4 de jun de 2012

Professores devem ficar atentos ao bullying

Apelidar os colegas é uma prática bastante comum, especialmente na infância e adolescência. Quando maliciosa, a brincadeira, no entanto, deixa de lado o tom amigável e assume papel negativo no desenvolvimento social e intelectual de quem recebe o apelido. A isso, dá-se o nome de bullying, um ato que vem ganhando cada vez mais atenção nas escolas em todo o mundo.

Em uma escola bilíngue, isso não é diferente. Eventualmente, o bullying pode acontecer e prejudicar a evolução escolar das crianças. Paula Pessoa Carvalho, psicóloga infantil comportamental e orientadora educacional, explica que o bullying pode ocorrer em qualquer lugar onde existam crianças que se encontram com frequência. “Um dos principais motivos é um círculo vicioso de agressões. A criança que sofre algum tipo de violência ou que vive em um ambiente agressivo reproduz esse comportamento com outras crianças”, explica.

Paula conta que, nesta prática, o agressor seleciona as crianças mais fracas ou quietas, que não irão se defender ou reclamar por agredi-las física ou verbalmente, com apelidos, xingamentos, empurrões, beliscões e tapas.

No caso de escolas bilíngues, que muitas vezes recebem crianças de outras nacionalidades, o bullying pode ser mais frequente, uma vez que as crianças estrangeiras ainda aprenderão o português e são estranhas para os outros colegas. Por outro lado, se uma criança brasileira do grupo passa a errar a pronúncia de uma palavra em inglês, as brincadeiras também podem aparecer.

“No início, as crianças estrangeiras podem sentir um tratamento diferenciado, mas logo se encaixam. O bullying, porém, acontece com crianças que não reclamam da agressão, independentemente da nacionalidade dela. Caso ela tenha essas características – não reclamar, aceitar provocações e não delatar o agressor –, elas podem ser vítimas de bullying”, ressalta a psicóloga.

Consequências agravantes
Uma criança que sofre bullying, especialmente em casos de escolas bilíngues, pode, inclusive, ter sérias consequências que acarretam em problemas de aprendizagem. Como Paula explica, se as crianças são “zoadas” na hora do ensino, elas ficam retraídas, com medo de serem criticadas ou agredidas por outros alunos. “Porém, podem ocorrer outras consequências ainda mais graves, como depressão, faltas injustificadas, doenças psicossomáticas e, futuramente, elas podem se tornar pessoas agressivas”, lembra a profissional.

Para evitar que esse cenário aconteça é preciso ficar atentos aos comportamentos dos estudantes. “Os professores podem ajudar muito, pois eles sabem quem são os alunos mais agressivos, os mais quietos e os tímidos, podendo assim tomar ações contra a violência dentro da escola”, completa Paula.
Além disso, a psicóloga afirma que os educadores podem usar uma tática preventiva com ações de esclarecimento contra o bullying, ou atividades de integração e sensibilização entre as crianças.

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