11 de jul de 2011

Sopa de Culturas

O Brasil é o país do chiclete com banana, como foi eternizado num samba de Jackson do Pandeiro. Mas até que ponto a mistura de informações, sotaques e culturas é positiva para uma criança?

A pergunta é feita por pais de alunos de escolas bilíngues, mas segundo estudiosos do assunto, não há risco de que a identidade cultural dessas crianças entre em colapso pelo simples fato de conviverem em mais de um universo lingüístico e sócio-cultural.

“Eles aprenderão brincadeiras, comemorações, histórias, lendas, poemas e músicas dos universos culturais do próprio país e dos países que se vêem representados pela escola. Isso não se transformará em conflito se a escolha da instituição tiver sido criteriosa, alinhada aos valores familiares e se a criança perceber que os pais valorizam ambas as línguas e culturas”, afirma Norma Wolffowitz-Sanchez, mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem.

No caso dos pais que têm pouca intimidade com a cultura e língua usadas na escola dos filhos, a orientação é para que legitimem o aprendizado da criança, mostrando que se interessam pelas novidades que ela traz e preservando os valores familiares e culturais brasileiros.

“Nas escolas pode parecer que uma cultura se sobreponha a outra, principalmente se a criança estiver em um programa de imersão total na língua internacional. Mas são os valores sócio-afetivos da família e a valoração das línguas e culturas pelos pais que influenciarão a formação identitária da criança e a construção de valores em relação à cultura brasileira e à de outros países”, explica Norma que encontra parceiros nessa defesa.

Entre eles, Helena Miascovsky, especialista em educação bilíngüe. Segundo ela, pesquisas importantes apontam que a criança bilíngüe observa, explora e vivencia o mundo tendo como base não apenas um referencial cultural, mas diversos referenciais que possibilitam que ela combine, transforme e crie novas formas de agir. Por isso, não há confusão ou choque cultural, mas sim uma ampliação de possibilidades e de conhecimento de duas ou mais culturas que se somam. Mais uma vez, a dica é para que os pais incentivem.

“É preciso valorizar o idioma de cada família, mas isso não quer dizer que assistir a filmes no segundo idioma não seja recomendado. Muito pelo contrário, assistir a filmes juntos, brincar, cantar no segundo idioma pode ser uma forma muito bacana de interagir com os filhos”, ensina Helena.

Você concorda que os pais têm papel fundamental na educação dos filhos?

2 comentários:

  1. Marcele Araújo Caosas12 de julho de 2011 16:18

    É ótimo que o ensino bilingue exista. E a cultura vem do país, não da língua ou idioma.

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  2. Marcele, obrigado pela participação.

    É importante contar com a colaboração de pessoas interessadas no assunto. Só vale lembrar que a língua é parte essencial da cultura do país ou de uma civilização. São todas as manifestações artísticas, comportamentais, sociais e linguísticas que, juntas, expressam o que entendemos por cultura. Por isso, ensinar outro idioma para as crianças ajuda a aumentar a interação sobre costumes e tradições de outros locais do mundo.

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