8 de mar de 2012

Estrangeirismos não prejudicam ensino bilíngue

Ter uma palavra de origem estrangeira com o mesmo significado em português é bastante comum em nosso vocabulário. Embora alguns possam acreditar que isso confunde e dificulta o entendimento da criança alfabetizada em uma escola bilíngue, o que acontece é justamente o contrário.

Tatiana Franey, tradutora, vê de perto essa situação dentro de sua própria casa. Mãe de uma criança nascida em país de língua inglesa que já fala dois idiomas e frequenta escola bilíngue, ela acredita que o fato de haver duas palavras iguais em dois idiomas diferentes não interfere no aprendizado.

“Os métodos utilizados no ensino bilíngue não identificam estrangeirismos diretamente. A criança é exposta aos dois idiomas e ela própria percebe que algumas palavras estão presentes nos dois”, ressalta. Mesmo assim, ela comenta que, naturalmente, a criança pode vir a perguntar por que isso acontece, mas que isso funciona como parte da curiosidade nata da infância.

Facilidade

Além disso, Tatiana lembra ainda que as crianças têm a capacidade de aprender mais rápido outro idioma. “Quanto mais jovem a criança, mais fácil é para ela não se confundir ao aprender duas ou mais línguas ao mesmo tempo. Os estrangeirismos não a confundem, pois o que ela aprende é que certas pessoas falam de um jeito, outras de outro, mas algumas coisas são faladas pelos dois grupos”, sintetiza.

Ana Cristina Canavarros Caldart, coordenadora pedagógica, acredita que não há nenhuma dificuldade de aprendizado com relação à inserção de estrangeirismos na escola. “Às vezes, as palavras estrangeiras passam por um processo de aportuguesamento fonológico e gráfico. Nesses casos, vale uma explicação e demonstração das diferenças existentes, mas não acredito que isso atrapalhe ou interfira no processo de aprendizagem”, ressalta.

Crianças bilíngues ainda encontram outros estrangeirismos no idioma em inglês, por exemplo. “A língua inglesa, assim como o português do Brasil, teve influência de muitas línguas em sua formação. Esse processo é conhecido como borrowing e as palavras estrangeiras são chamadas de loanwords, sendo que os dois termos significam empréstimo”, comenta Tatiane.

Alguns exemplos de estrangeiros na língua inglesa são dèja-vú, resume e sabotage (em francês) e placebo (em latim).

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