9 de fev de 2012

Fala e escrita complementam-se no processo de aprendizado

O ato de escrever é muito diferente do ato de falar, mas há correlações entre eles que devem ser levadas a sério, principalmente na educação infantil. A pedagoga e fonoaudióloga Marilisa Venturini conta que a linguagem oral é o primeiro instrumento de comunicação da criança e vai influenciar todo o seu processo de aprendizagem, inclusive referente à linguagem escrita.

Entretanto, o fato de a fala ser o primeiro contato com a linguagem também pode atrapalhar. Marilisa diz que, quando a criança está sendo alfabetizada, ela já tem um conhecimento significativo da língua falada e, se não for orientada corretamente, pode ter dificuldades em discernir uma coisa da outra. “É muito comum o aluno tentar aproximar a escrita da fala. Assim, acaba exprimindo ideias confusas e apresenta muitos problemas com pontuação”, diz.

A dificuldade pode ser ainda maior se a criança apresentar erros na fala. Marilisa afirma que é fundamental que o aluno fale corretamente para também escrever de maneira correta. “Se uma criança não associar uma letra com seu determinado fonema, vai ser muito mais difícil entender o processo de escrita. Alguns erros comuns são trocas de letras como ‘f’ por ‘v’ ou ‘t’ por ‘d’”, exemplifica.

Mas a fala não é inimiga do aprendizado da escrita. A fonoaudióloga comenta que, quando a criança já está familiarizada com as duas formas de linguagem, uma complementa a outra. “Quando a pessoa lê uma palavra, fica mais fácil de falar a palavra de maneira correta. E o inverso também acontece. As formas de expressão estão correlacionadas, caminham juntas e, assim como podem atrapalhar uma à outra quando erradas, também se ajudam muito quando corretas”, afirma.

Linguagens no bilinguismo
Quando o assunto é bilinguismo, as linguagens complementam-se da mesma maneira. Para Marilisa, se a criança for exposta aos dois idiomas desde pequena, a dificuldade que terá em associar letras e fonemas será a mesma em ambas as línguas. Ela aponta que, se a criança aprender a falar corretamente e for instruída quanto à escrita de maneira eficaz, não terá problema algum em relacionar as formas de expressão.

A dificuldade pode aparecer com mais intensidade se a criança começar a aprender o segundo idioma muito depois de ter obtido a fluência do primeiro. “Nestes casos, é mais complicado porque a criança não associa a letra ‘a’ com o fonema ‘êi’, pronunciado em inglês, por exemplo. Ou seja, o trabalho do professor e o esforço do aluno com certeza serão maiores. Mas, ainda assim, com metodologia e treino, é simples de se aprender”, diz.

De qualquer forma, a pedagoga recomenda muita leitura para melhorar a escrita e, consequentemente, aprimorar a fala. “Sempre digo que ler em voz alta é o exercício mais completo de linguagem que poderia existir, em qualquer idioma. Ele melhora a dicção, a pronúncia, aumenta o vocabulário e aprimora a escrita. Assim como em qualquer atividade, a linguagem também pode ser aperfeiçoada com treino”, recomenda Marilisa.

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