6 de out de 2011

Bilinguismo não atrasa a fala da criança

Uma das principais preocupações de pais que pensam em colocar os filhos ainda pequenos em escolas bilíngues é saber se haverá atraso na fala da criança durante o aprendizado de duas línguas. Se essa também é sua preocupação, pode ficar tranquilo. Conversamos com especialistas no assunto e descobrimos que isso não é verdade.

Até um ano de idade, a maioria das crianças ainda tenta se comunicar em casa com o básico bê-á-bá. E os pais parecem entender todas as solicitações. Porém, quando as palavras mal pronunciadas não fazem efeito, muitos pequenos apelam para o choro e são atendidos. E isso pode atrapalhar no desenvolvimento da fala da criança – e não o ensino bilíngue, como muitos pensam.

Por mais doloroso que possa ser para os pais mais corujas, o melhor é deixar a criança tentar falar até conseguir. “Se os pais fazem tudo o que a criança quer quando ela chora, por exemplo, ela entende que sempre será atendida desta maneira e não desenvolve a fala para pedir o que precisa”, explica a fonoaudióloga Fernanda Teixeira Menezes, especialista e mestre pela Universidade Federal de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. Ou seja, além de superproteger a criança, os pais desestimulam o desenvolvimento da linguagem

Tempo certo

De acordo com a fonoaudióloga, com um ano e meio de idade a criança já deve ser capaz de repetir até 20 palavras e, aos dois anos, já deve repetir 200 palavras e ser capaz de formar frases. Se essa não for a realidade do pequeno na língua materna, no segundo idioma a perspectiva fica ainda mais longe do ideal.

Para Fernanda, se a criança não apresentar nenhuma dificuldade na língua materna, não haverá nenhuma outra no aprendizado do segundo idioma. “O ponto chave é que a linguagem da criança deve ser estimulada e desenvolvida no momento adequado. Quanto antes a criança aprender dois idiomas, melhor será o aproveitamento”, ressalta.

Segundo a especialista, quando a criança está mais inserida em outra língua, ela aprende todos os sons e fonéticas do idioma, desenvolvendo as duas línguas ao mesmo tempo. “As chances de ela ser fluente nos dois idiomas mais cedo são muito maiores”, completa.

Mais estímulos

O bilinguismo, portanto, não atrasa a fala dos pequenos, mas ajuda a estimulá-la. De acordo com Roberto Godoy, neurologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, na educação bilíngue os horizontes intelectuais, como a fala, são ampliados, favorecendo o raciocínio.

Além disso, confundir um idioma com o outro no início é normal e faz parte do processo de aprendizagem. “Muitos terão mais facilidade com a estrutura de uma língua do que com a da outra, assim como temos maior ou menor dificuldade para matemática ou ciências humanas”, explica Godoy.

Para evitar que confusões atrapalhem no desenvolvimento da criança, é importante que ela pratique as duas línguas com a mesma frequência. De acordo com Godoy, quando a criança não pratica o segundo idioma, ela pode inclusive perder a fluência naquela língua. “A teoria do desuso é bastante aceita entre os estudiosos do assunto. Nossas memórias, quando não utilizadas, tendem a esvair-se com o tempo”, conclui.

Um comentário:

  1. Muito interessante e importante abordar este tema. Meu filho é bilingue e percebo que a maioria das pessoas ainda acredita que o aprendizado da segunda língua atrapalha a fala. Parabéns pela escolha do tema e aos profissionais que se expressaram muito bem à respeito. Sou consultora em aquisição da segunda língua e meu filho aprende Português e Inglês desde quando estava na minha barriga ! lilian_rodrigues_santos@yahoo.com.br Florianópolis - SC

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