31 de mai de 2012

De frente com o idioma desconhecido

A linguagem é um meio pelo qual todo ser humano consegue expor suas vontades, suas dificuldades e, em sua essência, comunicar-se com outras pessoas. No entanto, quando em contato com uma cultura e idioma desconhecido, fazer essas atividades antes naturais, torna-se um pouco mais complicado. Como as pessoas podem lidar com esse choque de cultura, ainda mais quando se é mais jovem?

Em casos de transferências de estrangeiros para o Brasil, por exemplo, é comum que a família do funcionário o acompanhe na mudança. O próprio colaborador, às vezes, não se sente confortável com tantas regras gramaticais do português e, com as crianças, isso pode ser ainda pior. Além disso, há grandes chances de os pequenos já falarem dois idiomas e, na mudança, ter que aprender um terceiro, até então distante da realidade dos menores. Neste caso, tornar-se trilíngue poderia ser ainda mais complicado, mas Jardel Pedrosa, docente do Centro de Idiomas da Faculdade Pitágoras, discorda. “Em um caso como esse, acho que a introdução do terceiro idioma facilita o aprendizado, pois a criança já percebeu um mecanismo diferente de comunicação e a capacidade de uma nova forma de fazer entender”, ressalta.

Para ele, é mais prático para a criança fazer interferências no processo de aprendizagem, pois as comparações passam a ser mais naturais, resultando em um ensino e, consequentemente, aprendizado, mais efetivos. “Para isso, é necessário um bom preparo dos professores e demais funcionários da instituição para trazer o ensino do idioma o mais próximo possível da realidade da criança, levando em conta todo o conhecimento prévio e vivência”, adverte Pedrosa.

Independentemente se for o segundo ou o terceiro idioma, o professor dá a dica para que o ensino seja mais natural. “Explorar o lado lúdico do idioma e amenizar as cobranças excessivas, transformando o aprendizado em prazer, é de suma importância. Um bom acolhimento faz com que a criança passe a ter confiança e se solte cada vez mais”, finaliza.

28 de mai de 2012

Para não deixar o inglês de lado

Aprender um segundo idioma é uma tarefa que requer prática, dedicação e principalmente vivência em situações de uso real da língua. Por esta razão, nas escolas Maple Bear, os alunos, a partir dos dois anos de idade, vivem uma experiência de imersão na segunda língua, sendo estimulados diariamente a pensar, raciocinar e se comunicar em inglês.

Mesmo assim, é importante que as atividades realizadas na escola não sejam interrompidas do portão para fora. Os pais, neste cenário, desempenham um papel importante para ajudar seus filhos a ampliarem de maneira mais eficaz o que eles aprenderam enquanto estavam em sala de aula. O sucesso, aliás, não depende de horas de dedicação em casa. Com atividades divertidas de curta duração, as crianças aprendem a ter mais gosto por aprender – e, na equação, todos saem ganhando.

Mesmo com uma rotina agitada, a presença dos pais é essencial para o desenvolvimento das crianças. Para Keity Queiroz Lioi, diretora pedagógica da Maple Bear São Bernardo do Campo, os pais têm papel importante no processo de aprendizagem e formação de sua identidade. “Uma vez que eles participam e se interessam pelas atividades desenvolvidas pelo filho na escola, o aluno se torna emocionalmente seguro e feliz, motivando-o nos estudos e facilitando o aprendizado”, ressalta.

Praticando em casa

Nenhum pai precisa falar com fluência o inglês para contribuir na educação dos filhos que estudam em escolas bilíngues. “Os pais podem colocar os filhos para assistir desenhos em inglês, fazer leituras de livros infantis, perguntar sobre o enredo ou palavras que conhece ou pedir para contar o que ele fez na escola”, afirma Keity.

Além disso, a diretora comenta que, durante um passeio de carro, por exemplo, as brincadeiras e atividades também têm o seu espaço. “Os pais podem brincar com a criança, pedindo para ela encontrar carros de determinadas cores, explicar as cores do semáforo e soletrar placas de carros, inclusive os números, em inglês”, sugere.

Em casa, até a hora do banho ou do jantar pode ser aproveitada para aprender. “Peça para que a criança nomeie os brinquedos em inglês e invente alguma história no banho. Na hora da refeição, use estrutura simples e repetitivas, como ‘would you like?’ (você gostaria?), ‘no, thanks’ (não, obrigado) e ‘yes, please’ (sim, por favor). Isso ajuda bastante”, sugere a diretora.

No entanto, é necessário que os pais entendam e respeitem o tempo dos filhos, cuidando para que eles se sintam à vontade. “Os responsáveis devem encarar essas tarefas como algo prazeroso e sem muitas cobranças, não forçando uma situação em que o filho ainda não está preparado para desenvolver no momento”, conclui.

23 de mai de 2012

Intercâmbio para estudantes de escola bilíngue

O intercâmbio cultural já virou uma prática comum entre os jovens que têm como objetivo a imersão total em um país de cultura e idioma diferentes. Na maioria dos casos, os jovens procuram países de língua inglesa.
A pedagoga Maria Clara Valentim afirma que a escolha pelo inglês deve-se ao fato de que dominar este segundo idioma é muito importante para o currículo de quem, em pouco tempo, entrará no mercado de trabalho. “Hoje as empresas já não se contentam apenas com diplomas de escolas de inglês. O candidato a uma vaga deve ter a fluência no idioma, tanto na escrita quanto na fala”, explica.
Mas e quanto aos jovens que estudaram em escolas bilíngues? Neste caso, afirma Maria Clara, o intercâmbio ainda é válido, mas não se faz tão necessário. A pedagoga diz que uma pessoa que tenha passado boa parte de sua infância na imersão bilíngue, teoricamente, domina tão bem o idioma quanto aqueles que optam pela experiência no exterior.

Experiência
Para ela, porém, uma temporada fora do país não aperfeiçoa apenas o idioma dos jovens. “Ao fazer intercâmbio, o jovem aprende a ser dono do próprio nariz, a arcar com responsabilidades e a enfrentar, sozinho, uma cultura diferente da sua”, ressalta.
A pedagoga aconselha àqueles que já dominam um segundo idioma a fazer intercâmbio em um país que ofereça uma terceira língua. Maria Clara diz que se um jovem brasileiro com fluência na língua inglesa, por exemplo, optar por viajar à França, adquirirá a bagagem cultural e a maturidade própria deste tipo de experiência, além de entrar em contato com um terceiro idioma.  
“A dica é aproveitar a experiência para adicionar conhecimentos que serão importantes no futuro. Intercâmbio não é só sinônimo de inglês. O aluno bilíngue tem a vantagem de passar pela mesma experiência dos outros jovens e ainda voltar com um diferencial na bagagem”, afirma Maria Clara.

15 de mai de 2012

A arte de lecionar

“A Maple Bear foi o meu primeiro contato real com o bilinguismo. Fiquei impressionada com o modo com que as crianças, tão pequenas, expressavam-se e compreendiam o inglês”. No início de sua carreira, Camila Andrade Chagas, professora da Maple Bear Aracaju, espantava-se com tamanha rapidez com que seus alunos aprendiam o segundo idioma, mas depois acostumou-se com a velocidade do aprendizado.

De fato, este parece ser um mundo novo não só para os pequenos que aprendem, mas também para os profissionais que passam horas do dia ensinando outra língua para as crianças. “Eu tinha inúmeras perguntas em mente e a maioria era sobre a mesma ideia: como é possível que crianças com dois anos, que nem falam português, já compreendam a língua e balbuciem respostas em inglês?”, indagava-se.

Na Maple Bear, o conforto, no entanto, não demora a aparecer. Ao iniciar na escola, Camila participou de alguns cursos com especialistas canadenses e também do processo de elaboração de aulas, onde era debatida a funcionalidade de cada atividade e o objetivo do trabalho. Todo esse cuidado fez com que a professora se sentisse ainda mais segura para dar início à jornada. “Um ponto muito importante do processo de execução do bilinguismo é a organização da escola ao oferecer treinamentos, cursos e discussões sobre os aspectos educacionais”, afirma.

Diferenças de ensino
Com a propriedade de quem também lecionou para crianças em escolas tradicionais, Camila comenta que o bilinguismo estimula ainda mais o docente. Além disso, traz aspectos que facilitam o ensino. “Uma criança exposta a dois ou mais idiomas consegue aumentar a intensidade do desenvolvimento cerebral, porque os neurônios estão mais propensos a receber estímulos. Essa abertura de ideias reflete em vários aspectos durante toda a vida da criança, inclusive nas relações sociais”, aponta.

Isso significa que ensinar uma criança em português e inglês não dificulta o seu processo educacional. Camila explica que a criança que estuda em escola bliíngue passa por um processo de desenvolvimento de habilidades diferentes, as quais a ajudarão a compreender melhor o mundo ao seu redor, além de desenvolver o raciocínio lógico. 

Camila, que leciona na Maple Bear há cinco anos, já passou pela turma do Toddler (crianças com dois anos), do Intermediate Kindergarten (de cinco anos) e o Year 2 (sete anos). Atualmente, além do Intermediate Kindergarten, ela dá aula para o Year 4 (de oito e nove anos). “Realizo-me como profissional quando estou em sala de aula. Sou muito curiosa, dedicada e adoro desafios. Por isso, não tenho uma turma preferida, são todos trabalhos diferenciados por causa da faixa etária e do desenvolvimento cognitivo das crianças pertencentes a cada uma”, finaliza.

10 de mai de 2012

De onde vem o sotaque?

Aprender um segundo idioma na adolescência ou durante a fase adulta é um pouco mais difícil para algumas pessoas. Além da própria gramática, um dos aspectos mais complicados deste aprendizado pode ser a pronúncia. Mesmo um estrangeiro que viva no Brasil há muitos anos pode denunciar sua origem ao falar o português. O sotaque, como é conhecida a pronúncia das palavras ao se falar um segundo idioma, insiste em aparecer. Mas, por que perder esse acento nas palavras é tão difícil?

Laura Giotto Cavalheiro, professora de fonoaudiologia da UNIME de Lauro de Freitas, explica que as crianças nascem com habilidades linguísticas zeradas em termos de palavras, organização de frases e sons, mas que têm módulos cerebrais que as permitem preencher estes vazios. “A partir destes módulos cerebrais inatos, a criança é capaz de imitar e aprender o lugar e o modo de se realizar um determinado som apenas observando os falantes, sem que nenhum deles tenha parado para explicar exatamente como fazer aquele som”, ressalta.

Para ela, a criança é capaz de perceber e diferenciar todas as nuances entre os dois idiomas. No entanto, explica, a partir do aprendizado dos sons da primeira língua, as estruturas fonéticas se solidificam no cérebro e, quando se aprende um novo idioma, há tendência de substituir um som estranho por um som familiar. Assim, nasce o sotaque. “No momento de pronunciar palavras de uma nova língua tendemos a manter entonações, ritmos e sons da forma mais familiar possível, dando a sensação de uma “mistura” de fonemas”, comenta.

Laura ressalta que este é o principal fator que impede que adultos percam o sotaque ao falarem outro idioma. “Diante de um modulo ‘zerado’, são oferecidos padrões de sons que se distinguem por pequenas nuances. Estes padrões são aprendidos e tornam-se referência para o cérebro. Assim, fica quase impossível mascarar este acento nativo para a segunda língua, já que o cérebro tenta manter os padrões iniciais”, conclui.

Contribuição do ensino bilíngue
Pelo fato de as crianças estarem mais abertas a novas associações entre duas ou mais línguas, o bilinguismo colabora para que os menores falem com mais fluência, sem qualquer interferência de uma língua na outra. “Mantendo a ideia dos módulos cerebrais e da pronúncia sempre buscar familiaridade, o bilinguismo infantil permitirá aprender uma variação maior de sons familiares e a criança poderá evitar o sotaque”, ressalta a fonoaudióloga.

Laura comenta que alguns estudos de mapeamento funcional do cérebro comprovaram estas afirmativas, pois identificaram que as crianças que ouvem dois idiomas no ambiente em que vivem utilizam a mesma região cerebral para as duas línguas. Ou seja, para estas crianças, ambas as línguas serão línguas maternas. 

7 de mai de 2012

É brincando que se aprende!

Entre professores e outros profissionais da educação, não é difícil encontrar alguém que confirme a frase que dá nome ao título deste texto. Afinal, é fato conhecido que os alunos, especialmente as crianças, aprendem muito bem em contato com brinquedos, pois esta é uma forma atrativa e eficaz de prender a atenção dos pequenos em sala de aula.

Estamos falando de crianças e, por conta disso, em uma escola bilíngue, esta realidade não poderia ser diferente. Dentro de instituições que ensinam dois idiomas, no entanto, alguns brinquedos podem ser melhor aproveitados para o ensino.

“Os brinquedos exercem uma influência essencial para o desenvolvimento da criança. Mesmo quando eles não têm referências de serem educativos, eles fazem parte do processo de educação das crianças”, acredita Daiane Costa, assistente de marketing da Yellow, empresa brasileira de brinquedos.

Pensando em ampliar ainda mais seu mercado, a empresa lançou alguns brinquedos bi e trilíngues. Difícil de acreditar? Há alguns anos, talvez. Hoje, porém, crianças já se divertem com diversas opções de  jogos e passatempos em mais de uma língua. Isso, acredita Daiane, ajuda os menores na fixação do segundo ou terceiro idioma.

“Sabe-se que, em sala de aula, a criança nem sempre absorve tudo o que é passado na teoria. Aprender exige que o aluno estude em casa e, às vezes, até aplique o conhecimento em situações do dia a dia para entender melhor o conteúdo. Brinquedos bi ou trilíngues podem ajudar muito nessa parte, transformando o aprendizado em pura brincadeira”, ressalta a profissional. 

3 de mai de 2012

Mundo globalizado exige jovem bilíngue


Não são novidades no currículo escolar de institutos de ensino brasileiros matérias como inglês e espanhol. O contato dos alunos com um segundo e até terceiro idioma sempre foi considerado importante. Mas, hoje, este aprendizado deve ser levado muito mais a sério.

Para Fábio Mello, psicopedagogo e linguista, o mundo cada vez mais globalizado faz com que o domínio e a fluência em outras línguas sejam itens obrigatórios na bagagem dos jovens – não só para entrar no mercado de trabalho, mas até mesmo no cotidiano, que está cada vez mais dinâmico e bilíngue. “Uma criança que não tenha noção alguma de inglês, por exemplo, não consegue nem acessar a internet com fluidez. Mais até do que a rede virtual, outras plataformas atrativas para os jovens, como jogos de videogame, são completamente incompreensíveis sem o conhecimento do idioma. Ou seja, nosso lazer e dia a dia passaram a ser bilíngues”, aponta.

Maria Lúcia Andrade concorda. A psicóloga comenta ainda que este fenômeno não tem a ver apenas com a língua. “Até a maneira de fazer negócios muda com a globalização. Temos no Brasil muitas multinacionais em que a cultura de trabalho é americana, por exemplo. Apesar de cada país manter suas particularidades, há uma nova forma comum de comunicação e comportamento. O jovem, mais do que nunca, deve estar atento a tudo isso”, ressalta.

Antenados desde pequenos
Na visão de Mello, alunos de escolas bilíngues saem na frente dos demais na hora de lidar com o novo mundo e suas consequentes tecnologias e exigências. O psicopedagogo acredita que instituições de ensino como a Maple Bear Canadian School estão munidas de infraestrutura suficiente para fazer com que as crianças estejam preparadas a enfrentar a globalização. “Escolas bilíngues naturalmente obrigam os alunos a pensar de maneiras diferentes. Estas crianças estão expostas a dois idiomas e duas visões de mundo ao mesmo tempo. Elas vivem uma imersão cultural e linguística e esta experiência, vivenciada desde muito cedo, passa a ser um diferencial gritante ao longo da vida”, afirma.

Para Maria Lúcia, de fato, a melhor escolha dos pais é fazer com que seus filhos tenham contato com o idioma inglês e com a cultura de outros países ainda na infância. A psicóloga explica que, até os seis anos de idade, as crianças absorvem informações como uma esponja. “Quanto antes elas entenderem como funciona nossa sociedade globalizada, menos traumatizante será crescer e ter que lidar com ela. Certamente, crianças que passam por uma educação bilíngue estão mais preparadas para o mundo e creio que este tipo de ensino é uma tendência para os novos tempos”, aponta.