30 de mar de 2012

Bilinguismo: sinônimo de saúde mental

Falar mais de um idioma desde a infância pode ser sinônimo de melhor saúde mental. Segundo pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Nova York, o bilinguismo tem efeito benéfico no desenvolvimento cognitivo dos mais jovens, mas também apresenta vantagens na cognição de pessoas adultas. De acordo com o estudo, cidadãos bilíngues demonstram sintomas de demência muitos anos depois dos monoglotas.

Leia a matéria completa publicada no jornal O Globo, neste link.

22 de mar de 2012

Pessoas bilíngues são mais inteligentes

Falar dois idiomas é bastante vantajoso, especialmente em um mundo cada vez mais globalizado como o de hoje. No entanto, há pouco tempo, especialistas começaram a mostrar que os benefícios de ser bilíngue vão além de ser capaz de conversar com outras ao redor do globo – o bilinguismo deixa as pessoas ainda mais inteligentes.

Isso acontece porque tal aptidão tem um efeito profundo e bastante positivo no cérebro. O bilinguismo aumenta as habilidades cognitivas das pessoas, muitas vezes nem relacionadas com a linguagem. Ser bilíngue ajuda, inclusive, a isolar problemas ao avanço da idade, como o mal de Alzheimeir.

As vantagens do bilinguismo e os testes realizados que comprovam tal afirmação foram tema no The New York Times, um dos jornais mais importantes do mundo, na última semana. Para conferir o texto completo (em inglês), clique aqui.

19 de mar de 2012

Para que servem as avaliações

Temida por muitos alunos e com resultados questionáveis, as famosas provas – utilizadas como meio de avaliação tradicional no ensino – já não são mais a única ferramenta que o professor tem para acompanhar o desempenho de seus alunos.

A pedagoga Maria Clara Sampaio afirma que a prova ainda pode ser uma boa aliada do educador, mas diz que os métodos de aplicação, hoje, devem ser diferentes. Ela conta que havia uma época em que os alunos eram frequentemente surpreendidos com provas surpresas, chamadas orais e questões dissertativas super extensas e com enunciados de difícil compreensão.

Por estes fatores, a ferramenta passou a ser motivo de terror entre as crianças. E, para Maria Clara, se o aluno responde às questões abalado pelo nervosismo e medo, com certeza seu desempenho será menor do que em condições normais. “Se a prova passar a ser apenas uma avaliação como tantas outras e for elaborada com o objetivo de obter respostas não apenas decoradas, mas com desenvolvimento de raciocínio do aluno, ela ainda pode ser uma maneira eficiente de saber se a criança está absorvendo o conteúdo ministrado”, afirma.

Outros métodos

Muitas escolas já utilizam mais de um meio de avaliação. Cintia Sant’Anna, coordenadora de treinamentos acadêmicos da Maple Bear, escola canadense bilíngue, acredita que o processo de avaliação dos alunos deve ser constante e não apenas baseado em situações pontuais.

Na Maple Bear, por exemplo, a coordenadora conta que as crianças passam por uma avaliação formativa, em que os alunos podem trabalhar junto com o professor para perceber quais os pontos que podem ou devem ser melhorados e qual a melhor maneira de alcançar os resultados esperados.

Neste caso, o professor atua como um observador constante que avalia os pequenos durante todo o ano. “Com uma prova em determinado momento, é complicado saber se a criança aprendeu ou não. Já se o seu processo de aprendizagem for acompanhado de perto é mais fácil enxergar se o aluno está progredindo ou não”, explica Cintia.

Ao utilizar este método, comenta a coordenadora, é mais difícil ocorrerem situações como a repetência. Segundo ela, caso seja identificado que algum aluno está com dificuldades em atingir as metas estabelecidas, são feitos planejamentos especiais para que a criança alcance o estágio necessário. “Nosso intuito não é julgar os alunos, mas contribuir para o seu desenvolvimento. Acompanhamos os passos para que, ao chegar ao final do ano, dê tudo certo sem grandes traumas. É importante saber as capacidades das crianças e, mais do que tudo, entender que elas são diferentes e, por isso, devem ser avaliadas de uma maneira justa”, esclarece.

12 de mar de 2012

Literatura bilíngue auxilia aprendizado

A leitura é um hábito saudável que ajuda no desenvolvimento intelectual de todas as pessoas, independentemente da idade. Por isso, ter contato com bons livros desde a infância amplia o conhecimento dos pequenos sobre os mais diversos assuntos.

Em escolas bilíngues, a vantagem é poder conhecer bons autores em dois idiomas, o que dá ainda mais importância para a atividade. Tayana Tormena Oliveira, coordenadora da Maple Bear Brasília, comenta como é feita a divisão de leitura naquela escola. “Para os alunos do Toddler (de dois anos) até o Junior Kindergarten (quatro anos), a literatura é apresentada em inglês. A partir do Intermediate Kindergarten (cinco anos), por terem aulas nas duas línguas, a literatura é apresentada tanto em inglês quanto em português”, conta.

Na Maple Bear Brasília, cada sala de aula possui sua própria biblioteca. “Temos um espaço com estante onde estão os livros que serão usados naquela série. Isso é muito interessante, porque as crianças têm acesso aos livros diariamente, no próprio espaço da sala de aula”, ressalta.

Além disso, para incentivar ainda mais a leitura, Tayana conta que o “Home Reading Program” (Programa de Leitura em Casa, em tradução livre) funciona para empréstimo de livros. Neste caso, cada aluno escolhe o livro que quer levar para a casa e a própria professora gerencia os empréstimos.

A profissional também ressalta que a leitura de livros sempre é contextualizada junto às atividades propostas pela escola. “Mesmo no ‘Home Reading Program’, em que os alunos levam livros para a casa para uma leitura ‘just for fun’, a professora sempre encaminha uma ficha para que eles comentem alguma coisa sobre o livro que levaram, façam um desenho da parte favorita”, complementa. Ainda assim, como parte do programa da Maple Bear, cada professora lê, todos os dias, um livro para os alunos no momento do Circle Time, a hora em que a turma se reúne em círculo para leitura.

Para ela, exceto pela presença de livros em outras línguas, não há diferenças de bibliotecas de escolas bilíngues ou monolíngues. “Independentemente dessa questão, uma boa biblioteca precisa ser dinâmica, com momentos de leitura de histórias, trabalhos com os livros, um bom acervo (em uma ou várias línguas) e acessível aos estudantes”, finaliza.

8 de mar de 2012

Estrangeirismos não prejudicam ensino bilíngue

Ter uma palavra de origem estrangeira com o mesmo significado em português é bastante comum em nosso vocabulário. Embora alguns possam acreditar que isso confunde e dificulta o entendimento da criança alfabetizada em uma escola bilíngue, o que acontece é justamente o contrário.

Tatiana Franey, tradutora, vê de perto essa situação dentro de sua própria casa. Mãe de uma criança nascida em país de língua inglesa que já fala dois idiomas e frequenta escola bilíngue, ela acredita que o fato de haver duas palavras iguais em dois idiomas diferentes não interfere no aprendizado.

“Os métodos utilizados no ensino bilíngue não identificam estrangeirismos diretamente. A criança é exposta aos dois idiomas e ela própria percebe que algumas palavras estão presentes nos dois”, ressalta. Mesmo assim, ela comenta que, naturalmente, a criança pode vir a perguntar por que isso acontece, mas que isso funciona como parte da curiosidade nata da infância.

Facilidade

Além disso, Tatiana lembra ainda que as crianças têm a capacidade de aprender mais rápido outro idioma. “Quanto mais jovem a criança, mais fácil é para ela não se confundir ao aprender duas ou mais línguas ao mesmo tempo. Os estrangeirismos não a confundem, pois o que ela aprende é que certas pessoas falam de um jeito, outras de outro, mas algumas coisas são faladas pelos dois grupos”, sintetiza.

Ana Cristina Canavarros Caldart, coordenadora pedagógica, acredita que não há nenhuma dificuldade de aprendizado com relação à inserção de estrangeirismos na escola. “Às vezes, as palavras estrangeiras passam por um processo de aportuguesamento fonológico e gráfico. Nesses casos, vale uma explicação e demonstração das diferenças existentes, mas não acredito que isso atrapalhe ou interfira no processo de aprendizagem”, ressalta.

Crianças bilíngues ainda encontram outros estrangeirismos no idioma em inglês, por exemplo. “A língua inglesa, assim como o português do Brasil, teve influência de muitas línguas em sua formação. Esse processo é conhecido como borrowing e as palavras estrangeiras são chamadas de loanwords, sendo que os dois termos significam empréstimo”, comenta Tatiane.

Alguns exemplos de estrangeiros na língua inglesa são dèja-vú, resume e sabotage (em francês) e placebo (em latim).

5 de mar de 2012

O que é estrangeirismo?

“Fui ao shopping center comprar um mouse para meu PC”. Quem lê esta frase pode nem perceber, mas o uso do estrangeirismo imperou nesta única sentença. O próprio conceito parece estranho, mas, na verdade, é bastante simples. Como explica Ana Cristina Canavarros Caldart, coordenadora pedagógica de um centro de idiomas, estrangeirismo é quando palavras oriundas de outra língua, que não a materna, passam a fazer parte do cotidiano de um povo, como as palavras shopping center, mouse e PC (de Personal Computer) na frase citada.

As palavras estrangeiras que se tornam parte do dia a dia dos brasileiros podem ou não passar por um “aportuguesamento”, ou seja, a grafia e a pronúncia da palavra podem ser adaptadas para o português. “Por exemplo, a palavra abajur vem do francês abat-jour, enquanto que a palavra mouse vem do inglês mouse, com a mesma grafia”, diz a coordenadora.

Exemplos não faltam para o tema: brother, jeans, freezer, site, suéter, sutiã etc. Ana Cristina explica que todas estas palavras são introduzidas em nosso idioma por diversos motivos, sejam eles fatores históricos, socioculturais e políticos, modismos ou avanços tecnológicos. “O uso de termos na língua inglesa acontece por causa da forte influência da cultura norte-americana na vida dos brasileiros. Usar esses termos é sinal de ‘status’ cultural”, acredita.

Mas, no aprendizado bilíngue, essa semelhança entre as palavras de dois idiomas não interfere e, muito menos, confunde a criança. “Acho que até ajuda em alguns processos, uma vez que estes termos são introduzidos no cotidiano dos falantes de língua portuguesa”, ressalta. Para Ana Cristina, em geral as pessoas estão tão acostumadas com a presença de estrangeirismos na língua que, muitas vezes, desconhecem que uma série de palavras tem sua origem em outros idiomas.

No próximo post, você verá, inclusive, que, no que diz respeito à educação bilíngue, o estrangeirismo pode ser até benéfico.

1 de mar de 2012

Crianças mais velhas conseguem adaptar-se em escola bilíngue

Novos professores, novo ambiente, diferentes tipos de didática e colegas que já se conhecem de outros carnavais. Mudar de escola já é difícil para qualquer criança. Este processo, geralmente, envolve docentes, pais e o próprio aluno, que deve, pacientemente, passar pelo período de adaptação.

Quando as crianças são matriculadas em uma escola bilíngue e há um novo idioma envolvido, as diferenças são ainda maiores, afirma a psicopedagoga Mariângela Mello. Ela conta que, neste caso, o pequeno enfrentará todas as dificuldades típicas da mudança e ainda terá que lidar com o fato de estar “atrasado” em relação aos colegas.

“A criança que entra mais tarde em uma escola bilíngue terá que aprender a aceitar que seus colegas estão em um nível mais avançado no inglês e, mais do que isso, terá que adaptar-se à imersão em outro idioma e cultura que, certamente, será muito diferente da realidade escolar vivida anteriormente por ela”, diz a especialista.

Adaptação sem traumas
Para facilitar o ingresso da criança em sua nova realidade escolar, algumas escolas trabalham com um programa de adaptação à educação bilíngue. Renata Fonseca, coordenadora do Fundamental 1 e 2 da Maple Bear Tatuapé, conta que qualquer criança que tenha um histórico escolar legalizado pode matricular-se na escola bilíngue.

Porém, afirma a coordenadora, desde o início do ano letivo, os novos alunos são convocados para aulas de reforço – das quais fazem parte exercícios de suplemento de acordo com a série do aluno e o que mais o professor considerar importante para que a criança consiga acompanhar as aulas. “Em sala, pedimos aos professores atenção especial a essas crianças, para que se sintam menos perdidas nas aulas. Pedimos também aos pais que ajudem seus filhos em casa ou até que tenham um professor particular nos primeiros seis meses de aula”, aponta.

Os efeitos destes esforços variam caso a caso. Renata lembra que cada criança tem sua própria aptidão linguística, ou seja, algumas se saem muito bem e absorvem a língua rapidamente e outras precisam permanecer no reforço o ano todo. Mas, na maioria dos casos, o retorno, seja ele em curto ou longo prazo, é muito satisfatório. “Geralmente, os resultados são muito positivos e as crianças tornam-se progressivamente competentes em outro idioma”, afirma.