26 de abr de 2012

O mundo fala Inglês


Num mundo em que as tecnologias estão cada vez mais avançadas e são renovadas rapidamente, o domínio da língua inglesa – idioma dominante tanto no mundo dos hardwares, dos softwares, como nas interações via máquinas – torna-se indispensável a qualquer ser humano, seja ele jovem ou mais velho. É praticamente um item básico para a sobrevivência em uma sociedade em que quase não há mais barreiras de comunicação.

Para Luiz Antônio Felipe Rosa, pedagogo e docente do Centro de Idiomas da Faculdade Pitágoras, de Betim (MG), muitas vezes, a necessidade de aprender o inglês é maior, inclusive, que a própria vontade do interessado. “Há estimativas de que 75% da comunicação por escrito entre os continentes são feitas nessa língua. Ou seja, não podemos nos dar ao luxo de decidir aprender outro idioma somente pela vontade”, comenta.

Rosa também lembra que 80% da informação armazenada nos computadores de todo o mundo e 90% do conteúdo da internet estão na língua inglesa. “Nossa necessidade torna-se a máquina propulsora de nossa vontade. Se você estiver em uma escola que consiga adequar o ensino às suas necessidades, você terá uma visão totalmente diferente do estudo de um novo idioma”, explica.

Cultura on-line
Hoje em dia, o contato que se tem com outras línguas é bem maior do que no passado. Mesmo quem não fala fluentemente inglês consegue entender algumas palavras ou expressões recorrentes, especialmente na internet. Neste quesito, os jovens parecem levar vantagem, especialmente por estarem conectados em diferentes redes sociais durante várias horas, todos os dias.

Mas, além do conhecimento da língua, o pedagogo lembra que o contato que se tem com outras pessoas, mesmo on-line, é maior no caso de pessoas bilíngues. “Deve-se também levar em consideração que, quando aprendemos outro idioma, fatalmente estamos envolvidos na cultura do outro, em sua forma de pensar e de interagir com outras pessoas. A maior vantagem é que quem domina o idioma estará sempre mais aberto para respeitar e entender outras culturas”, comenta Rosa. 

24 de abr de 2012

Diferenças de aprendizagem


As novas gerações têm mais acesso a informações de diversas partes do mundo do que seus pais ou avós tiveram. Com a ajuda da internet, as fronteiras entre os países diminuíram e suas culturas estão cada vez mais acessíveis. Assim, muitas vezes, aprender um segundo ou terceiro idioma parte muito mais da necessidade do que do próprio interesse do indivíduo.

E, quando quem busca essas informações, seja por vontade própria ou necessidade, é uma criança mais nova, as facilidades para aprender outra língua são bem maiores. Neide Carvalho, professora do Centro de Idiomas da Faculdade Pitágoras Betim, comenta que isso acontece porque as crianças são mais propensas às mudanças do que os adultos. Como ela explica, isso faz com que elas não tenham receio de errar – princípio básico para a aprendizagem. “As crianças aprendem brincando, este é o período em que elas adquirem mais conhecimentos de vida”, destaca.

Infelizmente, o processo de ensino de uma segunda língua para os adolescentes não é o mesmo e requer um pouco mais de atenção. “Os mais velhos têm medo de errar e serem criticados pelos amigos da mesma idade”, comenta a profissional. Para ela, esta fase é uma das mais difíceis de inserir um novo idioma, porque faz parte da adolescência a autoafirmação, a necessidade de ser aceito pelo grupo e, principalmente, o medo da crítica.

Alternativas

Para amenizar possíveis dificuldades de aprendizagem, tanto dos menores quanto dos mais velhos, a integração dos alunos por meio de interesses em comum pode se revelar uma boa alternativa. “Muitas vezes, agrupar crianças que se dão bem é uma boa dica, pois com o amigo ele se sentirá mais à vontade para falar outro idioma. O processo consiste, basicamente, em um amigo ajudar o outro”, observa Neide.

Para ela, professores e profissionais da educação devem levar em consideração o conhecimento prévio de cada aluno, valorizando todas as contribuições que eles levam para dentro da sala de aula. Isso ajuda a desenvolver a autoconfiança dos estudantes e a melhorar estratégias de aprendizagem, uma vez que cada um aprende do seu jeito, no seu tempo.

“Estas estratégias devem estar ligadas ao que é prazeroso para o aluno, unindo o útil ao agradável. As aulas de reforço, por exemplo, talvez tenham esse papel de ajudar cada um a descobrir suas próprias estratégias”, conclui a professora.

19 de abr de 2012

Vantagens do idioma aprendido

Continuando com a questão se os pais devem ou não ensinar o idioma materno aos filhos que crescem em outro país, vamos conhecer a história da família Takahashi.

Ênio Takanashi, 50 anos, é filho de japoneses, mas nasceu e cresceu no Brasil. Para não perder a tradição, seus pais ensinaram a ele o japonês e, em casa, era proibido usar outro idioma. “Eles só aliviaram a barra quando eu e meu irmão tínhamos mais de 18 anos e, eles, a certeza de que não esqueceríamos o japonês assim, tão fácil”, diz Ênio.

Entre Japão e Brasil

Aos 26 anos, o jovem comerciante resolveu trabalhar no país de seus ancestrais com o objetivo de juntar dinheiro para abrir o próprio negócio. “O plano era angariar fundos e voltar. Mas, no meio do percurso, conheci Arisa”, conta. Ênio manteve os planos, mas levou Arisa com ele para morar no Brasil por sete anos.

O casal, porém, resolveu voltar para Kobe, no Japão, em 1996, quando a cidade já havia sido reconstruída depois do terremoto que a arruinou e quando seu filho Ito, hoje com 22 anos, tinha dois anos de idade.

Ao lembrar-se do quanto lhe foi útil aprender o idioma materno dos pais, Ênio resolveu que Ito aprenderia português também. “No começo, a Arisa torceu o nariz, afinal, nossa intenção era ficar no Japão. Mas insisti, pois sabia que conseguiria ensinar de uma maneira que não fosse um peso para ele e combinei com meus pais que, a partir de então, conversariam com ele em português”, afirma.

No mundo globalizado, idioma nunca é demais

Hoje, depois de 20 anos, Ênio reconhece as vantagens da sua decisão e Ito colhe os frutos de ser fluente no português: o Brasil é um país emergente que ocupa a posição de sexta maior economia do mundo.

Ito estudou economia e está cursando relações internacionais, mas foi por falar português que conseguiu uma disputada vaga em uma empresa multinacional em Tóquio. “O Brasil tem feito inúmeros negócios com o Japão. O que eles procuravam era alguém que pudesse fazer essa ponte entre os dois países com facilidade. Meu filho tem perfil e cultura japonesa de trabalho, mas também conhece o modo brasileiro de ser, além de dominar as duas línguas. Ele caiu como uma luva para a empresa”, conta Ênio.

Na visão de Ito, que diz estar muito contente com o futuro promissor do novo emprego, nada disso teria acontecido sem o empenho do pai que o ensinou português por meio de brincadeiras, literatura e muita conversa. “Agora ele tem que me pagar pelo menos um terço do salário, que é quase mais alto que o meu”, brinca Ênio, orgulhoso do filho bilíngue.

16 de abr de 2012

Prejuízos do idioma esquecido

Muitos pais têm que lidar com a decisão de ensinar ou não o idioma materno a seus filhos depois de se mudarem para outro país com a criança ainda não alfabetizada. Como existem duas opções neste caso, trabalharemos o tema em posts diferentes, apresentando duas histórias que seguiram caminhos distintos. A primeira será da família Heinzel.

Mudança e decisões

A brasileira Amanda Buarque mudou-se para a Alemanha, país natal de seu marido, quando seu filho, Matthias, era apenas um bebê de sete meses. Dentre muitas preocupações – como escola e adaptação ao clima –, estava a decisão de ensinar ou não português ao pequeno. A dermatologista decidiu, então, que conversaria com a criança em seu idioma, para habituá-la à sonoridade da língua, e que procuraria uma escola de idiomas quando Matthias fosse mais velho. Mas, na correria da adaptação da família na Europa, o português foi esquecido.

“Como converso com meu marido em alemão e em inglês, ficou muito difícil dar continuidade ao que tinha planejado. Até minha mãe, quando falava com o Matthias, conversava com ele em inglês. Meu plano não deu nada certo e, depois de tanto tempo, até eu me confundo com algumas palavras em português”, conta.

Hoje, Matthias, com 13 anos de idade, enfrentará um enorme desafio: a família está voltando para o Brasil e o menino, fluente em inglês e em alemão, terá que aprender seu terceiro idioma, o português.

Poderia ser mais fácil

Fernando Arruda considera um enorme desperdício casos assim. Para o psicopedagogo, se Amanda tivesse ensinado o básico do português para o filho, toda a dificuldade que será sentida pela criança agora seria amenizada. “O menino já vai ter que passar por muitas adaptações. Haverá a mudança de país, de escola, de costumes, de praticamente tudo. Para uma criança de 13 anos, deixar os amigos e mudar de rotina de uma hora para outra é muito traumático. Se ele tivesse, ao menos, o idioma, as coisas certamente seriam mais fáceis”, afirma.

As aulas particulares de português de Matthias já começaram. Mas, por enquanto, o menino está muito receoso com a nova língua. Amanda conta que o filho ainda está na defensiva e não está gostando muito da ideia de morar no Brasil. Para ela, toda essa resistência está refletindo em seu aprendizado. “Vou colocá-lo em uma escola que tem como segundo idioma o alemão, para que ele possa se adaptar. Mas sei que errei, pois se tivesse ensinado a língua desde pequeno, ele seria fluente em três idiomas e a vida dele no Brasil começaria de uma maneira mais leve”, assume.

Arruda, porém, ressalta que não adianta chorar pelo leite derramado. “Matthias certamente aprenderá o idioma com facilidade a partir do momento em que se soltar e estiver aberto ao novo conhecimento. A ideia de matriculá-lo em uma escola bilíngue é excelente”, aposta o psicopedagogo.

Ele afirma que, aos poucos, o garoto vai aceitar as mudanças e, por conta do cotidiano, terá interesse em aprender a língua, pois terá acesso a ela por meio da televisão e no convívio com parentes e colegas de sala.

“O aprendizado acontecerá naturalmente e, por morar no Brasil, ele adquirirá a fluência. Mas, muito provavelmente, Matthias nunca perderá o sotaque e o processo de absorção do português será mais sofrido e trabalhoso, visto que o cérebro dele já pensa em dois idiomas diferentes. Tem jeito, dará tudo certo. Mas que sirva de exemplo para outras mães na mesma situação: se a criança tivesse tido contato com a língua desde pequena, os esforços agora seriam muito menores”, aponta.

5 de abr de 2012

Mais capacidade para multitarefas

Esta semana foi publicada uma notícia no portal da revista Veja, ressaltando que crianças bilíngues são mais capazes de realizar diversas atividades ao mesmo tempo do que as que falam apenas um idioma.

Confira o conteúdo na íntegra neste link.