20 de out de 2011

Dislexia não impede aprendizado de segundo idioma

A dislexia é um transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração. O distúrbio é de grande incidência nas salas de aula. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 5% e 17% da população mundial é disléxica.

Crianças com dislexia certamente terão dificuldades com linguagem e escrita, mas isso não quer dizer que elas não aprenderão a ler e escrever ou até mesmo aprender um segundo idioma. “A dislexia é genética, hereditária e não tem cura. Ela vai aprender, mas terá que se esforçar mais”, conta Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga e psicopedagoga da ABD.

Segundo ela, os problemas que giram em torno da dislexia, dificultam o aprendizado de uma segunda língua. “Nossa língua portuguesa tem uma conexão lógica para nós. Já a fonética do inglês é muito diferente. A letra ‘a’, por exemplo, lê-se ‘êi’”, explica. “Se a criança já tem dificuldades com a língua mãe, para aprender o segundo idioma, a dificuldade será maior ainda”.

Segundo dados da ABD, alguns dos sintomas de dislexia são: dispersão, fraco desenvolvimento da atenção, atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem, dificuldade em aprender rimas e canções, fraco desenvolvimento da coordenação motora, dificuldade com quebra cabeça e falta de interesse por livros impressos. Porém, o fato de o aluno apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ele seja disléxico, pois há outros fatores a serem observados na avaliação.

Caso seja diagnosticado o distúrbio, as atividades escolares do disléxico deverão ser acompanhadas de perto. “O aluno com dislexia precisa de mais atenção e acompanhamento especial esporádico, com diferentes explicações da matéria. Até na hora de avaliar e dar notas temos que usar o bom senso e considerar o distúrbio, sem deixar de lado, obviamente, o conteúdo que precisa ser absorvido”, conta Rosana.

Aprendendo inglês
Maria Ângela conta que muitos dos que sofrem de dislexia não querem nem ao menos tentar aprender um segundo idioma por saberem que terão muita dificuldade. “Nesse caso, é preciso estimular o aprendizado utilizando argumentos de seu dia a dia, falando que brincar de vídeo game, por exemplo, vai ficar mais fácil – já que o aparelho apresenta muitas funções em inglês”, diz.

De acordo a especialista, o distúrbio dificulta, mas não impossibilita o aprendizado. “Um adolescente disléxico que tenha a oportunidade de viajar ao exterior, morar fora e ter a experiência de imersão no segundo idioma, certamente aprenderá a falar e entender perfeitamente. Porém, na maioria dos casos, a pessoa vai ter sempre dificuldade de escrever”, afirma.

Apesar das dificuldades, a psicopedagoga diz que os pais não devem tirar o filho da escola bilíngue. A criança deve ficar exposta ao idioma para se acostumar com ele. “Sou a favor de que a ela seja exposta à língua desde pequenininha, inclusive. Quando pequenos, adquirimos todos os sons aos quais temos contato e vamos esquecendo, ficando apenas com a língua mãe. Se crescemos em uma educação bilíngue, esse processo é menos sofrido e mais fácil do que se começar a aprender o idioma mais tarde”, ressalta. O processo de aprendizado também pode ser facilitado se o disléxico estudar em uma escola com menos alunos. Mas é importante salientar que o disléxico tem capacidade de estudar em escolas tradicionais. Apenas terá que se esforçar um pouco mais que os colegas.

Na hora de ensinar
O professor tem uma importante função no desenvolvimento da criança disléxica. A pedagoga Rosana Alfonso diz que hoje existe muita informação sobre o distúrbio e que o professor deve ficar atento aos seus alunos. “A dislexia pode ser percebida já na época da alfabetização. Nós, professores, precisamos prestar atenção aos sintomas e, se for necessário, encaminhar o aluno à avaliação”, afirma.

Quem sofre de dislexia tem potencial para aprender como outra qualquer. O que muda é o processo. E, para isso, ela vai precisar do apoio e suporte daqueles em quem mais confia. O acolhimento de professores e dos pais é de extrema importância para que o estudante não desista e para que o aprendizado não tenha consequências emocionais. “O professor deve saber lidar com o aluno, os pais devem estimulá-la em casa, para que se sinta seguro e goste mais de aprender e a criança tem que se esforçar. Não tem jeito, esse triângulo é fundamental”, diz Maria Ângela.

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