2 de jul de 2012

Crianças com altas habilidades e os idiomas

Seu filho ou aluno é muito curioso, não para de fazer perguntas e tem muito interesse por um determinado tema? Ao mesmo tempo, esta criança tem dificuldades de se concentrar e, por vezes, fica muito agitada?

Crianças com estas características muitas vezes dão trabalho em sala de aula ou na hora de fazer lições de casa. Algumas, ao serem avaliadas por profissionais como psicólogos e neurologistas são diagnosticadas com Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) ou como superativas. Mas, em certos casos, os diagnósticos estão errados.

A criança com esses sintomas pode ter, na verdade, apenas alta habilidade ou superdotação, termo correto para definir crianças superdotadas, que não são mais chamadas assim por terem o nome da habilidade carregado de mitos que não são reais. Quem explica é Ada Toscanini, presidente da Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação (APAHSD).

Características e diagnósticos errados
Ada explica que uma pessoa com superdotação não necessariamente domina todos os assuntos. Alta habilidade nada mais é do que o desenvolvimento acelerado de algumas áreas da inteligência, portanto, essas pessoas podem apresentar altas habilidades apenas em um tema específico e ter muita dificuldade de concentração quando se trata de outros assuntos. “As crianças com alta habilidade se interessam por um tema não conseguem focar em mais nada. Esta característica, inclusive, é vista como falta de atenção por pais e professores”, afirma.

A presidente da APAHSD conta que, no Brasil, ainda é muito difícil reconhecer uma criança com superdotada. Sem a informação necessária para serem reconhecidas com altas habilidades, muitas crianças passam por tratamentos inapropriados com remédios ou terapia convencional. Porém, Ada ressalta que a inteligência, felizmente, não será sanada com remédio e que a terapia, se mal conduzida, poderá fazer com que a criança sinta-se incompreendida e causadora de problemas. “Em vez de incentivar a alta habilidade, o tratamento errado atrapalha o desenvolvimento da criança”, ressalta.

Ensino bilíngue
Ada afirma que, depois do reconhecimento da superdotação, o ensino bilíngue não deve ser evitado, mesmo se a criança não apresentar altas habilidades em linguagem ou idiomas. Para ela, a melhor idade para qualquer pessoa assimilar um segundo idioma é na primeira infância, até os seis anos de idade. “Conheço muitas crianças com altas habilidades que falam dois idiomas. Se começar desde pequeno, o bilinguismo desenvolve o intelecto e faz com que a criança aprenda com naturalidade”, afirma.

Identificação
Mas como reconhecer um superdotado? Ada afirma que a noção de superdotação chegou ao Brasil apenas no ano de 2002, por isso temos poucos profissionais especializados na área e ainda é tão difícil o reconhecimento dessas características. Ela afirma que a maioria das instituições utiliza o teste de Quociente de Inteligência (QI) como único instrumento capaz de avaliar altas habilidades, mas que a ferramenta nem sempre é suficiente. “Em alguns casos, a pessoa tem alta habilidade em apenas um tema e este pode ser música, que não é avaliado no teste de QI. Para fazer um bom diagnóstico, a associação conta com nove profissionais de áreas diferentes para fazer avaliações. Só assim temos a exata noção de habilidade da criança”, conta.

A alta habilidade não exige tratamento, mas estímulos para que a criança aprenda com profundidade o tema que lhe interessa e consiga concentrar-se em outros assuntos. Na APAHSD, as crianças passam por aulas de Yogaterapia e terapia de autoconhecimento. A associação também orienta pais e professores para que saibam lidar com a criança da melhor maneira possível, com estímulo nas áreas de desenvolvimento acelerado e sem pressão em matérias que a criança tenha dificuldade.

Quem tiver interesse pode entrar em contato com a Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação (APAHSD) pelo telefone (11) 5092-2759 ou pelo e-mail: faleconosco@apahsd.org.br

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