17 de out de 2011

Audição bilíngue

Esta semana, o jornal The New York Times, um dos mais influentes do mundo, publicou uma matéria sobre como as crianças expostas a dois idiomas ainda na infância os separam e transitam entre eles com mais facilidade do que os adultos.

Antigamente, especialistas no assunto acreditavam que estas crianças poderiam sofrer uma confusão de linguagem, o que atrasaria o desenvolvimento da fala. Hoje, porém, sabendo-se que isso não passa de uma preocupação descabida, os pais aproveitam a aptidão dos filhos para aprendizagem de outro idioma, incentivando-os a começar o quanto antes.

Como a ciência que estuda o bilinguismo ainda é relativamente nova, muitos pesquisadores começam a expor as diferenças existentes nos cérebros de crianças que aprendem dois idiomas e aquelas que vivem em contato com apenas uma. E os estudos têm ajudado não apenas a explicar como o cérebro infantil ouve a segunda língua, mas como essa audição ajuda a moldar o cérebro desde cedo.

Recentemente, alguns pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, compararam as respostas do cérebro de crianças monolíngues às daquelas que aprendem dois idiomas ainda na infância. Os pesquisadores descobriram que, com seis meses de idade, os bebês monolíngues conseguiam discriminar sons fonéticos, tanto na língua que eles estavam acostumados a ouvir, quanto na de outra não falada em casa. Contudo, dos 10 aos 12 meses de idade, esses mesmos bebês não conseguiam detectar sons na segunda língua – apenas naquela em que estavam acostumados a ouvir.

Em contraste, bebês bilíngues seguiram uma trajetória de desenvolvimento diferente. Dos seis aos nove meses, eles não detectavam diferenças fonéticas em nenhuma língua, mas quando eles ficaram mais velhos (10-12 meses), eles eram capaz de discriminar sons em ambos os idiomas.

“O estudo demonstrou que a variabilidade de experiências de bebês bilíngues os mantêm abertos ao aprendizado”, diz a doutora Patricia Kuhl, vice-diretora do Instituto de Aprendizado e Ciências do Cérebro da Universidade de Washington e uma das autoras do estudo. “As crianças bilíngues não apresentam um estreitamento de percepções de aprendizado, como as monolíngues o fazem. Isso é mais uma evidência que prova que as experiências linguísticas moldam o cérebro dos bebês”, comenta.

Para ler a matéria completa em inglês, acesse o link.

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