16 de abr de 2012

Prejuízos do idioma esquecido

Muitos pais têm que lidar com a decisão de ensinar ou não o idioma materno a seus filhos depois de se mudarem para outro país com a criança ainda não alfabetizada. Como existem duas opções neste caso, trabalharemos o tema em posts diferentes, apresentando duas histórias que seguiram caminhos distintos. A primeira será da família Heinzel.

Mudança e decisões

A brasileira Amanda Buarque mudou-se para a Alemanha, país natal de seu marido, quando seu filho, Matthias, era apenas um bebê de sete meses. Dentre muitas preocupações – como escola e adaptação ao clima –, estava a decisão de ensinar ou não português ao pequeno. A dermatologista decidiu, então, que conversaria com a criança em seu idioma, para habituá-la à sonoridade da língua, e que procuraria uma escola de idiomas quando Matthias fosse mais velho. Mas, na correria da adaptação da família na Europa, o português foi esquecido.

“Como converso com meu marido em alemão e em inglês, ficou muito difícil dar continuidade ao que tinha planejado. Até minha mãe, quando falava com o Matthias, conversava com ele em inglês. Meu plano não deu nada certo e, depois de tanto tempo, até eu me confundo com algumas palavras em português”, conta.

Hoje, Matthias, com 13 anos de idade, enfrentará um enorme desafio: a família está voltando para o Brasil e o menino, fluente em inglês e em alemão, terá que aprender seu terceiro idioma, o português.

Poderia ser mais fácil

Fernando Arruda considera um enorme desperdício casos assim. Para o psicopedagogo, se Amanda tivesse ensinado o básico do português para o filho, toda a dificuldade que será sentida pela criança agora seria amenizada. “O menino já vai ter que passar por muitas adaptações. Haverá a mudança de país, de escola, de costumes, de praticamente tudo. Para uma criança de 13 anos, deixar os amigos e mudar de rotina de uma hora para outra é muito traumático. Se ele tivesse, ao menos, o idioma, as coisas certamente seriam mais fáceis”, afirma.

As aulas particulares de português de Matthias já começaram. Mas, por enquanto, o menino está muito receoso com a nova língua. Amanda conta que o filho ainda está na defensiva e não está gostando muito da ideia de morar no Brasil. Para ela, toda essa resistência está refletindo em seu aprendizado. “Vou colocá-lo em uma escola que tem como segundo idioma o alemão, para que ele possa se adaptar. Mas sei que errei, pois se tivesse ensinado a língua desde pequeno, ele seria fluente em três idiomas e a vida dele no Brasil começaria de uma maneira mais leve”, assume.

Arruda, porém, ressalta que não adianta chorar pelo leite derramado. “Matthias certamente aprenderá o idioma com facilidade a partir do momento em que se soltar e estiver aberto ao novo conhecimento. A ideia de matriculá-lo em uma escola bilíngue é excelente”, aposta o psicopedagogo.

Ele afirma que, aos poucos, o garoto vai aceitar as mudanças e, por conta do cotidiano, terá interesse em aprender a língua, pois terá acesso a ela por meio da televisão e no convívio com parentes e colegas de sala.

“O aprendizado acontecerá naturalmente e, por morar no Brasil, ele adquirirá a fluência. Mas, muito provavelmente, Matthias nunca perderá o sotaque e o processo de absorção do português será mais sofrido e trabalhoso, visto que o cérebro dele já pensa em dois idiomas diferentes. Tem jeito, dará tudo certo. Mas que sirva de exemplo para outras mães na mesma situação: se a criança tivesse tido contato com a língua desde pequena, os esforços agora seriam muito menores”, aponta.

2 comentários:

  1. Realmente morar em um outro país é sempre uma situação complicada para os pais. Moro no Japão há 12 anos, não sou fluente na língua mas consigo me comunicar. Meus filhos falam português fluentemente e há 2 anos frequentam a escola japonesa, aos poucos estao aprendendo a lingua japonesa, uma língua muito dificil de aprender pois não há nada similar com a gramática portuguesa, mas eles estão aprendendo naturalmente, no convívio com outros alunos. E assim como eles, o meu trabalho que ironicamente é traduzir a língua japonesa para o português, inglês e espanhol, convívo muito com os japoneses. Estou pegando mais fluência, apesar de faltar muito ainda e aos poucos estamos nos comunicando na 2a língua, sem esquecer a 1a. Sempre achei que vivendo em outro país sem intenção de retornar ao BR, não seria necessário aprender o português, engano o meu! Hj vejo que é uma grande vantagem falar 2, 3 línguas, e nunca sabemos o dia de amanhã, se vamos retornar ou não ao nosso amado BR! Tento incentivar os meus filhos a aprenderem o máximo que puderem pois assim as portas a um excelente emprego no futuro se abrirão com certeza. Hj., tento de pouquinho em pouquinho ensinar a gramática portuguesa e inglesa. No momento a minha intenção é que eles fiquem fluentes na língua japonesa. Mas até os 18 anos espero de verdade que meus filhos estejam falando fluentemente as 3 línguas!

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  2. Olá,

    Mesmo morando no Japão, é bom que você e sua família pratiquem a língua portuguesa dentro de casa, pois assim a tradição do idioma não é esquecida. O português, inclusive, tem ganhado cada vez mais notoriedade no mundo dos negócios e esse será um grande diferencial para seus filhos no futuro. Parabéns e continue com a iniciativa!

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