29 de set de 2011

Filho bilíngue não é tradutor

A fonoaudióloga Camila Celeste Pimenta tem dois filhos matriculados em escola bilíngue e não fala inglês. Às vezes, as crianças chegam empolgadas da escola contando o que aprenderam em outro idioma e ela não consegue entender. Nessas horas, é inevitável pedir a eles que traduzam o que estão dizendo.

Embora seja natural pedir ajuda a quem conhece o idioma em casos de necessidade, a psicóloga e psicanalista Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo, explica que os pais devem tomar alguns cuidados para não transformar os filhos bilíngues em tradutores no dia a dia. “Os pais precisam se questionar por que querem um filho poliglota. Se é para o desenvolvimento da criança ou para suprir uma falta do que o pai ou a mãe não tiveram”, diz.

No caso de Camila e dos filhos Gabriel (3 anos) e Gustavo (6 anos), a troca acontece de forma natural e sem nenhuma pressão para que os filhos demonstrem seu conhecimento. “Às vezes, estamos escutando uma música ou eu tenho dúvida com alguma palavra e eles me respondem sem nenhum problema. Mas eu tomo cuidado para não ser chata”, diz.

E a vontade da criança?

Araceli conta que, segundo a psicanálise, a formação da personalidade da criança ocorre até os oito anos de idade e qualquer violência moral ou ética antes dessa idade é muito significativa. Ou seja, ficar perguntando a todo o momento o significado das coisas, sem respeitar a vontade do pequeno em se expressar, pode ser prejudicial.

“Se a criança se sentir exposta ou envergonhada diante de alguma situação, ela entra num processo de recalcamento para eliminar da consciência e evitar sofrimento. Mas, as emoções não se reprimem, elas voltarão de forma diferente em outra fase da vida. Ela pode responder para agradar, mas não vai externar suas emoções na hora”, diz.

A psicanalista explica que a criança também pode ter uma reação a essa situação de constrangimento e criar aversão pelo segundo idioma, ter dificuldade de aprendizado ou não querer falar a língua por sentir-se envergonhada. Depois dos oito anos, a criança já adquiriu a linguagem e pode se posicionar e defender sua vontade.

Pedir que os filhos traduzam coisas o tempo todo também pode gerar um complexo de superioridade ou de inferioridade, caso a criança não saiba responder. “Ambos em excesso são prejudiciais, porque a realidade não está em nenhum dos dois lados”, diz Araceli.

Respeito antes de tudo

Camila diz que os dois filhos gostam de estudar na escola bilíngue e do segundo idioma. No entanto, Gustavo, o mais velho, é mais tímido e não gosta de fazer nada forçado, enquanto Gabriel é super falante. “Respeito o jeito de cada um”, diz.

Na opinião da especialista, esse é o melhor conselho. “A relação entre pais e filhos tem que ser respeitosa e ter limites, pois eles amparam a criança. É necessário equilíbrio entre a aprendizagem e o emocional, para que a criança sinta satisfação no conhecimento adquirido e não obrigatoriedade”, finaliza.

Um comentário:

  1. Obrigada pelo post. Com certeza de grande ajuda para que eu não caia neste erro. Hoje foi o primeiro dia de aula da minha Nina (1 ano e 8 meses) na Maple Bear Fortaleza. Estou muito feliz de poder proporcionar a ela um ensino bilingue.

    ResponderExcluir

Caro internauta,

Os comentários aqui postados são moderados a critério do site, não sendo permitido posts com difamação, incitação à violência, preconceito e nem divulgação de links para conteúdo inapropriado.

Obrigado!