11 de nov de 2011

Ensino bilíngue para crianças com Síndrome de Down: prejudicial ou vantajoso?

A Síndrome de Down é uma deficiência genética e uma das causas mais comuns do déficit intelectual das crianças, afetando um em cada 600 nascimentos. Estima-se que no Brasil existam 300 mil pessoas com esta síndrome, que ocasiona certas dificuldades de aprendizado aos portadores.

“As crianças com Síndrome de Down, naturalmente, possuem um comprometimento intelectual e dificuldades para desenvolver suas habilidades cognitivas”, explica a pedagoga Raquel Zanini. Mas, mesmo assim, quem nasce com Síndrome de Down pode ser bilíngue?

A resposta a essa pergunta depende de alguns fatores, mas tudo indica que, no final, ela seja positiva. Para Raquel, a criança pode vir a aprender dois idiomas, mas é aconselhável que esse contato seja feito na fase da adolescência. “Não é aconselhável colocar a criança em atividades que exijam o contato com mais de um idioma ao mesmo tempo durante a infância”, conta.

Uma de cada vez
Para Raquel, primeiro a criança deve aprender a desenvolver as habilidades da língua materna para depois aprender outro idioma. “Como ela já tem uma dificuldade natural de aprender o português, se ela entrar para uma escola bilíngue muito cedo pode ter problemas futuros para atingir um nível básico de competência da primeira língua”, comenta. A pedagoga diz ainda que isso acontece justamente porque a criança pode não responder da mesma maneira que outra, durante o processo de aquisição de linguagem.

Essa parece mesmo ser a melhor alternativa. Para Alda Lúcia Pacheco Vaz, coordenadora pedagógica da Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID), quando se fala em alfabetização, deve-se pensar que a fala e a leitura podem ser parecidas, mas não são a mesma coisa. “A capacidade de aprender a falar uma língua passa por uma via cognitiva específica, da mesma maneira que existem outras vias próprias para a leitura e a escrita – são caminhos diferentes para o aprendizado”, comenta.

Para ela, tudo depende da própria criança. “Temos uma jovem aqui na ADID que fala português, inglês e hebraico. Ela morou fora do Brasil durante um tempo e aprendeu essas outras duas línguas. Mas tudo depende do desenvolvimento de cada criança, especificamente”, ressalta.

De acordo com a coordenadora, não há uma estatística de quantas crianças com a síndrome aprendem perfeitamente mais de uma língua. “Tem gente que aprende fora do País e é fluente nos idiomas, mas tem outras crianças que confundem as duas línguas. Tudo deve ser feito pensando no que é melhor para a criança, sempre”, finaliza Alda.

Nesta hora, surge a dúvida: a matrícula do filho com Síndrome de Down deve ser feita em escolas regulares ou em específicas?

Onde matricular seu filho?
Chegada a hora de colocar a criança com Síndrome de Down em uma escola, muitos pais acham que o melhor é matriculá-la em uma escola regular. Isso, porém, só deve ser feito se a instituição apresentar todas as condições necessárias para acompanhar o pleno desenvolvimento da criança, alerta Raquel. “Muitos professores não têm preparação para cuidar dessas crianças. Na verdade, eles precisam adaptar as atividades da escola às necessidades e especificidades dos alunos”, diz.

Para Alda, a regra é a mesma para as escolas especiais. “Temos que considerar se aquele tipo de escola ou ensino favorece e contribui para o pleno desenvolvimento da criança. Tudo deve ser avaliado”, comenta. Ela acredita que, independentemente da escola, deve haver uma disponibilidade de profissionais para este tipo de atendimento. “A professora vai atrás? Levanta informações para saber como lidar com o aluno? Tem que apontar tudo o que é bom para a criança”, diz a profissional.

“Dependendo da proposta, a maioria das crianças com Síndrome de Down pode não conseguir acompanhar o ensino regular satisfatoriamente, por isso acho que seria mais indicado matriculá-la em uma escola com educação especial”, complementa Alda.

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