4 de ago de 2011

Quanto mais cedo se aprende outra língua, melhor!

Marizilda Guimarães Lemos Martins, diretora pedagógica da unidade da escola bilíngue Maple Bear em Jundiaí, morou seis anos no Canadá, onde foi professora de português. Acompanhou de perto os três filhos pequenos virarem bilíngües e passou três anos do mestrado na USP mergulhada em pesquisas sobre o ensino bilíngue na educação infantil. Educadora experiente e apaixonada pelo bilingüismo tem muito a elucidar sobre o assunto.

Ela é categórica ao responder a quem tem dúvidas sobre as vantagens de um segundo idioma na infância. “Os pais precisam saber que a melhor fase para aprender é de zero até seis anos de idade. Quanto mais cedo a criança tiver acesso a uma nova língua, melhor” afirma. Entre várias pesquisas que comprovam essa teoria, ela cita uma feita recentemente para a Universidade de Harvard. “O estudo revelou que bebês expostos a duas línguas mostram reflexos mais rápidos que aqueles em contato com apenas uma”, aponta.

Segundo Marizilda, as sinapses que ocorrem no cérebro nessa fase, e que são constantemente usadas, são mantidas. Se o que a criança aprende faz sentido, o conteúdo fica guardado. Ela conta que é como andar de bicicleta. “Se a pessoa aprende quando é bem pequena, vai ter maior facilidade no futuro para colocar em prática. Ela vai buscar o registro e ele estará gravado”, explica. Além disso, ela completa, quanto mais cedo se aprende uma segunda língua, há mais chances de perfeição na pronúncia e na articulação da linguagem, já que a criança não irá pensar para falar como faz o adulto.

Na dissertação de mestrado, Marizilda apresentou várias pesquisas da neurociência que comprovam que o benefício do ensino bilíngue na infância vai além de aprender uma nova língua. “Vão do desenvolvimento de habilidades de memória e raciocínio lógico até a possível prevenção de doenças senis”, lista.
Mas a atitude investigativa da educadora não parou com o mestrado. Ela inicia o doutorado, também pela USP, para se aprofundar nas conseqüências do bilinguismo precoce. Durante três anos, irá acompanhar o desenvolvimento das crianças da escola onde atua.

Imersão
Em toda sua carreira, Marizilda pôde comprovar que a criança aprende a segunda língua como aprende a primeira, ou seja, ouvindo e repetindo. Por isso, ela defende que a aprendizagem seja feita por meio da imersão no novo idioma e garante que apenas uma aula por semana não faz efeito.

“Tem que ser no mínimo quatro horas por dia ouvindo somente a nova língua. Já viu como o bebê brasileiro aprende o português? Ele fica ouvindo o tempo todo as pessoas falarem e chega uma hora em que ele também fala, repetindo o que ouviu”, afirma. Ela conta que na escola em que atua recebe crianças que ainda nem começaram a falar português, mas como já estão ouvindo a família falar em casa, eles sabem que logo vão começar a se comunicar na língua materna. “É aí que nós vamos atuar: o bebê fica em um ambiente que reproduz o que ele vive lá fora e uma hora também vai se comunicar no novo idioma”, esclarece.

E você, quer tirar alguma dúvida com a pesquisadora sobre o ensino bilíngue na infância?

2 comentários:

  1. Ótimo artigo Marizilda!Sou a prova disso tudo que foi citado. Estou estudando sobre o tema. Gostaria de ver com você a possibilidade de uma orientação nesta área, pois o meu tema de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso- UFG)está voltado para o ensino bilíngue e preciso de teóricos que estejam relacionados ao tema. Obrigada, meu e-mail é: cinthiaespanhol@gmail.com

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  2. Olá, Cinthia. Tudo bem?

    Obrigada por participar do nosso blog! Bom saber que o bilinguismo será o tema do seu trabalho de conclusão de curso. Esperamos que sua pesquisa continue por mais tempo e que o nosso blog sirva de inspiração.

    Enviaremos o contato da Marizilda para o e-mail indicado, ok?

    Abraços,
    Equipe Blog Ensino Bilíngue

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