17 de nov de 2011

Crianças hiperativas precisam de atenção direcionada


Agitação, movimentação constante de mãos e pés, ansiedade, dificuldade para prestar atenção e concluir tarefas. Essas são algumas das características das crianças hiperativas, presentes em salas de aula espalhadas por todo o mundo – inclusive nas bilíngues. 

O psicólogo e pedagogo Dirceu Moreira explica que o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) tem como principais características a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade. “O hiperativo não deixa de ser inteligente e motivado”, garante Moreira. 

Os alunos hiperativos podem encontrar no ensino bilíngue uma variedade maior de situações motivadoras em relação às escolas que oferecem métodos tradicionais de ensino. “O ensino da segunda língua tende a ser bastante estimulante. Isso com certeza ajuda a essas crianças, considerando que elas têm dificuldade em se concentrar por muito tempo em alguma atividade”, diz Maria Teresa Reginato, psicóloga.

Hiperatividade e bilinguismo

Por terem dificuldade para acompanhar ordens longas ou comprometer-se em atividades de longa duração, além da tendência a falar demais, Maria Teresa diz que é fundamental que as atividades na escola bilíngue tenham intervalos. “A criança hiperativa necessita que sua rotina seja fracionada. Isso motivará ainda mais o seu interesse em aprender outro idioma”, avalia.

A professora de inglês Lilian de Oliveira Gonçalves acredita que no processo de aprendizagem de outro idioma há a necessidade dos professores adotarem uma postura diferente com as crianças hiperativas. “É interessante reforçar o que está sendo ensinado por meio de muita repetição de sons e figuras demonstrativas”, recomenda. 

Moreira também acredita que a presença constante dos professores junto às crianças hiperativas seja essencial, mas afirma que mais importante que isso é o apoio dos pais. “A atenção deve ser diferenciada, exigindo mais tempo de estudo, acompanhamento e muito amor pelas diferenças”, orienta o psicólogo. 

Lilian comenta que é estimulante para a criança hiperativa ter o acompanhamento dos pais nos momentos em que as tarefas são feitas em casa. “Fazer os deveres fora da sala de aula é uma forma de exercitar o que foi ensinado e ter a presença de um dos pais nesse momento auxilia o desenvolvimento e o processo de ensino e aprendizagem com o outro idioma”, aponta a professora.


Cuidados na escola

A psicóloga diz que a irritabilidade das crianças hiperativas pode ser atenuada em ambientes tranquilos e, por isso, as atividades devem ter algo de movimento. “É interessante entreter a criança com brincadeiras que permitam bater palmas e até mesmo dançar”, fala. Maria Teresa diz que as instruções precisam ser curtas e reforçadas, e em pequenos intervalos de tempo. “Tudo isso vale para o aprendizado em geral e é útil também no ensino de línguas”, garante. 

Moreira afirma que é preciso um olhar diferenciado para os alunos hiperativos e que é fundamental que o professor conheça um pouco do assunto, para que possa acompanhar o seu desempenho sem rotulá-los como desmotivados ou mal-educados. “Antes de o professor ou a escola qualificarem um aluno como sendo hiperativo é preciso um diagnóstico obtido por meio de uma equipe multidisciplinar. Isso é importante até mesmo para não haver confusão com outros transtornos que têm sintomas semelhantes”, ressalta.

Maria Teresa também salienta a importância de toda a equipe da escola estar inteirada das necessidades de crianças hiperativas. “O fato de, na maioria dos casos, essa criança ser rotulada de distraída, preguiçosa ou rebelde contribui bastante para o aparecimento de manifestações secundárias como agressividade, isolamento e baixa autoestima, propiciando o surgimento de sintomas da depressão”, revela.

O psicólogo, que recebeu o título de “Amigo da Educação” da Secretaria de Educação de São Paulo, aponta que também é importante, quando possível, que os colegas do aluno hiperativo sejam informados e orientados. “Com isso, é possível evitar a exclusão ou o bullying, que agravam ainda mais o transtorno”, garante Moreira.

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