29 de ago de 2011

O computador na construção de conhecimentos nos dias atuais

Na última quinta-feira você conheceu algumas orientações para navegar na internet com o seu filho pequeno e, assim, incrementar o que ele aprende na escola bilíngue. Agora nós voltamos ao assunto para falar da troca, diante do computador, entre pais e filhos maiores.

Segundo Denise Bértoli Braga, professora de Linguagem e Tecnologias do departamento de Linguística Aplicada da Unicamp, é fundamental seguir a seguinte regra: conheça bem o seu filho, descubra qual o assunto que mais o interessa e busque na internet exatamente aquilo.

“Pode ser que ele goste de dinossauros, de Fórmula 1 ou então de aeromodelismo, entre tantos outros assuntos. Os pais devem conhecer seus filhos e buscar comunidades estrangeiras na internet onde se discute, na língua alvo da aprendizagem, o assunto de interesse da criança ou do adolescente”, diz chamando a atenção para o cuidado de não transformar o pai em um professor de reforço escolar.

Sem estresse
Denise explica que, quando os pais dominam o idioma, podem ler as informações junto com a criança. A função deles é inserir as informações em um contexto maior, bater um papo na segunda língua com o filho enquanto navegam e, dessa forma, facilitar a construção do sentido, já que o mesmo é construído enfrentando possíveis lacunas de conhecimento linguístico que dificultam a compreensão que a criança ou o jovem podem ter dos textos a que são expostos. “E mesmo que o filho não entenda tudo, se estiver motivado, vai se esforçar para isso. É assim com qualquer pessoa. Em nome de sabermos mais sobre o tema que nos interessa, superamos as dificuldades e o estresse da barreira da língua”, comenta.

E, falando em estresse, uma maneira de minimizar essa sensação de angústia por não conseguir se comunicar é fugir da interação online, em tempo real, no estilo chat ou bate-papo. “Esse modelo gera pressão. Para o aprendiz, a melhor interação à distância é aquela feita off-line. O pai pode descobrir algum site ou blog onde as pessoas postem comentários, ou ainda uma comunidade como as que existem nas redes sociais, sempre com foco no tema de interesse do filho”, avisa Denise, lembrando ainda que os pais podem entrar em contato com alguma escola por meio da web e apresentar o filho, contando sobre o interesse dele em interagir com algum aluno daquela instituição.

E dá-lhe pesquisa na internet para descobrir como unir a troca de afeto com os filhos, diversão e aprendizagem: “É só procurar que acha. Conheço o caso de um grupo de adolescentes brasileiros que estava aprendendo inglês e passou a interagir com crianças recém alfabetizadas de uma escola americana. Elas tinham que contar para os jovens o que acontecia no dia a dia delas e faziam perguntas sobre o Brasil. Por outro lado, os adolescentes explicavam para as criancinhas o que elas queriam saber. Com isso, ambos os lados praticavam a leitura e também a escrita na língua inglesa, já que tinham que fazer perguntas e responder perguntas. É um tipo de interação que pode funcionar na prática.”

Situações reais
Uma das vantagens do computador é que ele permite vivências com a língua estrangeira que antes eram muito difíceis. A criança e o jovem podem ter uma imersão virtual, ou seja, a internet permite que tenham contato com situações reais de uso da segunda língua.

“Antes o aluno aprendia a dizer ‘what’s your name’, mas não tinha para quem falar isso na vida real. Hoje, ele pode mostrar como é o bairro onde mora para uma criança que vive em outro lugar do planeta. E mesmo que tenha dificuldades nesse contato, a vontade de entender e de ser entendido é tanta que o esforço acaba dando resultado”, afirma a especialista.

De novo, ela dá o recado: não existe uma receita sobre locais onde navegar. “Posso até dizer que no site www.discoveryeducation.com há bons vídeos que ajudam o aluno a aperfeiçoar a comunicação verbal e escrita, mas será que ele gosta dos temas dos vídeos que estão lá? Cada pai tem que buscar o que tem mais a ver com o seu filho”, recomenda.

Para Walkyria Monte Mor, professora do departamento de Letras Modernas da USP e pesquisadora na área de novos letramentos e multiletramentos, não se pode negar a importância do computador na construção de conhecimentos nos dias atuais, porém é preciso ficar atento ao excesso de tempo à frente da tela: “A internet não deve tomar o maior percentual de tempo da criança e do jovem. As outras atividades não podem ser excluídas, já que há muitas formas de interação com a linguagem por meio de outros tipos de brincadeiras, outras formas de leitura, outras formas de convivência, e por aí vai”, conclui.

Como você ajuda seu filho a unir diversão e aprendizagem de uma segunda língua quando ele navega na internet?

25 de ago de 2011

Aprendizado do segundo idioma na era do computador

Um levantamento feito em dez países com 2.200 mães de filhos entre dois e cinco anos de idade mostrou que 58% das crianças sabem jogar no computador, enquanto 20% nadam e 25% sabem andar de bicicleta. E mais: 69% delas sabem usar o mouse, mas apenas 11% sabem amarrar o tênis. Esses dados apresentados pela empresa de segurança digital AVG expressam o que os pais já intuíam e que basta observar qualquer criança diante do computador para ver: ela não se intimida, pelo contrário, tenta desvendar como a máquina funciona.

Essa imersão no mundo virtual trouxe mudanças à forma de construir o conhecimento. Segundo Walkyria Monte Mor, professora do departamento de Letras Modernas da USP e pesquisadora na área de novos letramentos e multiletramentos, antigamente as pessoas pensavam numa linguagem que era apenas oral ou escrita, mas hoje essas duas modalidades se articulam com outras, como imagem e som, por exemplo. A linguagem se expandiu e, com ela, as possibilidades de organizar o pensamento.

“A aprendizagem da língua estrangeira está inserida nesse novo jeito de construir o conhecimento. Se antes o aluno aprendia na escola de forma gradativa, do conteúdo mais fácil até chegar ao mais difícil, hoje ele pode aprender assim e também por outras vias. A leitura, por exemplo, que antes era feita no contato com textos escritos, agora pode ser também uma leitura de imagem, de grupos, de mundo. É o que acontece quando os jovens entram no Facebook.”

Internet aliada dos pais
E já que existe uma simpatia natural das crianças e dos adolescentes pelo computador, os pais podem aproveitá-la para incrementar a aprendizagem da segunda língua ensinada na escola. Em casa, eles seriam mediadores de atividades na web.

“Só é preciso tomar cuidado para não transformar o momento diante da tela do computador em algo desinteressante, como se o filho tivesse saído da escola doido para encontrar o pai e acabasse encontrando outro professor em casa. A interação precisa ser afetiva, lúdica, divertida. Se o único objetivo for melhorar o desempenho de língua, essa navegação que poderia ser prazerosa fica muito pesada e a criança vai acabar odiando a segunda língua”, alerta Denise Bértoli Braga, professora de Linguagem e Tecnologias do departamento de Linguística Aplicada da Unicamp.

Navegando com as crianças
À medida que as crianças avançam na escola bilíngue, as possibilidades de prática na internet também avançam. Para as crianças mais novas, Denise recomenda sites infantis com muitas imagens e áudio: “As que ainda não foram alfabetizadas podem ser expostas à língua por meio de músicas e para que elas não reproduzam sem entender nada, o adulto pode ajudar a dar o sentido ao que está sendo reproduzido. O pai deve observar se o filho está entendendo e é importante que participe ativamente na ação interagindo com a criança e cantando junto.”

Quanto aos sites que exploram desenhos associados a palavras, Denise dá uma dica para os pais. Ela orienta que, se a criança vê um balão vermelho no site e ouve uma voz dizendo “red”, ela pode até aprender aquela palavra, mas de uma forma isolada, fora de contexto. A construção do sentido virá se o pai começar a conversar com ela, na língua alvo, fazendo perguntas como “de qual cor você gosta mais?”. A conversa tem que ser divertida, uma brincadeira, e sem perceber a criança vai se apropriando da segunda língua. “Por isso é importante que o pai conheça o idioma, caso contrário, vai deixar de ser uma interação para virar uma verificação de conhecimento em que a criança tem que provar o que aprendeu na escola”, orienta.

Não custa lembrar que é preciso observar os sites que a criança visita para que não tenha acesso a conteúdos inadequados. Fora isso, basta evitar o excesso de tempo na frente do computador e se divertir junto com seu filho enquanto ele aprende. Para isso, preste bastante atenção ao tipo de assunto que mais interessa a ele. Sempre que há motivação a criança se esforça em construir sentidos a partir das informações verbais que recebe e esse é o processo mais eficaz de aprender línguas em geral.

A seguir, algumas sugestões de sites infantis para começar a descobrir o que prende a atenção do seu filho:

- www.funbrain.com - voltado para crianças falantes de língua inglesa com exercícios e jogos;
- www.britishmuseum.org – o site do museu britânico tem uma seção kids;
- www.ciudad17.com – site em espanhol onde a criança aprende cores, números, etc.
- www.poissonrouge.com - site com atividades de alfabetização em inglês, francês e espanhol;
- www.goethe.de/ins/jp/pro/goethe-haus - a página traz uma casa virtual em que tudo é dito em alemão;
- kindersay.com/englishwords/?gclid – cada palavra abre uma janela com gravuras e a pronúncia em inglês.

Como você participa das atividades que seu filho desenvolve enquanto ele navega na internet?

22 de ago de 2011

A criança está de fato aprendendo?

A filha de Alessandra Guerra, procuradora federal em Brasília, tem sete anos e, desde os nove meses, estuda em escola bilíngue. Até os dois anos, o contato com o segundo idioma era semanal, mas a partir dessa idade a criança passou a vivenciar a chamada imersão, ou seja, todos os dias. Por cerca de quatro horas, ela só ouve as professoras falando em inglês. Além disso, toda a comunicação – como pedir para ir ao banheiro – e as atividades realizadas durante o período na escola são realizadas na língua inglesa.

“Minha filha sempre adorou o inglês. Quando tinha três anos, já sabia todas as cores, os números e cantava na segunda língua. Aos cinco anos, ela dizia frases como “May I go to the bathroom?” ou “May I drink some watter?”. Eu falo bem o idioma, mas o meu marido não. O engraçado é que nossa filha passou a corrigir a pronúncia do pai”, conta Alessandra.

Segundo ela, a menina costuma entender o que a mãe diz em inglês sem muito esforço. Porém, recentemente, Alessandra ficou com uma dúvida: será que a filha estava realmente aprendendo? O questionamento surgiu durante as leituras de livros infantis.

Ao ler os livros de literatura indicados pela escola, Alessandra percebia que a filha não entendia tudo, caso ela lesse apenas em inglês. A criança perdia o interesse e não queria ouvir até o final. “Foi aí que comecei a ler interpretando, fazendo gestos, sons, e também misturava inglês com português, mudava a história citando cores, formas e objetos que eu tinha certeza que ela conhecia. Mas continuo achando estranho o fato de eu não prender a atenção somente lendo em inglês. Será que ela está aprendendo mesmo?”, questiona Alessandra.

Albina Escobar, professora de inglês há 20 anos, autora de livros didáticos e consultora em capacitação de professores, afirma que as variáveis para a resposta a essa pergunta são tantas que é difícil analisar sem conhecer profundamente o caso. “É preciso uma avaliação cuidadosa porque depende de vários fatores, entre eles conhecer a rotina da escola. Inclusive, é muito comum os pais acharem que a escola é bilíngue enquanto ela não é de fato. E tem outro ponto: a escolha dos livros pode estar errada”, ressalta.

Albina também chama a atenção para outro detalhe: é comum os pais lerem para a criança na hora em que ela vai dormir. Mas se o filho não quiser deitar àquela hora, pode acabar associando a leitura como algo ruim. “A história lida antes de dormir é recebida com má vontade porque, no fundo, o que a criança não quer é ter que deitar e dormir”, afirma.

A professora recomenda que os pais verifiquem questões desde se a escola ensina todo o conteúdo programático em inglês até o material usado. “Não posso dar um livro de Machado de Assis para uma criança ler porque não estará no mesmo nível cognitivo e lingüístico dela”, exemplifica.

Quanto à forma de descobrir se a criança está incorporando a segunda língua, a educadora e consultora orienta que os pais prestem atenção a alguns comportamentos. Quando a criança viaja para o exterior, por exemplo, e precisa se comunicar com um estrangeiro, pode até sentir vergonha, mas por necessidade ela vai ter que se esforçar. “Sei de um menino de oito anos, aprendiz de inglês, que foi à Disney e, apesar do pai dizer que não queria acompanhá-lo em determinado brinquedo, a criança pediu o dinheiro e foi sozinha comprar o ingresso”, conta.

Há também casos em que a criança se vê na presença de um amigo estrangeiro da família e, longe dos pais, acaba se soltando ao conversar com ele na língua que está aprendendo na escola. “São sinais que a criança vai emitindo que está aprendendo e o importante é não cobrar resultados nem apressar a criança, porque isso pode fazer com que ela crie aversão à nova língua”, alerta.

Seu filho já lhe surpreendeu com algo em seu segundo idioma?

15 de ago de 2011

O que pode estar por trás das dificuldades de aprendizado da segunda língua

Qualquer criança pode apresentar dificuldades em algum momento da vida escolar. Na educação bilíngue não é diferente. É preciso prestar atenção ao que está por trás de cada tipo de problema apresentado.

As dificuldades mais comuns são resultantes de baixa autoestima, segundo Lilian Rodrigues Santos, consultora em aquisição da segunda língua, especializada em crianças e adolescentes há mais de 15 anos. “A criança é tão rotulada que acaba pensando ‘nunca vou aprender mesmo’. Ela começa a apresentar excesso de erros em questões bem simples, o que significa que no fundo não tem coragem nem de tentar, porque já se convenceu de que é incapaz”, afirma.

Cynthia Miranda, psicóloga clínica, lembra que os pais precisam estar atentos à chamada “transferência”. “Às vezes a criança manifesta um sintoma de uma dificuldade que na verdade é dos pais. É bastante comum ver os adultos com muitas expectativas de que seus filhos saibam falar fluentemente um idioma, mas não porque isso vai ser bom para o futuro da criança, e sim porque eles – os pais - é que gostariam de ter tido essa chance”, relata. Por isso, ela acredita que é preciso ter muito cuidado com as expectativas que depositam nos filhos porque eles podem não conseguir lidar com isso. “Cada criança tem um tempo e não pode carregar desejos ou frustrações dos pais”, explica.

Além disso, os pais precisam ficar atentos às dificuldades que surgem por problemas médicos. Segundo Lilian, nos alunos que apresentam problemas de audição, por exemplo, as dificuldades se manifestam na pronúncia das palavras na segunda língua, já que eles ouvem algo diferente do que está sendo dito.

Para ajudar os pais, a consultora organizou algumas dicas:

- Incentive sempre. “O menino está lá todo empolgado cantando no maior ‘embromation’ e o que os pais costumam fazer? Corrigir. Ou pior, eles começam a rir. A criança se sente péssima, e acaba desistindo de cantar, ou seja, de aprender. A solução? Cantar junto, corretamente, mas sem fazer comentários. A criança vai aos poucos copiando o certo até o dia que cantará perfeitamente e sozinha.”

- Motive e procure elogiar os acertos. Tente ver o que a criança sabe fazer e elogie, sem exageros. Ressalte o que ela acerta e não o que ela erra.

- Não comente com outras pessoas sobre a dificuldade da criança, rotulando-a. “Alguns pais parecem esquecer que o filho está bem do lado deles, ouvindo tudo e se sentindo o pior dos seres humanos. Há também pais mais discretos que não comentam na presença da criança, mas ao invés de procurar ajuda especializada, ficam dizendo pra todo mundo que o filho não é bom em nada. Um dia a criança acaba descobrindo isso quando um coleguinha ou alguém da família vai debochar dela”, alerta Lilian.

- Jamais exponha a criança a situações em que ela tenha que demonstrar o conhecimento diante de outras pessoas.

- Fique atento porque quase a maioria das chamadas "dificuldades" vem da baixa autoestima, por sua vez provocada por alguém muito próximo. O primeiro passo é identificar a pessoa com esse comportamento em relação à criança. “Há inúmeros casos de pais que falam ‘já gastei uma fortuna com o Joãozinho e ele não sabe nem contar até dez em inglês’. E tem muitos que dizem ‘meus filhos estão estudando outro idioma há mais de três anos e eu perguntei como falar determinada palavra em inglês e eles me dizem que não sabem”, conta. Um dos piores casos que a consultora presenciou foi de uma aluna que tinha pai e mãe muito “brincalhões”. Eles falavam com a filha de oito anos na frente de todo mundo: “Iiiihhh, não sabe nem falar oi?” e faziam isso não só tentando forçá-la a falar inglês, era em qualquer situação. “Nem é preciso dizer como ficava a autoestima dessa garotinha”, comenta Lilian.

- Reavalie a escola onde seu filho estuda e saiba que existem profissionais que prestam consultoria para ajudá-lo a entender se as dificuldades podem estar relacionadas ao método de ensino.

E você, já parou para pensar que as chamadas dificuldades podem surgir ou se agravar porque a criança ouve mensagens desanimadoras em casa?

11 de ago de 2011

Quanto antes, melhor!

No início desta semana, escrevemos um post com a entrevista que fizemos com Don Farrow, diretor acadêmico da Maple Bear para a América do Sul. A seguir, você confere a segunda parte do encontro, em que ele mostra como é aplicado o método de ensino do Canadá – um dos melhores do mundo.

Saber falar pelo menos dois idiomas é essencial nos dias de hoje. Este é, muitas vezes, requisito básico para ingressar no mercado de trabalho. No entanto, o que poucas pessoas sabem é que a melhor maneira de aprender outra língua é ainda na infância.

“Muitos pais preocupam-se que um idioma interfira em outro, mas isso não acontece. Ao contrário, um reforça o outro. As habilidades são transferíveis nos idiomas, como ler da esquerda para a direita e de cima para baixo”, esclarece Don Farrow. De fato, esta é uma característica que faz parte do processo de aprendizagem bilíngue e, por isso, quanto antes for iniciado, melhor para a criança.

De acordo com o diretor, para que o ensino bilíngue faça mais sentido e as crianças aprendam de maneira mais expressiva, três situações devem ocorrer na sala de aula. “A primeira é a necessidade de comunicação, seguida do conforto para utilizar o idioma e, por último, mas não menos importante, o interesse em aprender”, classifica.

Na Maple Bear, quando as crianças ingressam na escola, este cenário é bastante comum, pois elas são submetidas ao sistema de imersão – daí o sucesso do método de ensino. “Ao entrar na aula, a criança geralmente tem de 2 a 4 anos. Nessa fase, o ensino é 100% em inglês. Ou seja, elas têm necessidade de aprender outro idioma para se relacionar com as outras crianças e professores”, explica.

Para ele, o conforto da criança também não demora a aparecer, pois ela percebe que não é a única que não fala o outro idioma e, se ela errar, por exemplo, não vai ser tratada diferentemente. O interesse vem naturalmente, uma vez que a criança percebe que poderá falar com outras pessoas em um segundo idioma e aumentar seus conhecimentos.

Metodologia Maple Bear Brasil
Para garantir que a criança aprenda tanto o inglês quanto o próprio idioma do país em que vive, aos cinco anos, ela começa a dividir o tempo de aprendizado com a língua-mãe. Neste período, as aulas são divididas em 75% em inglês e os 25% restantes em português. A partir dos seis, o ensino é repartido igualmente, com 50% de dedicação para cada idioma.

“Neste método, são introduzidas as matérias de matemática, ciências e inglês, ensinadas em inglês, justamente por serem assuntos universais – que não muda de um país para o outro. Já português, história e geografia são lecionados em português, porque são assuntos específicos de cada país”, esclarece o diretor.

O método de ensino canadense valoriza o pensamento e os estudantes são estimulados a compreender o assunto que está sendo repassado pelo professor. Na matemática, por exemplo, as crianças não decoram a tabuada. Elas são apresentadas à matéria por meio de atividades práticas de agrupamento e classificação, o que aumenta a compreensão do assunto pelos pequenos e dispensa o famoso decoreba.

Como você avalia o método de ensino aplicado nas escolas Maple Bear?

8 de ago de 2011

Canadá: no topo da pirâmide escolar

O Canadá possui um dos melhores sistemas de educação de todo o mundo. De acordo com o último ranking geral do Programa Internacional de Avaliação de Aluno (PISA), da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país está em entre os primeiros colocados e se consagra como campeão entre os países de língua inglesa.

Para falar sobre o sistema de ensino canadense, o blog Ensino Bilíngue conversou com Don Farrow, diretor acadêmico da Maple Bear para a América do Sul. Para Don, o fato de o Canadá ser referência de educação no mundo todo é motivo de orgulho para todos os canadenses. “O orgulho é ainda maior porque o ensino em nosso país é público e é isso que o torna diferente de outros países do mundo”, conta.

De fato, em muitos outros países, como o próprio Brasil, muitas vezes, a educação de qualidade é sinônimo de alto custo. Para entender como o sucesso deste ensino já está intrínseco à própria cultura canadense, no entanto, Don faz uma breve retrospectiva da história do local.

“Em 1960, a província de Quebec sofreu o que chamamos de Revolução Silenciosa (Quiet Revolution). Predominantemente francesa, esta província passou por grandes mudanças, tanto econômicas, quanto sócio-culturais, o que mudou o conservadorismo que tomava conta do local”, explica. Uma destas mudanças e, talvez, a mais sentida, foi com relação ao idioma da nação. “De um lado, a língua francesa dominava. De outro, o inglês. A dúvida era: somos um país bilíngue ou não?”, comenta o diretor. A resposta foi positiva e a decisão tomada foi a de ensinar o francês em áreas de língua inglesa e o inglês em áreas em que o francês era predominante.

Na prática
Para o diretor, o bilinguismo é a habilidade que a pessoa tem de pensar e aprender em outra língua. Para isso acontecer, porém, ele acredita que o principal método é a imersão na segunda língua. “Em uma escola, qualquer dedicação de tempo menor que 50% das aulas no segundo idioma não é imersão. No começo da educação bilíngue o ideal é ter, no mínimo, quatro horas de utilização da língua”, ressalta. Por isso, é importante destacar que a escola bilíngue é muito diferente de escolas de línguas, justamente pelo tempo que as crianças passam estudando outro idioma.

“Como em qualquer outro processo de aprendizagem, cometemos erros, mas eles serviram para que a gente aprendesse o que poderíamos fazer para melhorar nosso ensino. Foi um trabalho longo e difícil, mas foi a própria história do Canadá que forçou essa situação”, esclarece Don.

Confira a continuação da entrevista no próximo post, que será na quinta-feira, dia 11 de agosto.

4 de ago de 2011

Quanto mais cedo se aprende outra língua, melhor!

Marizilda Guimarães Lemos Martins, diretora pedagógica da unidade da escola bilíngue Maple Bear em Jundiaí, morou seis anos no Canadá, onde foi professora de português. Acompanhou de perto os três filhos pequenos virarem bilíngües e passou três anos do mestrado na USP mergulhada em pesquisas sobre o ensino bilíngue na educação infantil. Educadora experiente e apaixonada pelo bilingüismo tem muito a elucidar sobre o assunto.

Ela é categórica ao responder a quem tem dúvidas sobre as vantagens de um segundo idioma na infância. “Os pais precisam saber que a melhor fase para aprender é de zero até seis anos de idade. Quanto mais cedo a criança tiver acesso a uma nova língua, melhor” afirma. Entre várias pesquisas que comprovam essa teoria, ela cita uma feita recentemente para a Universidade de Harvard. “O estudo revelou que bebês expostos a duas línguas mostram reflexos mais rápidos que aqueles em contato com apenas uma”, aponta.

Segundo Marizilda, as sinapses que ocorrem no cérebro nessa fase, e que são constantemente usadas, são mantidas. Se o que a criança aprende faz sentido, o conteúdo fica guardado. Ela conta que é como andar de bicicleta. “Se a pessoa aprende quando é bem pequena, vai ter maior facilidade no futuro para colocar em prática. Ela vai buscar o registro e ele estará gravado”, explica. Além disso, ela completa, quanto mais cedo se aprende uma segunda língua, há mais chances de perfeição na pronúncia e na articulação da linguagem, já que a criança não irá pensar para falar como faz o adulto.

Na dissertação de mestrado, Marizilda apresentou várias pesquisas da neurociência que comprovam que o benefício do ensino bilíngue na infância vai além de aprender uma nova língua. “Vão do desenvolvimento de habilidades de memória e raciocínio lógico até a possível prevenção de doenças senis”, lista.
Mas a atitude investigativa da educadora não parou com o mestrado. Ela inicia o doutorado, também pela USP, para se aprofundar nas conseqüências do bilinguismo precoce. Durante três anos, irá acompanhar o desenvolvimento das crianças da escola onde atua.

Imersão
Em toda sua carreira, Marizilda pôde comprovar que a criança aprende a segunda língua como aprende a primeira, ou seja, ouvindo e repetindo. Por isso, ela defende que a aprendizagem seja feita por meio da imersão no novo idioma e garante que apenas uma aula por semana não faz efeito.

“Tem que ser no mínimo quatro horas por dia ouvindo somente a nova língua. Já viu como o bebê brasileiro aprende o português? Ele fica ouvindo o tempo todo as pessoas falarem e chega uma hora em que ele também fala, repetindo o que ouviu”, afirma. Ela conta que na escola em que atua recebe crianças que ainda nem começaram a falar português, mas como já estão ouvindo a família falar em casa, eles sabem que logo vão começar a se comunicar na língua materna. “É aí que nós vamos atuar: o bebê fica em um ambiente que reproduz o que ele vive lá fora e uma hora também vai se comunicar no novo idioma”, esclarece.

E você, quer tirar alguma dúvida com a pesquisadora sobre o ensino bilíngue na infância?

1 de ago de 2011

Quando filhos de pais bilíngues se confundem com os idiomas

Matthew nasceu e viveu em São Paulo até os 4 anos de idade. Filho de pai inglês e de mãe brasileira, ele ouvia os dois idiomas em casa. Mas, na maioria das vezes, o português predominava, já que era a língua falada pelos colegas e pela babá. Quando alguém conversava com ele em inglês, Matthew entendia tudo, mas só respondia em português. “Era curioso porque, todas as vezes que íamos para a Inglaterra ou recebíamos pessoas do exterior em casa, ele insistia em não responder em inglês. Demorou um tempo para ele entender que uma língua era diferente da outra e que nem todo mundo falava as duas », conta Marina Gerlach, professora e mãe de Matthew, que hoje já é um rapaz de 17 anos.

Para ajudar os pais a compreender comportamentos como esse, Melissa Picchi Zambon, psicóloga e mestre em educação especial, explica que tendemos a nos comportar conforme algumas pistas disponíveis no ambiente. Isso quer dizer que, se vamos a um lugar onde todos estão falando em voz baixa, provavelmente vamos falar desta maneira. Por isso, se a criança aprendeu a falar um idioma somente com pessoas específicas , como os pais, e sempre num determinado lugar – por exemplo, em casa – ela pode precisar de ajuda para conseguir discriminar as ocasiões em que deve falar um ou outro idioma.

“A criança nunca deve ser punida ou repreendida quando não falar ou se enganar. Isso pode gerar ansiedade. Os pais podem explicar que outras pessoas falam aquela língua e que é divertido treinar com essas pessoas”, explica a psicóloga ao ressaltar também que os próprios pais podem servir de modelo para a criança, agindo da maneira que eles esperam que ela se comporte.

Melissa orienta que o pai pode dizer algo como “agora nós vamos a uma festa e lá encontraremos pessoas que falam como a mamãe. Preste atenção para você ver como vai ser”. Ao chegar lá, o pai pode falar “veja, essa pessoa me perguntou se eu gosto disso na língua da mamãe e eu vou responder”. Isso dá dicas importantes de como a criança pode fazer em certas situações e ainda proporciona segurança, argumenta a psicóloga.

De criança para criança
Segundo a Melissa, para algumas crianças é mais difícil falar com um adulto do que com outra criança. A diferença de idade pode implicar em diferenças quanto a linguagem e interesses, fazendo com que a criança não se sinta à vontade. A recomendação é que os pais estimulem o contato do filho com outras crianças em um contexto onde elas possam brincar e interagir da forma mais natural possível.

Foi o que Marina fez quando levou o filho de 4 anos para a Argentina. Lá, matriculou Matthew em uma escola bilíngüe. No início, ele resistiu ao espanhol e aproveitou para se enturmar com colegas de classe que falavam inglês, a língua paterna. “Foi aí que ele se soltou nesse idioma, sendo que antes ele falava mais o português. Enquanto estávamos na Argentina ele era trilíngue. Depois o espanhol ficou em terceiro plano. Hoje ele é totalmente bilíngue em português e inglês”, conta.

Em qualquer situação vivenciada pela criança na aprendizagem de duas ou mais línguas, o que vale é o incentivo. “É fundamental que os pais façam comentários positivos quando a criança interagir com os outros utilizando o idioma ‘adequado’. Isso dá sinais de que ela está se comportando de forma correta e aumenta as chances de ela vir a agir dessa maneira em outras oportunidades”, conclui Melissa.

E você, já passou por situações em que seu filho se confundiu com os idiomas? Como agiu?