24 de out de 2011

Brincando de aprender

Os métodos de aprendizagem já não são mais os mesmos de antigamente. Foi-se o tempo em que aprender significava manter as crianças trancadas em uma sala de aula durante um determinado número de horas. E ficou para trás, também, aquela história de que existe um horário certo para brincar e outro para aprender.

“As crianças aprendem muito enquanto brincam e se divertem”, afirma Lorena Galvão Werkhäuser, professora de educação física em Brasília. Ela explica que atividades físicas fazem com que seja despertado nas crianças o gosto por esportes e que o bem-estar que isso gera pode ser revertido em mais disposição para aprender. “Durante a prática de exercícios, é possível trabalhar a autoestima, a coragem e a ideia de que é possível superar desafios”, complementa Lorena.

Complemento ao bilinguismo
A professora explica que trabalhar a autoestima das crianças faz com que elas se sintam mais confiantes e, com isso, tenham mais facilidade para aprender. “O desafio é parte do estímulo do aprendizado, inclusive com relação a outro idioma”, diz Lorena. Ela ensina que, para que este complemento aconteça de forma natural e divertida, o conteúdo deve ser apresentados às crianças por meio de esportes como o golf, bowling, baseball ou hockey, que usam terminologias e regras na língua inglesa. “Ao usarmos conceitos como fast/slow, stop/go, up/down, estamos reforçando o aprendizado da segunda língua”, comenta.

Lorena diz que as atividades físicas permitem, além de reforçar aquilo que já foi ensinado, trabalhar a questão do autoconhecimento e a relação da criança com os colegas. “A prática de atividades esportivas mostra para a criança que, mesmo que ela esteja com alguma dificuldade em entender algo que está sendo ensinado, como alguma palavra nova que é apresentada ao seu vocabulário, ela pode pedir ajuda, porque isso é normal”, complementa.

A coordenadora pedagógica Ana Filipa Ferreira Castanhinha, do Rio de Janeiro, analisa que é possível complementar o ensino do segundo idioma quando se reforça, de forma lúdica, aprendizados anteriores. Ela diz também que, ao serem expostas a novas descobertas, as crianças vão ficando cada vez mais curiosas e confiantes. “Desta forma, podemos simplesmente aproveitar o interesse maior da criança para ajudá-la a encontrar a sua direção”, diz Ana.

Em casa
Lorena afirma que os pais podem complementar o aprendizado de seus filhos em casa, sem que, necessariamente, haja a necessidade de estrutura ou equipamentos específicos. “Dá para fazer isso com os brinquedos que o filho tem em casa”, diz a professora, que aponta que o ideal é que os pais entrem no mundo da criança para conhecê-la melhor e trabalhar sua criatividade e percepção.

“Os pais precisam conversar com os filhos, porque isso estimula a linguagem e aumenta seu vocabulário. Pode até aproveitar a brincadeira para conversar em outro idioma”, fala Lorena, que reforça que não é preciso despender muito tempo para isso. “Qualquer 15 minutos que sejam dedicados ao filho, já valem. Mas tem que ser 15 minutos de total atenção. Não vale dizer que vai brincar e ficar lendo o jornal”, aconselha.

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