21 de nov de 2011

Infância é a melhor época da vida para aprender

Não é à toa que a vida escolar inicia-se na infância. A ciência mostra que a mente das crianças está aberta a novas apreensões no sentido filosófico da palavra: conhecimento imediato de um objeto relativamente simples, em oposição a processos mais elaborados. E isso explica porque elas aprendem outro idioma mais facilmente do que os adultos. “A gente só não fala logo que nasce porque o cérebro não está pronto para isso”, afirma Tália Jaoui, psicóloga com especialização em programação neurolinguística.

Tália, que nasceu em Israel e, aos três anos de idade, dominava três idiomas (árabe, hebraico e francês), diz que a necessidade é a “mãe de todos os aprendizados” e, quando o cérebro está desenvolvido, aprende-se cerca de dez palavras por dia. “No primeiro ano de vida, a criança sabe mais ou menos 80 palavras. No segundo ano, já são 600”, diz.

A psicóloga Inês Cozzo Olivares, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), fala que há uma explicação neurológica para o fato das crianças aprenderem mais rápido que os adultos, principalmente os idiomas. “Até os sete anos de idade, somos praticamente gênios”, fala.

Como funciona o cérebro das crianças

Inês cita como exemplo alguns estudos feitos por Patricia Kuhl, professora de Ciências da Fala e da Audição, co-diretora do Instituto de Ciências Cerebrais e Aprendizagem na Universidade de Washington. “Ela e os pesquisadores de sua equipe descobriram que os bebês são ‘cidadãos do mundo’ e podem discriminar todos os sons de todas as línguas”, afirma.

A psicóloga comenta que pesquisas no campo da neurologia demonstram que os dois hemisférios cerebrais desempenham diferentes funções - o lado esquerdo é responsável pela lógica e o direito, pelas emoções. “No cérebro de uma criança, os dois hemisférios estão mais interligados do que no cérebro de um adulto. Esta maior interação corresponde ao período máximo de aprendizado”, explica. Ela esclarece que a lateralidade – menor interação entre os hemisférios cerebrais – acontece durante a puberdade.

Para reforçar o que é ensinado nas escolas bilíngues, Tália recomenda que os pais interajam com seus filhos. “A falta de treino incentiva o não aprendizado. Costumo dizer que, com a motivação adequada, podemos aprender até sobre o dia da nossa morte na velhice”, finaliza.


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