10 de mai de 2012

De onde vem o sotaque?

Aprender um segundo idioma na adolescência ou durante a fase adulta é um pouco mais difícil para algumas pessoas. Além da própria gramática, um dos aspectos mais complicados deste aprendizado pode ser a pronúncia. Mesmo um estrangeiro que viva no Brasil há muitos anos pode denunciar sua origem ao falar o português. O sotaque, como é conhecida a pronúncia das palavras ao se falar um segundo idioma, insiste em aparecer. Mas, por que perder esse acento nas palavras é tão difícil?

Laura Giotto Cavalheiro, professora de fonoaudiologia da UNIME de Lauro de Freitas, explica que as crianças nascem com habilidades linguísticas zeradas em termos de palavras, organização de frases e sons, mas que têm módulos cerebrais que as permitem preencher estes vazios. “A partir destes módulos cerebrais inatos, a criança é capaz de imitar e aprender o lugar e o modo de se realizar um determinado som apenas observando os falantes, sem que nenhum deles tenha parado para explicar exatamente como fazer aquele som”, ressalta.

Para ela, a criança é capaz de perceber e diferenciar todas as nuances entre os dois idiomas. No entanto, explica, a partir do aprendizado dos sons da primeira língua, as estruturas fonéticas se solidificam no cérebro e, quando se aprende um novo idioma, há tendência de substituir um som estranho por um som familiar. Assim, nasce o sotaque. “No momento de pronunciar palavras de uma nova língua tendemos a manter entonações, ritmos e sons da forma mais familiar possível, dando a sensação de uma “mistura” de fonemas”, comenta.

Laura ressalta que este é o principal fator que impede que adultos percam o sotaque ao falarem outro idioma. “Diante de um modulo ‘zerado’, são oferecidos padrões de sons que se distinguem por pequenas nuances. Estes padrões são aprendidos e tornam-se referência para o cérebro. Assim, fica quase impossível mascarar este acento nativo para a segunda língua, já que o cérebro tenta manter os padrões iniciais”, conclui.

Contribuição do ensino bilíngue
Pelo fato de as crianças estarem mais abertas a novas associações entre duas ou mais línguas, o bilinguismo colabora para que os menores falem com mais fluência, sem qualquer interferência de uma língua na outra. “Mantendo a ideia dos módulos cerebrais e da pronúncia sempre buscar familiaridade, o bilinguismo infantil permitirá aprender uma variação maior de sons familiares e a criança poderá evitar o sotaque”, ressalta a fonoaudióloga.

Laura comenta que alguns estudos de mapeamento funcional do cérebro comprovaram estas afirmativas, pois identificaram que as crianças que ouvem dois idiomas no ambiente em que vivem utilizam a mesma região cerebral para as duas línguas. Ou seja, para estas crianças, ambas as línguas serão línguas maternas. 

2 comentários:

  1. Esse ensino é realmente maravilhoso, ótimo seria se todas as crianças no Brasil tivessem esse método em suas escolas! Parabéns!

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  2. Olá, Joanie.

    Obrigada por participar do nosso Blog!

    Abraços,
    Equipe Ensino Bilíngue

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