1 de ago de 2011

Quando filhos de pais bilíngues se confundem com os idiomas

Matthew nasceu e viveu em São Paulo até os 4 anos de idade. Filho de pai inglês e de mãe brasileira, ele ouvia os dois idiomas em casa. Mas, na maioria das vezes, o português predominava, já que era a língua falada pelos colegas e pela babá. Quando alguém conversava com ele em inglês, Matthew entendia tudo, mas só respondia em português. “Era curioso porque, todas as vezes que íamos para a Inglaterra ou recebíamos pessoas do exterior em casa, ele insistia em não responder em inglês. Demorou um tempo para ele entender que uma língua era diferente da outra e que nem todo mundo falava as duas », conta Marina Gerlach, professora e mãe de Matthew, que hoje já é um rapaz de 17 anos.

Para ajudar os pais a compreender comportamentos como esse, Melissa Picchi Zambon, psicóloga e mestre em educação especial, explica que tendemos a nos comportar conforme algumas pistas disponíveis no ambiente. Isso quer dizer que, se vamos a um lugar onde todos estão falando em voz baixa, provavelmente vamos falar desta maneira. Por isso, se a criança aprendeu a falar um idioma somente com pessoas específicas , como os pais, e sempre num determinado lugar – por exemplo, em casa – ela pode precisar de ajuda para conseguir discriminar as ocasiões em que deve falar um ou outro idioma.

“A criança nunca deve ser punida ou repreendida quando não falar ou se enganar. Isso pode gerar ansiedade. Os pais podem explicar que outras pessoas falam aquela língua e que é divertido treinar com essas pessoas”, explica a psicóloga ao ressaltar também que os próprios pais podem servir de modelo para a criança, agindo da maneira que eles esperam que ela se comporte.

Melissa orienta que o pai pode dizer algo como “agora nós vamos a uma festa e lá encontraremos pessoas que falam como a mamãe. Preste atenção para você ver como vai ser”. Ao chegar lá, o pai pode falar “veja, essa pessoa me perguntou se eu gosto disso na língua da mamãe e eu vou responder”. Isso dá dicas importantes de como a criança pode fazer em certas situações e ainda proporciona segurança, argumenta a psicóloga.

De criança para criança
Segundo a Melissa, para algumas crianças é mais difícil falar com um adulto do que com outra criança. A diferença de idade pode implicar em diferenças quanto a linguagem e interesses, fazendo com que a criança não se sinta à vontade. A recomendação é que os pais estimulem o contato do filho com outras crianças em um contexto onde elas possam brincar e interagir da forma mais natural possível.

Foi o que Marina fez quando levou o filho de 4 anos para a Argentina. Lá, matriculou Matthew em uma escola bilíngüe. No início, ele resistiu ao espanhol e aproveitou para se enturmar com colegas de classe que falavam inglês, a língua paterna. “Foi aí que ele se soltou nesse idioma, sendo que antes ele falava mais o português. Enquanto estávamos na Argentina ele era trilíngue. Depois o espanhol ficou em terceiro plano. Hoje ele é totalmente bilíngue em português e inglês”, conta.

Em qualquer situação vivenciada pela criança na aprendizagem de duas ou mais línguas, o que vale é o incentivo. “É fundamental que os pais façam comentários positivos quando a criança interagir com os outros utilizando o idioma ‘adequado’. Isso dá sinais de que ela está se comportando de forma correta e aumenta as chances de ela vir a agir dessa maneira em outras oportunidades”, conclui Melissa.

E você, já passou por situações em que seu filho se confundiu com os idiomas? Como agiu?

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