19 de set de 2011

Educação Multicultural: crianças abertas à diversidade e desafiadoras de preconceito

Depois de cursar doutorado na Escócia, Ana Canen voltou ao Brasil com os filhos. Um dia, na escola brasileira, um deles levou um tombo e os amigos riram. “Meu filho me disse que se lembrou de quando caiu na escola em que estudava no exterior. Falou que lá, ao contrário do Brasil, as outras crianças se uniram espontaneamente para levá-lo à enfermaria. Por meio de um simples tombo meu filho pôde enxergar duas realidades diferentes”, comenta Ana, que é professora da área de Educação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em educação multicultural.

O mesmo filho de Ana se deparou com outra situação inusitada ao mudar de país: “A professora brasileira contou que meu filho ficou meio espantado quando ela disse ‘como você é lindo’ e o beijou carinhosamente. Na Escócia, ninguém beija tanto quanto no Brasil e essa afetividade do nosso povo foi uma surpresa pra ele”, relembra.

Ana só vê vantagens nessas experiências. Acredita que permitem ao filho ampliar a visão de mundo e perceber que todos têm algo a aprender uns com os outros. E o principal: facilitam o entendimento de que não existe uma cultura superior ou inferior à outra.

Multiculturalismo na escola

A diversidade humana deve ser assunto das instituições de ensino em geral e mais ainda das escolas bilíngues, segundo Angela Oliveira, pesquisadora na área de Multiculturalismo, tradutora e professora de inglês e português para estrangeiros. “É função da escola democrática preparar o aluno para a sobrevivência em sociedades contemporâneas, formando futuras gerações com os valores de respeito, tolerância e apreciação à pluralidade cultural. Esses jovens devem ser preparados para desafiar discursos preconceituosos que geram tensões e conflitos, desde o bullying até os que abalam a paz mundial”, afirma.

Ana Canen acredita que colocar o filho em uma escola bilíngue é dar a ele a chance de se inserir nesse mundo multicultural. “Quando se fala em bilinguismo as pessoas logo pensam em idioma, mas trata-se de multicultura. A língua é uma das características mais marcantes das identidades culturais. O modo de falar ou de se expressar representa a identidade cultural de uma pessoa. Então, ao conhecer uma segunda língua, você aprende uma parte importante da identidade de uma pessoa ou um grupo. Quando a segunda língua é incorporada, o mesmo acontece com a cultura”, diz.

Para a professora da UFRJ, os pais precisam estar cientes de que o filho na escola bilíngue não irá aprender apenas um segundo idioma e, sim, será inserir em uma nova forma de ver o mundo. “O jovem é preparado para lidar com as diferenças. Ele vai entender que não é o dono razão e que existem outras maneiras de enxergar a realidade”, ressalta.

Prática multicultural

Na opinião de Ana, pais e professores devem sempre valorizar a cultura de origem do aluno, sem permitir comparações depreciativas entre duas línguas e culturas. Angela acrescenta que é importante mostrar à criança que o contexto cultural de um país está ligado a fatores históricos, geográficos, climáticos, religiosos etc. Uma atividade relacionada à prática multicultural poderia ser a análise, juntamente com a criança, de duas gravuras ou fotos de pessoas de diferentes países: um tropical, como o Brasil, e outro do hemisfério norte, por exemplo.

A ideia é fazer a criança entender que quem está de botas não está mais bem vestido do que aquele que está usando sandálias. “O mais bem vestido é aquele que está mais apropriado para seu clima. As temperaturas são diferentes, as roupas são diferentes e isso faz com que as pessoas também tenham um comportamento diferente - mais contidos nas roupas mais pesadas e mais extrovertido nas roupas mais descontraídas. Assim, os esquimós se vestem ‘diferente’, assim como os muçulmanos por motivos religiosos”, orienta.

E você, ajuda seu filho a compreender que as diferenças devem ser respeitadas?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caro internauta,

Os comentários aqui postados são moderados a critério do site, não sendo permitido posts com difamação, incitação à violência, preconceito e nem divulgação de links para conteúdo inapropriado.

Obrigado!