27 de out de 2011

Mães contam experiência de criar filhos bilíngues

As pesquisas que comprovam os benefícios do bilinguismo vêm se multiplicando, mas nada melhor do que complementar essas informações com depoimentos de mães de filhos bilíngues. Aqui, elas contam como tem sido o desenvolvimento de suas crianças nesse universo da duplicidade linguística e cultural. Os depoimentos jogam luz sobre algumas das preocupações que costumam rondar quem ainda não está seguro sobre as conseqüências de expor o filho, ainda pequeno, a um segundo idioma.

Em outros posts vamos relatar experiências variadas. Agora, mostraremos a realidade de famílias bilíngues que vivem nos Estados Unidos e se esforçam para manter a cultura brasileira viva, ainda que à distância.

Mãe vigilante
Até os três anos de idade os gêmeos só falavam português, a língua da mãe. Foram eles, nessa época, que acabaram ensinando o idioma falado no Brasil ao pai, que é inglês. Bastaram três meses na escola, nos Estados Unidos, para que as crianças dominassem o inglês. A partir daí começaram, como conta a mãe, a ficar com preguiça de falar português. Mas ela não deu trégua. Se já fazia de tudo para garantir a fluência dos filhos nas duas línguas, se esforçou ainda mais.

Maria Helena Moreira-Dunne, coordenadora do grupo Mães Brasileiras de New Jersey (MBNJ), que reúne 50 famílias de brasileiros, acredita que o bilinguismo só traz benefícios, tanto nas pesquisas científicas, quanto na vida pessoal. “Há estudos mostrando que o cérebro de quem é bilíngue se desenvolve de outra maneira. Pessoas assim têm mais facilidade para executar tarefas simultâneas, por exemplo. Além disso, o domínio de outra língua abre portas no mercado de trabalho”, argumenta. Ela, que tem outro filho mais novo, garante que o espanhol – idioma estrangeiro mais falado nos Estados Unidos – é o próximo na lista da meninada.

De bilíngue a trilíngue
O aprendizado de uma terceira língua na infância já vem acontecendo em outra família que mora nos Estados Unidos. Gabriel, de 8 anos, e Lucas, de 4 anos, são fluentes em inglês e português - línguas paterna e materna, respectivamente.

E o filho mais velho já surpreende. “Ele está aprendendo espanhol na escola com uma facilidade impressionante. Até os colegas ficam surpresos com a velocidade com que ele resolve as questões”, orgulha-se a mãe, Ana Lúcia Cury Lico, co-fundadora e diretora executiva da Associação Brasileira de Cultura e Educação (ABRACE), nos Estados Unidos, e co-fundadora do grupo Mães Brasileiras da Virginia (MBV), também nos EUA. “Meu filho recebe elogios e isso reforça a autoestima dele, aumenta a motivação. Ele se sente bem por notar que saber português o ajudou a aprender espanhol”, explica.
Língua preferida

Ana Lúcia defende o bilinguismo por uma série de motivos, entre eles, o fato de aumentar o entendimento entre povos de culturas diferentes e gerar benefícios biológicos, como a redução do risco de Alzheimer, já verificada pela Ciência. “Além de ajudar a ampliar a visão de mundo e de cidadania, ainda faz bem à saúde mental”, diz.

Ela ressalta a preocupação recorrente de alguns pais de que o filho pode preferir uma determinada língua e desprezar a outra. “É normal um idioma predominar em algum período, mas isso não quer dizer que a criança fez uma escolha. Quando levo meus filhos de férias para o Brasil, por exemplo, eles falam 70% do tempo em português e 30% em inglês. Quando voltamos para os Estados Unidos o percentual se inverte a favor do inglês. Mas sei que fica tudo guardado na memória deles, é só ter paciência e respeitar essas ‘ondas’”, adverte.

Idioma vivo
Tanto Ana quanto Maria Helena criam uma série de situações para manter a língua portuguesa presente no dia a dia dos filhos. Levar as crianças para brincar com outras que também têm origem brasileira fica no topo da agenda.
“Se saio de perto deles enquanto estão brincando, logo começam a falar inglês. Mas dou um jeito de fazer com que eles voltem a falar o português. Acho importante meus filhos associarem essa língua não só comigo, mas com atividades prazerosas. Para isso fazemos até festa de Natal com Papai Noel falando em português”, conta Maria Helena.
Para ela é fundamental manter o idioma e a cultura do Brasil vivos. “Essa deveria ser a conduta de pais que moram no Brasil e que têm filhos aprendendo uma segunda língua. Se for inglês o segundo idioma, acho importante que a família tente falar algumas horas por dia com a criança nessa língua.”

Ana concorda. Ela acredita que alguns pais acham que basta deixar a criança na escola e ela irá aprender tudo sozinha. “A mãe não precisa saber inglês fluente para que o filho que está na escola bilíngue se saia bem, mas com certeza será melhor se em casa ela puder estimular esse aprendizado, trocando conhecimentos sobre a língua de forma lúdica. Ela pode contar histórias do tipo ‘sabia que naquele país as crianças almoçam de um jeito diferente do nosso?’, ou então colocar músicas em casa no segundo idioma”, ensina.

24 de out de 2011

Brincando de aprender

Os métodos de aprendizagem já não são mais os mesmos de antigamente. Foi-se o tempo em que aprender significava manter as crianças trancadas em uma sala de aula durante um determinado número de horas. E ficou para trás, também, aquela história de que existe um horário certo para brincar e outro para aprender.

“As crianças aprendem muito enquanto brincam e se divertem”, afirma Lorena Galvão Werkhäuser, professora de educação física em Brasília. Ela explica que atividades físicas fazem com que seja despertado nas crianças o gosto por esportes e que o bem-estar que isso gera pode ser revertido em mais disposição para aprender. “Durante a prática de exercícios, é possível trabalhar a autoestima, a coragem e a ideia de que é possível superar desafios”, complementa Lorena.

Complemento ao bilinguismo
A professora explica que trabalhar a autoestima das crianças faz com que elas se sintam mais confiantes e, com isso, tenham mais facilidade para aprender. “O desafio é parte do estímulo do aprendizado, inclusive com relação a outro idioma”, diz Lorena. Ela ensina que, para que este complemento aconteça de forma natural e divertida, o conteúdo deve ser apresentados às crianças por meio de esportes como o golf, bowling, baseball ou hockey, que usam terminologias e regras na língua inglesa. “Ao usarmos conceitos como fast/slow, stop/go, up/down, estamos reforçando o aprendizado da segunda língua”, comenta.

Lorena diz que as atividades físicas permitem, além de reforçar aquilo que já foi ensinado, trabalhar a questão do autoconhecimento e a relação da criança com os colegas. “A prática de atividades esportivas mostra para a criança que, mesmo que ela esteja com alguma dificuldade em entender algo que está sendo ensinado, como alguma palavra nova que é apresentada ao seu vocabulário, ela pode pedir ajuda, porque isso é normal”, complementa.

A coordenadora pedagógica Ana Filipa Ferreira Castanhinha, do Rio de Janeiro, analisa que é possível complementar o ensino do segundo idioma quando se reforça, de forma lúdica, aprendizados anteriores. Ela diz também que, ao serem expostas a novas descobertas, as crianças vão ficando cada vez mais curiosas e confiantes. “Desta forma, podemos simplesmente aproveitar o interesse maior da criança para ajudá-la a encontrar a sua direção”, diz Ana.

Em casa
Lorena afirma que os pais podem complementar o aprendizado de seus filhos em casa, sem que, necessariamente, haja a necessidade de estrutura ou equipamentos específicos. “Dá para fazer isso com os brinquedos que o filho tem em casa”, diz a professora, que aponta que o ideal é que os pais entrem no mundo da criança para conhecê-la melhor e trabalhar sua criatividade e percepção.

“Os pais precisam conversar com os filhos, porque isso estimula a linguagem e aumenta seu vocabulário. Pode até aproveitar a brincadeira para conversar em outro idioma”, fala Lorena, que reforça que não é preciso despender muito tempo para isso. “Qualquer 15 minutos que sejam dedicados ao filho, já valem. Mas tem que ser 15 minutos de total atenção. Não vale dizer que vai brincar e ficar lendo o jornal”, aconselha.

20 de out de 2011

Dislexia não impede aprendizado de segundo idioma

A dislexia é um transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração. O distúrbio é de grande incidência nas salas de aula. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 5% e 17% da população mundial é disléxica.

Crianças com dislexia certamente terão dificuldades com linguagem e escrita, mas isso não quer dizer que elas não aprenderão a ler e escrever ou até mesmo aprender um segundo idioma. “A dislexia é genética, hereditária e não tem cura. Ela vai aprender, mas terá que se esforçar mais”, conta Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga e psicopedagoga da ABD.

Segundo ela, os problemas que giram em torno da dislexia, dificultam o aprendizado de uma segunda língua. “Nossa língua portuguesa tem uma conexão lógica para nós. Já a fonética do inglês é muito diferente. A letra ‘a’, por exemplo, lê-se ‘êi’”, explica. “Se a criança já tem dificuldades com a língua mãe, para aprender o segundo idioma, a dificuldade será maior ainda”.

Segundo dados da ABD, alguns dos sintomas de dislexia são: dispersão, fraco desenvolvimento da atenção, atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem, dificuldade em aprender rimas e canções, fraco desenvolvimento da coordenação motora, dificuldade com quebra cabeça e falta de interesse por livros impressos. Porém, o fato de o aluno apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ele seja disléxico, pois há outros fatores a serem observados na avaliação.

Caso seja diagnosticado o distúrbio, as atividades escolares do disléxico deverão ser acompanhadas de perto. “O aluno com dislexia precisa de mais atenção e acompanhamento especial esporádico, com diferentes explicações da matéria. Até na hora de avaliar e dar notas temos que usar o bom senso e considerar o distúrbio, sem deixar de lado, obviamente, o conteúdo que precisa ser absorvido”, conta Rosana.

Aprendendo inglês
Maria Ângela conta que muitos dos que sofrem de dislexia não querem nem ao menos tentar aprender um segundo idioma por saberem que terão muita dificuldade. “Nesse caso, é preciso estimular o aprendizado utilizando argumentos de seu dia a dia, falando que brincar de vídeo game, por exemplo, vai ficar mais fácil – já que o aparelho apresenta muitas funções em inglês”, diz.

De acordo a especialista, o distúrbio dificulta, mas não impossibilita o aprendizado. “Um adolescente disléxico que tenha a oportunidade de viajar ao exterior, morar fora e ter a experiência de imersão no segundo idioma, certamente aprenderá a falar e entender perfeitamente. Porém, na maioria dos casos, a pessoa vai ter sempre dificuldade de escrever”, afirma.

Apesar das dificuldades, a psicopedagoga diz que os pais não devem tirar o filho da escola bilíngue. A criança deve ficar exposta ao idioma para se acostumar com ele. “Sou a favor de que a ela seja exposta à língua desde pequenininha, inclusive. Quando pequenos, adquirimos todos os sons aos quais temos contato e vamos esquecendo, ficando apenas com a língua mãe. Se crescemos em uma educação bilíngue, esse processo é menos sofrido e mais fácil do que se começar a aprender o idioma mais tarde”, ressalta. O processo de aprendizado também pode ser facilitado se o disléxico estudar em uma escola com menos alunos. Mas é importante salientar que o disléxico tem capacidade de estudar em escolas tradicionais. Apenas terá que se esforçar um pouco mais que os colegas.

Na hora de ensinar
O professor tem uma importante função no desenvolvimento da criança disléxica. A pedagoga Rosana Alfonso diz que hoje existe muita informação sobre o distúrbio e que o professor deve ficar atento aos seus alunos. “A dislexia pode ser percebida já na época da alfabetização. Nós, professores, precisamos prestar atenção aos sintomas e, se for necessário, encaminhar o aluno à avaliação”, afirma.

Quem sofre de dislexia tem potencial para aprender como outra qualquer. O que muda é o processo. E, para isso, ela vai precisar do apoio e suporte daqueles em quem mais confia. O acolhimento de professores e dos pais é de extrema importância para que o estudante não desista e para que o aprendizado não tenha consequências emocionais. “O professor deve saber lidar com o aluno, os pais devem estimulá-la em casa, para que se sinta seguro e goste mais de aprender e a criança tem que se esforçar. Não tem jeito, esse triângulo é fundamental”, diz Maria Ângela.

17 de out de 2011

Vantagens para crianças bilíngues

Na última semana, o jornal Bom Dia Paraíba realizou uma interessante entrevista com uma educadora e coordenadora de uma escola bilíngue sobre as vantagens de se aprender um segundo idioma ainda na infância, quando os pequenos estão mais aptos a adquirir novos conhecimentos.

Como saber falar outra língua é praticamente uma exigência do mercado de trabalho, os pais têm incentivado seus filhos a começar o quanto antes o estudo de outro idioma. E os benefícios são inúmeros.

Veja a entrevista completa neste link.

Audição bilíngue

Esta semana, o jornal The New York Times, um dos mais influentes do mundo, publicou uma matéria sobre como as crianças expostas a dois idiomas ainda na infância os separam e transitam entre eles com mais facilidade do que os adultos.

Antigamente, especialistas no assunto acreditavam que estas crianças poderiam sofrer uma confusão de linguagem, o que atrasaria o desenvolvimento da fala. Hoje, porém, sabendo-se que isso não passa de uma preocupação descabida, os pais aproveitam a aptidão dos filhos para aprendizagem de outro idioma, incentivando-os a começar o quanto antes.

Como a ciência que estuda o bilinguismo ainda é relativamente nova, muitos pesquisadores começam a expor as diferenças existentes nos cérebros de crianças que aprendem dois idiomas e aquelas que vivem em contato com apenas uma. E os estudos têm ajudado não apenas a explicar como o cérebro infantil ouve a segunda língua, mas como essa audição ajuda a moldar o cérebro desde cedo.

Recentemente, alguns pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, compararam as respostas do cérebro de crianças monolíngues às daquelas que aprendem dois idiomas ainda na infância. Os pesquisadores descobriram que, com seis meses de idade, os bebês monolíngues conseguiam discriminar sons fonéticos, tanto na língua que eles estavam acostumados a ouvir, quanto na de outra não falada em casa. Contudo, dos 10 aos 12 meses de idade, esses mesmos bebês não conseguiam detectar sons na segunda língua – apenas naquela em que estavam acostumados a ouvir.

Em contraste, bebês bilíngues seguiram uma trajetória de desenvolvimento diferente. Dos seis aos nove meses, eles não detectavam diferenças fonéticas em nenhuma língua, mas quando eles ficaram mais velhos (10-12 meses), eles eram capaz de discriminar sons em ambos os idiomas.

“O estudo demonstrou que a variabilidade de experiências de bebês bilíngues os mantêm abertos ao aprendizado”, diz a doutora Patricia Kuhl, vice-diretora do Instituto de Aprendizado e Ciências do Cérebro da Universidade de Washington e uma das autoras do estudo. “As crianças bilíngues não apresentam um estreitamento de percepções de aprendizado, como as monolíngues o fazem. Isso é mais uma evidência que prova que as experiências linguísticas moldam o cérebro dos bebês”, comenta.

Para ler a matéria completa em inglês, acesse o link.

13 de out de 2011

O cérebro tem espaço para guardar diferentes línguas

É normal que crianças bilíngues, ao aprender duas línguas praticamente ao mesmo tempo, de vez em quando troquem palavras ou frases do outro idioma para se comunicar. Por conta disso, existe a preocupação de que essa característica reflita a sensação da criança de estar perdendo a primeira língua. Mas, felizmente, essa é uma preocupação de gente grande, porque, no cérebro da criança, esse processo acontece de maneira muito simples.

“Quando a criança, no meio de frases em português, solta uma palavra em inglês, por exemplo, não é uma confusão, mas um fenômeno típico de pessoas que fazem uso regular de duas línguas e acabam tendo a facilidade de navegar pelos dois idiomas. É o que chamamos de Code Switching”, explica Andressa Lutiano, pedagoga pós-graduada em didáticas do ensino bilíngue.

Ela garante que a criança não vê o aprendizado do segundo idioma como uma dificuldade, mas sim apenas um jeito a mais de se comunicar. “A criança, principalmente se começa cedo a aprender outra língua, não sente que está estudando. Nesse contexto, as coisas acontecem em inglês e o conhecimento vai sendo adquirindo de uma forma muito tranquila. Além disso, o aprendizado da segunda língua não exclui a primeira”, afirma.

Pela neuroliguística também não há a sensação de perda do primeiro idioma. O instrutor da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística (SBPNL), Alexandre Bortoletto, conta que o armazenamento dos idiomas acontece em um mesmo local no cérebro, responsável pela linguagem, e que lá não há limites de aprendizagem de diferentes línguas, principalmente em se tratando de crianças.

“Até os sete anos de idade, o cérebro é uma esponja que absorve quase tudo do meio em que vive. O mesmo acontece em relação a línguas. Temos uma parte frontal no cérebro que está ligada ao aprendizado por meio das emoções. As partes laterais são responsáveis pelo aprendizado auditivo e na nuca, parte de trás do cérebro, fica o aprendizado pela imagem. Usamos o cérebro inteiro para aprender tanto o primeiro quanto o segundo idioma e todos eles cabem lá”, afirma.

Segundo Andressa, a criança que aprende duas línguas não vai perder uma delas, vai apenas associar que existem duas línguas diferentes, uma que se fala em casa e outra que se fala na escola, no caso de crianças que estudam em escolas bilíngues. “Ela vai visitar seus parentes e vai perceber que sua avó, por exemplo, não entende quando ela fala o idioma que aprende na escola. Então ela vai ter na cabeça dela que com a avó deve falar português e não inglês. É um processo muito simples”, conta.

A sensação de perda da primeira língua até pode ser sentida, mas, na maioria dos casos, esse processo acontece com imigrantes. “Quando se muda de país, muda-se também o contexto em que a criança vive, inclusive o idioma. Já a criança brasileira, que tem família brasileira e que passa por uma imersão em inglês na escola bilíngue, não tem a sensação de perder a primeira língua, porque continua com o português em casa e em situações do cotidiano, como assistir à televisão”, explica Andressa.

Aprender uma língua nova não significa negar a antiga. Andressa afirma que a criança passa a adquirir uma nova habilidade de acordo com valores ou crenças ofertados a ela. Se ela estuda em uma escola bilíngue, por exemplo, o ambiente provavelmente proporcionará valores e cultura referentes ao segundo idioma. “Essa apreciação facilita o aprendizado da criança, mas ela não vai deixar de ter valores nacionais em casa. Então, quando a cultura do dia a dia da criança também é bi, a estima pelo bilinguismo aumenta e é facilitada”, explica.

10 de out de 2011

Conhecimento que vem da música

A criança que canta não somente espanta seus males, como também possibilita que qualquer tipo de aprendizado seja absorvido com mais intensidade – inclusive as lições passadas em outro idioma. Isso é o que defende a carioca Eloisa Lima, Mestre em Neurolinguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. “A música tem vantagem sobre qualquer aprendizado. É relaxante, coloca a turma em harmonia na língua estrangeira e promove a pronúncia de palavras em um contexto diferente daquele encontrado nas aulas do dia a dia”, aponta.

Eloisa diz que uma das principais vantagens da música como complemento ao aprendizado é que ela propicia o relaxamento e descanso da área no cérebro ligada à linguagem, ao mesmo tempo em que há um reforço do aprendizado da língua. “Além disso, enquanto cantam, as crianças saem do uso repetitivo da língua materna e isso é muito bom, considerando que falar português não é o objetivo de uma escola bilíngue”, avalia.

Para todos

A especialista afirma que música é uma das atividades mais recomendadas em qualquer nível e grau de proficiência na língua estrangeira. “Todas as crianças amam cantar. É uma atividade extremamente positiva, se for bem aproveitada, pois ela contagia e traz harmonia para o ambiente. Música is the best”, comenta.

O músico e professor Fábio Marcello Zanella, de São Paulo, considera que a música não apenas facilita a memorização de palavras, como também torna mais fácil e divertida a fixação do que está sendo ensinado. “Além disso, a música está ligada ao prazer, uma emoção que facilita todo e qualquer aprendizado”, garante.

Zanella considera que é importante que os professores não apenas gostem do que estão fazendo, mas também saibam que estilo de música seus alunos têm prazer em ouvir e cantar. Ele destaca que esse cuidado é importante para poder escolher bem as canções que vão complementar o aprendizado. “O tempero principal de qualquer aprendizado é o interesse”, fala.

Em família

A participação dos pais é essencial não só na aprendizagem musical, mas em todo processo educativo dos filhos, segundo Eloisa. “Percebemos que quando os pais participam mais ativamente da vida escolar de seus filhos, as crianças aprendem felizes”, diz a especialista.

Ela salienta que a participação em questão não é somente em forma de cobrança, mas também demonstrando interesse, aprendendo com eles e compartilhando suas experiências. “Os pais precisam cantar com seus filhos e se interessar pelas letras das músicas”, avalia.

A especialista afirma que é importante que os pais proporcionem alguma atividade nesse sentido, mesmo que não falem inglês. “Nessas horas, vale tudo: até mesmo cantar na pronúncia errada ou fazer nãnãnã”, diz.

6 de out de 2011

Bilinguismo não atrasa a fala da criança

Uma das principais preocupações de pais que pensam em colocar os filhos ainda pequenos em escolas bilíngues é saber se haverá atraso na fala da criança durante o aprendizado de duas línguas. Se essa também é sua preocupação, pode ficar tranquilo. Conversamos com especialistas no assunto e descobrimos que isso não é verdade.

Até um ano de idade, a maioria das crianças ainda tenta se comunicar em casa com o básico bê-á-bá. E os pais parecem entender todas as solicitações. Porém, quando as palavras mal pronunciadas não fazem efeito, muitos pequenos apelam para o choro e são atendidos. E isso pode atrapalhar no desenvolvimento da fala da criança – e não o ensino bilíngue, como muitos pensam.

Por mais doloroso que possa ser para os pais mais corujas, o melhor é deixar a criança tentar falar até conseguir. “Se os pais fazem tudo o que a criança quer quando ela chora, por exemplo, ela entende que sempre será atendida desta maneira e não desenvolve a fala para pedir o que precisa”, explica a fonoaudióloga Fernanda Teixeira Menezes, especialista e mestre pela Universidade Federal de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. Ou seja, além de superproteger a criança, os pais desestimulam o desenvolvimento da linguagem

Tempo certo

De acordo com a fonoaudióloga, com um ano e meio de idade a criança já deve ser capaz de repetir até 20 palavras e, aos dois anos, já deve repetir 200 palavras e ser capaz de formar frases. Se essa não for a realidade do pequeno na língua materna, no segundo idioma a perspectiva fica ainda mais longe do ideal.

Para Fernanda, se a criança não apresentar nenhuma dificuldade na língua materna, não haverá nenhuma outra no aprendizado do segundo idioma. “O ponto chave é que a linguagem da criança deve ser estimulada e desenvolvida no momento adequado. Quanto antes a criança aprender dois idiomas, melhor será o aproveitamento”, ressalta.

Segundo a especialista, quando a criança está mais inserida em outra língua, ela aprende todos os sons e fonéticas do idioma, desenvolvendo as duas línguas ao mesmo tempo. “As chances de ela ser fluente nos dois idiomas mais cedo são muito maiores”, completa.

Mais estímulos

O bilinguismo, portanto, não atrasa a fala dos pequenos, mas ajuda a estimulá-la. De acordo com Roberto Godoy, neurologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, na educação bilíngue os horizontes intelectuais, como a fala, são ampliados, favorecendo o raciocínio.

Além disso, confundir um idioma com o outro no início é normal e faz parte do processo de aprendizagem. “Muitos terão mais facilidade com a estrutura de uma língua do que com a da outra, assim como temos maior ou menor dificuldade para matemática ou ciências humanas”, explica Godoy.

Para evitar que confusões atrapalhem no desenvolvimento da criança, é importante que ela pratique as duas línguas com a mesma frequência. De acordo com Godoy, quando a criança não pratica o segundo idioma, ela pode inclusive perder a fluência naquela língua. “A teoria do desuso é bastante aceita entre os estudiosos do assunto. Nossas memórias, quando não utilizadas, tendem a esvair-se com o tempo”, conclui.