29 de ago de 2011

O computador na construção de conhecimentos nos dias atuais

Na última quinta-feira você conheceu algumas orientações para navegar na internet com o seu filho pequeno e, assim, incrementar o que ele aprende na escola bilíngue. Agora nós voltamos ao assunto para falar da troca, diante do computador, entre pais e filhos maiores.

Segundo Denise Bértoli Braga, professora de Linguagem e Tecnologias do departamento de Linguística Aplicada da Unicamp, é fundamental seguir a seguinte regra: conheça bem o seu filho, descubra qual o assunto que mais o interessa e busque na internet exatamente aquilo.

“Pode ser que ele goste de dinossauros, de Fórmula 1 ou então de aeromodelismo, entre tantos outros assuntos. Os pais devem conhecer seus filhos e buscar comunidades estrangeiras na internet onde se discute, na língua alvo da aprendizagem, o assunto de interesse da criança ou do adolescente”, diz chamando a atenção para o cuidado de não transformar o pai em um professor de reforço escolar.

Sem estresse
Denise explica que, quando os pais dominam o idioma, podem ler as informações junto com a criança. A função deles é inserir as informações em um contexto maior, bater um papo na segunda língua com o filho enquanto navegam e, dessa forma, facilitar a construção do sentido, já que o mesmo é construído enfrentando possíveis lacunas de conhecimento linguístico que dificultam a compreensão que a criança ou o jovem podem ter dos textos a que são expostos. “E mesmo que o filho não entenda tudo, se estiver motivado, vai se esforçar para isso. É assim com qualquer pessoa. Em nome de sabermos mais sobre o tema que nos interessa, superamos as dificuldades e o estresse da barreira da língua”, comenta.

E, falando em estresse, uma maneira de minimizar essa sensação de angústia por não conseguir se comunicar é fugir da interação online, em tempo real, no estilo chat ou bate-papo. “Esse modelo gera pressão. Para o aprendiz, a melhor interação à distância é aquela feita off-line. O pai pode descobrir algum site ou blog onde as pessoas postem comentários, ou ainda uma comunidade como as que existem nas redes sociais, sempre com foco no tema de interesse do filho”, avisa Denise, lembrando ainda que os pais podem entrar em contato com alguma escola por meio da web e apresentar o filho, contando sobre o interesse dele em interagir com algum aluno daquela instituição.

E dá-lhe pesquisa na internet para descobrir como unir a troca de afeto com os filhos, diversão e aprendizagem: “É só procurar que acha. Conheço o caso de um grupo de adolescentes brasileiros que estava aprendendo inglês e passou a interagir com crianças recém alfabetizadas de uma escola americana. Elas tinham que contar para os jovens o que acontecia no dia a dia delas e faziam perguntas sobre o Brasil. Por outro lado, os adolescentes explicavam para as criancinhas o que elas queriam saber. Com isso, ambos os lados praticavam a leitura e também a escrita na língua inglesa, já que tinham que fazer perguntas e responder perguntas. É um tipo de interação que pode funcionar na prática.”

Situações reais
Uma das vantagens do computador é que ele permite vivências com a língua estrangeira que antes eram muito difíceis. A criança e o jovem podem ter uma imersão virtual, ou seja, a internet permite que tenham contato com situações reais de uso da segunda língua.

“Antes o aluno aprendia a dizer ‘what’s your name’, mas não tinha para quem falar isso na vida real. Hoje, ele pode mostrar como é o bairro onde mora para uma criança que vive em outro lugar do planeta. E mesmo que tenha dificuldades nesse contato, a vontade de entender e de ser entendido é tanta que o esforço acaba dando resultado”, afirma a especialista.

De novo, ela dá o recado: não existe uma receita sobre locais onde navegar. “Posso até dizer que no site www.discoveryeducation.com há bons vídeos que ajudam o aluno a aperfeiçoar a comunicação verbal e escrita, mas será que ele gosta dos temas dos vídeos que estão lá? Cada pai tem que buscar o que tem mais a ver com o seu filho”, recomenda.

Para Walkyria Monte Mor, professora do departamento de Letras Modernas da USP e pesquisadora na área de novos letramentos e multiletramentos, não se pode negar a importância do computador na construção de conhecimentos nos dias atuais, porém é preciso ficar atento ao excesso de tempo à frente da tela: “A internet não deve tomar o maior percentual de tempo da criança e do jovem. As outras atividades não podem ser excluídas, já que há muitas formas de interação com a linguagem por meio de outros tipos de brincadeiras, outras formas de leitura, outras formas de convivência, e por aí vai”, conclui.

Como você ajuda seu filho a unir diversão e aprendizagem de uma segunda língua quando ele navega na internet?

4 comentários:

  1. Gostei muito do artigo. Bom, eu ajudo meus alunos e meu filho, antes de tudo, pesquisando os sites, lendo, verificando como funcionam. Acho que é o primeiro passo para evitar frustrações de ambos os lados. Depois, ofereço as opções adequadas às faixas etárias. Garantia de aprendizado e diversão !! Lilian Rodrigues Santos lilian_rodrigues_santos@yahoo.com.br

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  2. Daniel Bwerga Castro30 de agosto de 2011 19:37

    Eu já tive esta experiência. Minha filha aprendeu muito com o computador. Foi ótima ferramenta. A dica é muito pertinente, pois há pais que ainda pensam em deixar os filhos longe dos computadores (incrível, mas há).

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  3. Isso mesmo, Lilian. Pesquisar alguns sites especializados em ensino bilíngue é essencial para todas as crianças, independentemente da idade. Os pais devem ficar de olho nos materiais disponíveis para garantir que o acesso ao conteúdo está adequado para as crianças.

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  4. Olá, Daniel. O computador pode desempenhar um papel importante na educação bilíngue das crianças. No entanto, é essencial que os pais ajudem seus filhos neste processo e incentivem a leitura de sites especializados no ensino de outro idioma.

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