5 de set de 2011

Estudar em escola bilíngue: vale o investimento?

Quantas vezes os diretores de escolas bilíngues ouviram frases como: “Decidi matricular meu filho aqui porque não quero que ele perca tantas oportunidades como perdi na vida profissional por não dominar outro idioma”. São pais que já sentiram na pele o que é a competitividade no mercado de trabalho, em que saber falar inglês, por exemplo, é um pré-requisito e não um diferencial.

Mas há também um grupo de pais que procura as escolas bilíngues porque não querem que o filho “pegue” trauma do inglês como eles “pegaram” quando eram adolescentes. O sujeito não queria ir para o cursinho de idiomas, mas era obrigado. E ia, mas xingando até a última geração. Alguns anos depois, quando o próprio filho nasce, decide que o filho vai estudar desde pequeno em um lugar onde possa aprender inglês sem esforço.

A questão é quando esse desejo de colocar a criança para estudar nessas escolas esbarra na calculadora. A mensalidade é um pouco mais cara do que a de escolas convencionais, apesar de algumas vezes se equiparar à de algumas instituições monolíngües. Então, será que vale a pena fazer esse investimento?

Quem sai em defesa de escolas bilíngues é Ana Paula Mariutti, presidente da Organização das Escolas Bilíngues de São Paulo (OEBI). “O custo benefício é enorme porque os pais vão ver que seus filhos irão crescer expostos a outro idioma como acontece com a língua materna em casa. O processo de aquisição da língua estrangeira será semelhante ao da língua de origem. Aliás, não se aprende língua materna, ela é adquirida naturalmente”, explica.

O contato mais eficaz com o segundo idioma já é um ganho valioso, segundo Ana, mas o aumento do número de escolas bilíngues no Brasil ajuda a comprovar a vantagem. “Essa expansão é provocada pela alta demanda, já que os pais estão vendo os resultados de desempenho dos alunos ao longo dos últimos anos. Vários mitos também foram caindo por terra, como o de que a criança pode confundir os dois idiomas”, diz Ana Paula.

Materiais e professores

Entre as justificativas para o custo da mensalidade de escolas bilíngues está o investimento em materiais. Muitos livros didáticos são importados e as bibliotecas possuem vários títulos também trazidos do exterior. Os alunos ainda têm acesso a CDs, DVDs, jogos e itens decorativos – como os referentes a datas comemorativas – comprados fora do País. A bagagem dos professores também se diferencia. “A folha de pagamentos de uma escola bilíngue é alta porque, em geral, os professores investiram mais na carreira, são profissionais que custam mais caro”, explica a presidente da entidade que rege o setor em São Paulo.

Alunos do mundo

A aquisição de uma segunda língua é um grande benefício, mas não o único em uma escola bilíngue, segundo Richard Debre, diretor acadêmico da Unidade da Maple Bear, em Mogi das Cruzes. “Se você garantir a imersão do aluno no idioma e o currículo for bem montado e forte, a língua vai acontecer de maneira natural. É um benefício garantido e inevitável. Uma escola bilíngue carrega a cultura de outro país e o aluno vai ter contato com essas novas referências, além de metodologias de ensino internacionais”, argumenta.

No caso da Maple Bear, a referência é o Canadá, um dos países que mais se destacam nos índices internacionais de aprendizagem. Quando o pai coloca o filho para estudar nessa escola, por exemplo, automaticamente está “comprando” uma metodologia já testada e aprovada no Canadá.

“A metodologia canadense investe em modelagem de comportamento, por isso é comum os professores das crianças darem o exemplo, ou seja, eles não dizem que os alunos precisam escovar os dentes após o almoço, eles vão lá e escovam junto. E quando falamos de consciência ambiental, não falamos somente por um período como fazem algumas escolas, mas tratamos disso todos os dias na prática. Sempre um aluno fica responsável por apagar as luzes da sala quando a turma sai, por exemplo”, esclarece Richard.

O educador ainda destaca a aplicação dos conhecimentos trazidos de outro país para o ensino das matérias. “A metodologia para a Matemática é um diferencial no Canadá. Já no ensino infantil vamos desenvolvendo algumas habilidades na criança que vão facilitar e muito quando ela ouvir alguns conceitos lá na frente. E aí some aquele trauma muito comum de que Matemática é a chata”, conclui Richard, lembrando que bons costumes, bons valores e boa educação fazem com que a pessoa seja bem vista em qualquer lugar do mundo.

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