15 de mai de 2012

A arte de lecionar

“A Maple Bear foi o meu primeiro contato real com o bilinguismo. Fiquei impressionada com o modo com que as crianças, tão pequenas, expressavam-se e compreendiam o inglês”. No início de sua carreira, Camila Andrade Chagas, professora da Maple Bear Aracaju, espantava-se com tamanha rapidez com que seus alunos aprendiam o segundo idioma, mas depois acostumou-se com a velocidade do aprendizado.

De fato, este parece ser um mundo novo não só para os pequenos que aprendem, mas também para os profissionais que passam horas do dia ensinando outra língua para as crianças. “Eu tinha inúmeras perguntas em mente e a maioria era sobre a mesma ideia: como é possível que crianças com dois anos, que nem falam português, já compreendam a língua e balbuciem respostas em inglês?”, indagava-se.

Na Maple Bear, o conforto, no entanto, não demora a aparecer. Ao iniciar na escola, Camila participou de alguns cursos com especialistas canadenses e também do processo de elaboração de aulas, onde era debatida a funcionalidade de cada atividade e o objetivo do trabalho. Todo esse cuidado fez com que a professora se sentisse ainda mais segura para dar início à jornada. “Um ponto muito importante do processo de execução do bilinguismo é a organização da escola ao oferecer treinamentos, cursos e discussões sobre os aspectos educacionais”, afirma.

Diferenças de ensino
Com a propriedade de quem também lecionou para crianças em escolas tradicionais, Camila comenta que o bilinguismo estimula ainda mais o docente. Além disso, traz aspectos que facilitam o ensino. “Uma criança exposta a dois ou mais idiomas consegue aumentar a intensidade do desenvolvimento cerebral, porque os neurônios estão mais propensos a receber estímulos. Essa abertura de ideias reflete em vários aspectos durante toda a vida da criança, inclusive nas relações sociais”, aponta.

Isso significa que ensinar uma criança em português e inglês não dificulta o seu processo educacional. Camila explica que a criança que estuda em escola bliíngue passa por um processo de desenvolvimento de habilidades diferentes, as quais a ajudarão a compreender melhor o mundo ao seu redor, além de desenvolver o raciocínio lógico. 

Camila, que leciona na Maple Bear há cinco anos, já passou pela turma do Toddler (crianças com dois anos), do Intermediate Kindergarten (de cinco anos) e o Year 2 (sete anos). Atualmente, além do Intermediate Kindergarten, ela dá aula para o Year 4 (de oito e nove anos). “Realizo-me como profissional quando estou em sala de aula. Sou muito curiosa, dedicada e adoro desafios. Por isso, não tenho uma turma preferida, são todos trabalhos diferenciados por causa da faixa etária e do desenvolvimento cognitivo das crianças pertencentes a cada uma”, finaliza.

6 comentários:

  1. Adorei a reportagem. Realmente deve ser surpreendente ver crianças desenvolverem com tanta facilidade uma segunda língua, mesmo sabendo que elas têm mais facilidade para tal. Deve ser muito gratificante. Parabens Camila, tenho certeza que você é uma ótima professora!
    Roberta Rosim

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    1. Obrigada pelo comentário!

      Mesmo com a grande facilidade que as crianças têm para aprender, o trabalho dos professores é fundamental para tranformar essa jornada em algo lúdico e prazeroso. A Camila é um exemplo disso!

      Abraços,
      Equipe do Blog Ensino Bilíngue

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  2. Adorei essa matéria! Muito interessante a experiência da Camila. Vale muito a pena compartilhar! Abraço. Elaine Paixão

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    1. Olá, Elaine!

      Obrigada por compartilhar com a gente a sua opinião. Se tiver sugestões de temas, vamos adorar escrever sobre eles aqui.

      Abraços,
      Equipe do Blog Ensino Bilíngue

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  3. Acredito não ser comum ver um pedagogo transitar nas diferentes idades com a mesma desenvoltura. Tenho um filho bilinque com 3 anos e meio e até hoje ele não parou para me perguntar por que eu só falo ingles com ele e portugues com os demais. Imagino que deva ser bem mais difícil manter o segundo idioma em casa quando ele realizar que eu também posso falar Portuges.

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  4. Olá!

    Obrigada por participar do Blog Ensino Bilíngue.

    Sobre a sua questão, a Andressa Lutiano, pedagoga pós-graduada em didáticas do ensino bilíngue, comentou no post "O cérebro tem espaço para guardar diferentes línguas", aqui publicado, que a criança que aprende duas línguas vai associar que existem duas línguas diferentes, uma que se fala em casa e outra que se fala na escola, no caso de crianças que estudam em escolas bilíngues. “Ela vai visitar seus parentes e vai perceber que sua avó, por exemplo, não entende quando ela fala o idioma que aprende na escola. Então ela vai ter na cabeça dela que com a avó deve falar português e não inglês. É um processo muito simples”, conta.

    Já Tália Jaoui, psicóloga com especialização em programação neurolinguística, recomenda que, para reforçar o que é ensinado nas escolas bilíngues, os pais interajam com seus filhos em inglês. “A falta de treino incentiva o não aprendizado. Costumo dizer que, com a motivação adequada, podemos aprender até sobre o dia da nossa morte na velhice”, afirma. Esse comentário está no post "Infância é a melhor época da vida para aprender", também publicado em nosso blog.

    Ou seja, com o tempo, seu filho vai entender que ele pode falar com você em inglês e português. Vai entender também que algumas pessoas só irão entender o português, mas que você entende ambos os idiomas.

    Bem, caso você tenha interesse, você pode ler os dois posts na íntegra em: http://www.ensinobilingue.com.br/2011/10/o-cerebro-tem-espaco-para-guardar.html e http://www.ensinobilingue.com.br/2011/11/infancia-e-melhor-epoca-da-vida-para.html.

    Abraços,
    Equipe do Blog Ensino Bilíngue

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