26 de set de 2011

O papel do teacher na educação infantil bilíngue

Outro dia uma pesquisadora em bilinguismo e mãe de filhos bilíngues afirmou aqui no blog que crianças que falam duas línguas são espertas duas vezes. Isso quer dizer que os professores que ensinam esses alunos precisam ser espertos em dobro também?

Para matar a curiosidade, ouvimos duas profissionais do meio. Viviane Klen Alves tem trabalho premiado em planejamento na educação bilíngue e diversas pesquisas na área. Além disso, é membro do Bilingualism Special Interest Group e pesquisadora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL) da PUC-SP. Já Martha Gattarosa tem mestrado em Linguística pela Universidade de Westminster, na Inglaterra, é professora de inglês e desenvolve materiais didáticos em língua inglesa.

Carta na manga

Para Viviane, é primordial que o professor de escola bilíngue esteja atento aos fatos do cotidiano que despertam o interesse das crianças. Ela acredita que o professor precisa ter diversas habilidades para contextualizar o conteúdo planejado para a sala de aula. “E, mesmo assim, nem tudo dá certo. Às vezes o assunto pode não prender a atenção das crianças e, nesse caso, é preciso repensar, mantendo o foco no objetivo do planejamento, mas alterando-o conforme as necessidades. Por exemplo, se o objetivo é apresentar às crianças os animais marinhos, pode-se ler um livro, falar sobre o tema, mas também levá-los para assistir a um filme ou visitar um aquário”, explica.

Ela destaca ainda que é “desejável que o professor tenha sempre uma ‘carta na manga’, fruto da bagagem que carrega”. O uso desse repertório seria o diferencial para propiciar aulas mais interessantes, inclusive quando algo dá errado. “Na cooking class (aula de culinária), por exemplo, se o planejado é fazer um bolo, mas as crianças esqueceram o leite condensado, há algo que o substitui? Se o professor é versátil, pode providenciar leite e açúcar”, diz.

Motivação

Cooking class, aliás, é citado por Martha como uma das atividades que motivam os alunos a aprender. “Aulas temáticas como a de culinária, peças teatrais e projetos envolvem os estudantes e dão oportunidade para que usem seu conhecimento e dividam tarefas. Ao mesmo tempo, esse tipo de atividade permite que a turma vivencie a segunda língua de maneira compreensível e significativa”, analisa.

Motivação é o que move a aprendizagem de qualquer idioma, reforça Martha. Por isso, a sala de aula deve ser um lugar vivo e com atrativo visual (cartazes, desenhos, projetos, cantinho da leitura, etc.) muito bem explorado pelo professor. Ela acredita que o educador experiente e sensível sabe que em muitas situações os alunos entendem mais o lúdico do que a regra em si. “A compreensão vem por meio dos sensos auditivo e visual, por isso, a variedade de atividades escritas, orais, a interação por meio de jogos, teatro ou fantoche devem decorrer de uma maneira divertida. Depende do professor observar e avaliar os alunos e suas habilidades e, a partir daí, explorar as várias possibilidades de tarefas”.

Da mesma forma que o professor pode utilizar diferentes recursos para ensinar, ele pode deixar as crianças também fazerem isso, completa Viviane. Dessa forma eles produzem significados compartilhados daquilo que estão aprendendo. “Outro dia, em uma sala onde só se fala em inglês, a professora aguardou que um dos alunos fizesse a explicação, em português, para um amigo que não havia compreendido, ou seja, ela soube entender a situação em vez de impor a língua que deveria ser falada, o que contribuiu para que eles aprendessem o conceito”, exemplifica.

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