15 de ago de 2011

O que pode estar por trás das dificuldades de aprendizado da segunda língua

Qualquer criança pode apresentar dificuldades em algum momento da vida escolar. Na educação bilíngue não é diferente. É preciso prestar atenção ao que está por trás de cada tipo de problema apresentado.

As dificuldades mais comuns são resultantes de baixa autoestima, segundo Lilian Rodrigues Santos, consultora em aquisição da segunda língua, especializada em crianças e adolescentes há mais de 15 anos. “A criança é tão rotulada que acaba pensando ‘nunca vou aprender mesmo’. Ela começa a apresentar excesso de erros em questões bem simples, o que significa que no fundo não tem coragem nem de tentar, porque já se convenceu de que é incapaz”, afirma.

Cynthia Miranda, psicóloga clínica, lembra que os pais precisam estar atentos à chamada “transferência”. “Às vezes a criança manifesta um sintoma de uma dificuldade que na verdade é dos pais. É bastante comum ver os adultos com muitas expectativas de que seus filhos saibam falar fluentemente um idioma, mas não porque isso vai ser bom para o futuro da criança, e sim porque eles – os pais - é que gostariam de ter tido essa chance”, relata. Por isso, ela acredita que é preciso ter muito cuidado com as expectativas que depositam nos filhos porque eles podem não conseguir lidar com isso. “Cada criança tem um tempo e não pode carregar desejos ou frustrações dos pais”, explica.

Além disso, os pais precisam ficar atentos às dificuldades que surgem por problemas médicos. Segundo Lilian, nos alunos que apresentam problemas de audição, por exemplo, as dificuldades se manifestam na pronúncia das palavras na segunda língua, já que eles ouvem algo diferente do que está sendo dito.

Para ajudar os pais, a consultora organizou algumas dicas:

- Incentive sempre. “O menino está lá todo empolgado cantando no maior ‘embromation’ e o que os pais costumam fazer? Corrigir. Ou pior, eles começam a rir. A criança se sente péssima, e acaba desistindo de cantar, ou seja, de aprender. A solução? Cantar junto, corretamente, mas sem fazer comentários. A criança vai aos poucos copiando o certo até o dia que cantará perfeitamente e sozinha.”

- Motive e procure elogiar os acertos. Tente ver o que a criança sabe fazer e elogie, sem exageros. Ressalte o que ela acerta e não o que ela erra.

- Não comente com outras pessoas sobre a dificuldade da criança, rotulando-a. “Alguns pais parecem esquecer que o filho está bem do lado deles, ouvindo tudo e se sentindo o pior dos seres humanos. Há também pais mais discretos que não comentam na presença da criança, mas ao invés de procurar ajuda especializada, ficam dizendo pra todo mundo que o filho não é bom em nada. Um dia a criança acaba descobrindo isso quando um coleguinha ou alguém da família vai debochar dela”, alerta Lilian.

- Jamais exponha a criança a situações em que ela tenha que demonstrar o conhecimento diante de outras pessoas.

- Fique atento porque quase a maioria das chamadas "dificuldades" vem da baixa autoestima, por sua vez provocada por alguém muito próximo. O primeiro passo é identificar a pessoa com esse comportamento em relação à criança. “Há inúmeros casos de pais que falam ‘já gastei uma fortuna com o Joãozinho e ele não sabe nem contar até dez em inglês’. E tem muitos que dizem ‘meus filhos estão estudando outro idioma há mais de três anos e eu perguntei como falar determinada palavra em inglês e eles me dizem que não sabem”, conta. Um dos piores casos que a consultora presenciou foi de uma aluna que tinha pai e mãe muito “brincalhões”. Eles falavam com a filha de oito anos na frente de todo mundo: “Iiiihhh, não sabe nem falar oi?” e faziam isso não só tentando forçá-la a falar inglês, era em qualquer situação. “Nem é preciso dizer como ficava a autoestima dessa garotinha”, comenta Lilian.

- Reavalie a escola onde seu filho estuda e saiba que existem profissionais que prestam consultoria para ajudá-lo a entender se as dificuldades podem estar relacionadas ao método de ensino.

E você, já parou para pensar que as chamadas dificuldades podem surgir ou se agravar porque a criança ouve mensagens desanimadoras em casa?

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