19 de abr de 2012

Vantagens do idioma aprendido

Continuando com a questão se os pais devem ou não ensinar o idioma materno aos filhos que crescem em outro país, vamos conhecer a história da família Takahashi.

Ênio Takanashi, 50 anos, é filho de japoneses, mas nasceu e cresceu no Brasil. Para não perder a tradição, seus pais ensinaram a ele o japonês e, em casa, era proibido usar outro idioma. “Eles só aliviaram a barra quando eu e meu irmão tínhamos mais de 18 anos e, eles, a certeza de que não esqueceríamos o japonês assim, tão fácil”, diz Ênio.

Entre Japão e Brasil

Aos 26 anos, o jovem comerciante resolveu trabalhar no país de seus ancestrais com o objetivo de juntar dinheiro para abrir o próprio negócio. “O plano era angariar fundos e voltar. Mas, no meio do percurso, conheci Arisa”, conta. Ênio manteve os planos, mas levou Arisa com ele para morar no Brasil por sete anos.

O casal, porém, resolveu voltar para Kobe, no Japão, em 1996, quando a cidade já havia sido reconstruída depois do terremoto que a arruinou e quando seu filho Ito, hoje com 22 anos, tinha dois anos de idade.

Ao lembrar-se do quanto lhe foi útil aprender o idioma materno dos pais, Ênio resolveu que Ito aprenderia português também. “No começo, a Arisa torceu o nariz, afinal, nossa intenção era ficar no Japão. Mas insisti, pois sabia que conseguiria ensinar de uma maneira que não fosse um peso para ele e combinei com meus pais que, a partir de então, conversariam com ele em português”, afirma.

No mundo globalizado, idioma nunca é demais

Hoje, depois de 20 anos, Ênio reconhece as vantagens da sua decisão e Ito colhe os frutos de ser fluente no português: o Brasil é um país emergente que ocupa a posição de sexta maior economia do mundo.

Ito estudou economia e está cursando relações internacionais, mas foi por falar português que conseguiu uma disputada vaga em uma empresa multinacional em Tóquio. “O Brasil tem feito inúmeros negócios com o Japão. O que eles procuravam era alguém que pudesse fazer essa ponte entre os dois países com facilidade. Meu filho tem perfil e cultura japonesa de trabalho, mas também conhece o modo brasileiro de ser, além de dominar as duas línguas. Ele caiu como uma luva para a empresa”, conta Ênio.

Na visão de Ito, que diz estar muito contente com o futuro promissor do novo emprego, nada disso teria acontecido sem o empenho do pai que o ensinou português por meio de brincadeiras, literatura e muita conversa. “Agora ele tem que me pagar pelo menos um terço do salário, que é quase mais alto que o meu”, brinca Ênio, orgulhoso do filho bilíngue.

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