21 de jul de 2011

Leitura fora da escola funciona. Veja como escolher livros para o seu filho.

Um bom livro, além de ser um poderoso instrumento no aprendizado de uma segunda língua, transporta a criança para outros mundos e ainda aguça a criatividade. Mas, como despertar o gosto pela leitura nesta era em que a tecnologia ganha cada vez mais espaço no cotidiano infantil? O primeiro passo é escolher livros com narrativa acessível e temas que sejam do interesse da criança.

Linguagem
A linguagem tem que ser balanceada para motivar. Quem orienta é Ana Paula de Lima, pedagoga e professora de Língua Inglesa com experiência em análise de livros didáticos. Segundo ela, dependendo da idade, se o texto for muito fácil, a criança pode achar o livro infantil demais e perder o interesse. Por outro lado, se a linguagem for muito sofisticada, a criança pode se cansar rapidamente e desistir da leitura.

“É importante que o livro traga vocábulos e estruturas gramaticais que as crianças compreendam, mas também algumas informações novas que elas consigam entender pela contextualização da história e que enriqueçam seu conhecimento da língua”, adverte.

O visual
Além disso, é preciso ter atenção à parte visual - já que as crianças se sentem atraídas por ilustrações que transmitem claramente o contexto da história - e que utilizem as cores vermelho, amarelo, azul e verde. Já figuras mais sofisticadas, com cores como o marrom e o roxo, passam seriedade e não despertam tanta atenção.

Sons, rimas e interatividade
Livros que permitem que a criança interaja com a história também são recomendados, como aqueles em que o personagem é um fantoche. As crianças também tendem a gostar de histórias que envolvem rimas e músicas, porque é mais fácil aprender assim.

Aurea Menten garante que essa dica funciona. “Meu filho tinha 1 ano de idade quando meu marido foi fazer doutorado nos Estados Unidos. Moramos lá durante 4 anos. Mantínhamos o Português em casa, mas toda vivência dele na escola, com os amigos ou vendo televisão foi em Inglês. Me lembro que funcionava muito com ele os livrinhos com rimas, frases curtas e engraçadas, como The cat in the hat, do Dr. Seuss”, conta a mãe de Fábio, hoje um rapaz de 27 anos que cursa doutorado na França.

“Ele adorava cantar. Os livrinhos de música sing along eram muito atraentes. Eu também prestava atenção aos temas que ele gostava mais. Os livros de dinossauros faziam mais sucesso”, completa Aurea que diz ter ido muito a bibliotecas e livrarias com o filho manusear.

Contextualização

E atenção na hora de escolher as histórias. Os pais devem optar por enredos que se relacionem, de alguma forma, com a realidade da criança, a fim de que ela possa se identificar com os personagens e se envolver com o texto.

“Livros de literatura infantil carregam muitas mensagens que, na maioria das vezes, não são percebidas. Os personagens ainda são muito estereotipados, o que nos leva a criar conceitos errados acerca de outras culturas. Por que a maioria das princesas costuma ser de cor branca? Os pais devem observar esses aspectos”, recomenda Ana Paula.
De novo, Aurea conta o que aprendeu ao educar o filho: “Uma série que ele gostava muito aos 4 anos era Berenstain Bears, que trazia assuntos cotidianos com uma mensagem como Get in a Fight, Junk Food, Trouble with friends, entre outras”.

Disposição para encontrar
Dicas ajudam a orientar a escolha, mas nada disso adianta se os pais não tiverem disposição para procurar os livros nas bibliotecas e livrarias junto com seus filhos. Quem já passou pela experiência garante que a criança vai carregar esse hábito por toda a vida.

“De uma coisa eu tenho certeza: ter levado meu filho a livrarias e bibliotecas desde muito cedo quando ele estava imerso em outro idioma fez muita diferença na vida dele. Até hoje ele cultiva o hábito de ler e não importa em qual língua. Às vezes ele me fala que está com vontade de ler em Português e envio um livro para a casa dele no exterior. Acho que eu nunca vi a mochila dele sem um livro”, conclui Aurea que ainda dá um recado aos pais de crianças menores: “Os livros devem estar espalhados pela casa para que o seu filho, mesmo sem saber ler, possa folhear e manusear sem restrição. E se os pais tiverem o hábito de ler em casa – os livros de adultos e também os infantis para as crianças – o exemplo vai ser incorporado”.

Você incentiva seu filho a ter contato com livros desde cedo?

2 comentários:

  1. "Children are made readers on the laps of their parents "(Emilie Buchwald). Acho que esta é uma das frases que mais exemplifica a importância de incentivarmos as crianças a terem contato com os livros desde muito cedo. Afinal, não importa se seja em português, inglês, árabe ou japonês, o processo de desenvolvimento da linguagem nas crianças é invariavelmente o mesmo.
    A aquisição de vocabulário de uma criança está diretamente ligada ao quanto a mãe fala com ela. Com 1 ano e 8 meses, filhos de mães que conversam bastante em casa falam 130 palavras a mais do que outros na sua idade. Com 2 anos, a diferença é de quase 300 palavras. Mães que usam sentenças complexas têm filhos que também falam de forma mais complexa.
    Pais que lêem para e com seus filhos estão, mesmo que inconscientemente, expondo suas crianças a uma enorme variedade de vocabulário e ajudando-os não só a falar melhor, como a ler melhor no futuro.

    ResponderExcluir
  2. Eu incentivo. E sempre incentivarei

    ResponderExcluir

Caro internauta,

Os comentários aqui postados são moderados a critério do site, não sendo permitido posts com difamação, incitação à violência, preconceito e nem divulgação de links para conteúdo inapropriado.

Obrigado!