. “Se a criança não consegue responder às expectativas dos pais, fica frustrada. Então é preciso passar tranquilidade a ela”, ensina.

Albina dá dicas práticas de como colocar isso em prática:
- Durante uma brincadeira o pai pode falar “vamos cantar uma musiquinha”, e ele – o pai – começa a cantar.
- Se estão sentados no quarto, o pai pode falar “vamos contar os seus brinquedos em inglês one, two...”’ e, mais uma vez, é o pai quem começa.

“Esses exemplos dão a sensação para o filho de que ele é apoiado, sente que pode fazer isso porque os pais estão ao lado dele, não é preciso ter medo”, ensina Albina.

E você, acha que já presenciou alguém expondo os talentos da criança de uma forma não adequada?

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