30 de ago de 2012

Profissão bilíngue: Tradutor


Hoje, o conhecimento da língua inglesa é muito importante para qualquer profissional. Porém, em algumas áreas, a perfeita fluência no segundo idioma é essencial. Para apresentar as várias profissões ligadas ao bilinguismo, iniciamos hoje uma série especial do Blog Ensino Bilíngue. E a primeira é a do Tradutor. Confira!

Roberto Ranieri é tradutor e intérprete. Ele acredita que se não tivesse contato com o inglês desde pequeno, não teria conseguido sucesso na carreira escolhida. “Meus avós são americanos e, apesar de morarem no Brasil há muitos anos, ainda se comunicam na língua inglesa. Quando pequeno, eu me interessei pelo vocabulário diferente que eles usavam e acabei aprendendo a falar o idioma para poder conversar naquela língua também”, conta.

Ranieri começou a fazer aulas de inglês aos dez anos de idade, mas, nesta época, já falava e entendia o idioma com facilidade. As aulas foram muito importantes para que o então aluno pudesse aprender regras gramaticais e a escrita.

Da infância para a vida

Por estar sempre em contato com os dois idiomas ao mesmo tempo, aos 18 anos, Ranieri escolheu a profissão que seguiria. “Minha mãe e meus irmão não falavam inglês direito e eu adorava traduzir conversas secretas de meus avós para eles. Não tive dúvidas, tinha certeza que gostaria de trabalhar com os dois idiomas no meu dia a dia, então escolhi tradução e interpretação para cursar na faculdade”, diz.

Hoje, ele trabalha principalmente com tradução simultânea ao vivo em palestras e eventos. A profissão também consiste em tradução de documentos, textos, contratos, publicações e legendas de filmes e programas de televisão. “Meu trabalho exige um alto nível de concentração, mas, acima de tudo, o fundamental é ter muito domínio nos dois idiomas que utilizo – inglês e português. Sem isso, não teria condições de trabalhar em minha área”, ressalta.

Além de tradutor, outras profissões que podem ser consideradas bilíngues são: diplomata, hoteleiro, professor de inglês e correspondente internacional. Complementando, profissionais diversos que trabalham em multinacionais ou com relações internacionais e comércio exterior também precisam saber dois idiomas. “No mundo globalizado em que vivemos todas as profissões já são bilíngues”, comenta Ranieri.

23 de ago de 2012

Somos todos bilíngues



Pen drive, coquetel, happy hour, bife, feedback, drible, deletar e xerocar. Não precisa ser bilíngue para estar bem familiarizado com estas palavras e expressões. Mas você sabia que o seu uso tão frequente em nosso dia a dia é resultado do estrangeirismo ou peregrinismo?

Trata-se do uso de palavras ou expressões estrangeiras em vez da correspondente em nossa língua. Rosana Feldman, professora de linguagem da Universidade de São Paulo (USP), explica que muito do estrangeirismo é usado apenas por vício de linguagem, mas que algumas palavras estrangeiras já fazem parte até do nosso dicionário, como bife, coquetel e driblar – todas de origem inglesa.

A professora conta que a mania de utilizar palavras de outros idiomas começou como um empréstimo. “Não tínhamos expressões atribuídas a certas situações ou até mesmo objetos e pegamos as palavras emprestadas. Isso aconteceu lá nos anos 1.500, mas com a nossa relação cada vez mais frequente com outras línguas, é comum que cada vez mais tenhamos palavras estrangeiras no nosso vocabulário”, diz. Isso significa que nossa mania de usar termos em outros idiomas não é típica da globalização. Mas, por conta desse processo, cada vez mais teremos influência de outras línguas, principalmente a inglesa.

Rosana acredita que a língua portuguesa não está sendo afetada pelo estrangeirismo, mas sim enriquecida. “O inglês é o idioma universal, temos contato com ele a todo o momento e, cada vez mais, conhecemos crianças e adultos bilíngues. Este fenômeno influencia o impacto que a língua tem em nosso cotidiano. Certamente teremos mais expressões americanas presentes no nosso dicionário daqui para frente, pois importamos de outros países o que precisamos e gostamos, inclusive palavras”, afirma.


20 de ago de 2012

Interesse no aprendizado vem de casa

Em algumas crianças, a vontade de aprender, a sede de conhecimento e a curiosidade estão no DNA. Mas não é todo mundo que gosta de frequentar a escola, prestar atenção nas aulas e ler livros nos momentos de lazer. Para estas pessoas, a psicopedagoga Christiane Dias Freitas afirma que o exemplo é o melhor remédio. Ela diz que alguns pequenos criam uma barreira emocional para aprender coisas novas e essa dificuldade pode se dar em muitas e diferentes disciplinas, inclusive no aprendizado de um segundo idioma.

Christiane conta que meninos e meninas que têm pais que não falam inglês, por exemplo, podem se sentir acanhados em levar para casa conhecimentos que não são comuns em casa. “Uma criança que vê a mãe conversando em um idioma diferente, vai ter curiosidade e interesse em entender o que ela está falando e vai querer aprender a fazer igual. Mas se perceber que está falando coisas que seus pais não entendem, pode passar a ter menos interesse na matéria ou criar um bloqueio”, diz.

O mesmo pode acontecer na situação oposta, quando os pais têm muito domínio no assunto com o qual a criança está tendo o primeiro contato e, por isso, tendem a corrigir o filho e a reprimi-lo por não estar falando corretamente ou utilizando um verbo da maneira errada, por exemplo. Apesar dessa reação, que na maioria dos casos acontece de forma natural e com o objetivo de auxiliar o aprendizado dos filhos, repreender não é a melhor saída.

Christiane afirma que a resistência ao aprendizado pode ser quebrada pelo reforço positivo, um simples exercício dos pais de mostrar aos filhos que obter novos conhecimentos pode ser muito legal. Funciona mais ou menos assim: se os pais perguntarem para o filho o que ele aprendeu na escola no dia e mostrarem empolgação com as novidades e até dividirem um pouco do conhecimento que também têm sobre o assunto, a criança vai se encantar com esta reação e terá o interesse de trazer sempre coisas novas.

“Mesmo se os pais precisarem corrigir o filho, devem fazê-lo de uma maneira positiva. E se não souberem nada sobre o assunto ou não dominarem o idioma, podem e devem fazer perguntas, se interessar em saber como se fala algo naquela língua e fazer associações com ídolos da criança, como atores ou cantores que falam tal idioma”, comenta.

O exemplo está também no ato de ler livros ou jornais aos fins de semana, interessar-se por artes e praticar esportes. “Os filhos tendem a imitar, pelo menos na infância, os gostos e interesses dos pais, sejam eles positivos ou negativos”, ressalta Christiane.

13 de ago de 2012

Homeschooling não é adequado para ensino bilíngue

Ensino doméstico ou domiciliar consiste em educar os filhos dentro da própria casa em vez de confiá-los a escolas públicas ou privadas. A prática, também conhecida como homeschooling é muito comum em países como Estados Unidos, Portugal e Canadá – este último tem cerca de 60.000 crianças sendo ensinadas em casa. O aprendizado é, geralmente, ministrado por familiares ou professores particulares.

Denise Couto, fonoaudióloga e pedagoga, afirma que para o ensino bilíngue esta prática não é eficaz. Ela acredita que o homeschooling pode afetar até mesmo o poder de fala e entendimento de uma criança, porque o aprendizado de idiomas é mais eficiente se o aluno tiver contato com diferentes sotaques, pronúncias e entonações. “A interação com diferentes pessoas em um ou mais idiomas é fundamental para que a criança acostume seu ouvido e tenha a linguagem fixada no cérebro”, diz.

Denise orienta que o ensino em casa deve se ater a lições de casa e exercícios motivacionais para que o aprendizado seja mais prazeroso. “Se a criança tiver pais que falam inglês, por exemplo, é muito importante que incentivem a criança a praticar o segundo idioma e perguntem como se fala o nome de objetos na outra língua. Mas o ensino é dever de professores qualificados, que têm técnicas para que a educação bilíngue seja aplicada de maneira correta”, diz.

Controvérsias

Maria Lúcia Mendes, psicopedagoga, conta que o ensino doméstico não é permitido no Brasil e aqueles que decidirem educar os filhos dentro de casa estão sujeitos a processos por abandono intelectual.

A profissional ressalta, ainda, que existe um intenso debate entre educadores a respeito dos benefícios e malefícios desta modalidade. A discussão aborda temas como qualidade do ensino e convívio com outras crianças. “Escolas exigem professores qualificados, com especializações, mestrado e doutorado visando a eficácia do ensino e o aprendizado correto dos alunos. O grande problema educacional do homeschooling é a falta de preparo dos pais para ensinar a seus filhos disciplinas como matemática, ciências, história e geografia”, diz.

A psicopedagoga acredita também que a falta de contato com outras crianças pode prejudicar tanto a identidade quanto a noção de sociedade de uma criança. “É diferente brincar de vez em quando no parque com meninos e meninas e conviver com eles todos os dias e ter que lidar com diferenças. Uma pessoa que passa a infância e a adolescência dentro de casa vai ter muitas dificuldades quando tiver que encarar o mundo adulto”, aponta.

9 de ago de 2012

Escolas bilíngues e escolas internacionais

Aulas que começam às 8h30 e terminam às 17h, ano letivo que começa apenas em setembro e matérias semestrais. Almoço estilo bandejão, foco em esportes e aulas optativas como cerâmica ou marcenaria. Assim funcionam algumas escolas internacionais que atuam no Brasil.

Como nas escolas bilíngues, o ensino internacional oferece ao aluno acesso ao segundo idioma desde a primeira infância, mas, apesar de parecidos, estes dois tipos de instituições nasceram com propósitos diferentes.

Fernando Schütz, diretor de uma escola internacional alemã, conta que escolas internacionais surgiram por conta da necessidade de educação de famílias estrangeiras residindo no Brasil. Ele diz que antigamente as escolas internacionais aceitavam apenas comunidades específicas de estudantes que vinham de determinados países. Existia a escola alemã, a americana e a francesa, por exemplo, que não aceitavam alunos brasileiros ou de outras nacionalidades.

Schütz explica que as escolas internacionais serviam para que estrangeiros recém-chegados ao Brasil pudessem adaptar-se à cultura brasileira e, aos poucos, aprender o idioma. Já as escolas bilíngues nasceram com o objetivo de oferecer às crianças brasileiras o contato com o segundo idioma e com a cultura de outros países.

Para o diretor, as diferenças continuam as mesmas, mas as regras em ambas instituições são muito mais maleáveis: escolas bilíngues são procuradas por estrangeiros morando no Brasil e nas escolas internacionais tanto o corpo docente quando as turmas de alunos já são compostos por estrangeiros e brasileiros. “Acredito que a maior diferença ainda existente seja a grade curricular. Muitas escolas internacionais ainda atendem apenas ao requisito curricular estrangeiro, podendo atender aos requisitos da política educacional brasileira ou não”, aponta.

Quanto ao aprendizado de línguas, Schütz acredita que ambas as escolas oferecem um ambiente de aquisição de linguagem perfeito, uma vez que o inglês ou qualquer outro segundo idioma não é encarado apenas como um objeto de estudo, mas sim como um instrumento de aprendizado utilizado diariamente dentro de sala de aula e fora dela. “Tornar-se bilíngue é uma consequência natural dos dois tipos de escola, seja a criança brasileira ou estrangeira”, afirma.

6 de ago de 2012

Informação e eficácia podem deslanchar ensino bilíngue no Brasil

O Brasil conta com um número crescente de escolas bilíngues. Para Milena Cruz, professora de inglês, o fato explica-se pela conscientização do brasileiro, que hoje entende a importância que o segundo idioma tem na vida de estudantes e profissionais.
Robson Muiños, coordenador de uma escola de idiomas, afirma que o interesse e procura por escolas deste tipo é um avanço para a educação brasileira, entretanto, ele acredita que este tipo de ensino ainda está limitado a poucas crianças.

Milena aponta que as pessoas têm um pouco de receio quanto a escolas bilíngues por causa da metodologia própria que adotam, geralmente diferentes do ensino padrão aplicado no Brasil. “A busca por escolas tradicionais ainda é muito grande e, por isso, escolas bilíngues acabam deixando de inovar por temer espantar novos alunos e pais receosos”, diz.

Já Muiños afirma que o que falta para o ensino bilíngue no Brasil não é a aceitação de novos pais, mas sim a implementação de um ensino forte e eficiente combinada com acesso a informação sobre o tema. Ele conta que muitos pais procuram cursos de inglês para seus filhos já adolescentes por não saberem que o aprendizado na primeira infância pode ser muito mais eficiente. “Recebemos pais de crianças com seis ou sete anos que ficam extremamente preocupados em saber se os filhos conseguirão lidar com o aprendizado de um segundo idioma tão cedo”, diz.

Milena aponta cidades do Canadá – que tem o francês e o inglês como idiomas oficiais – como modelos de bilinguismo. “Nestes lugares, o aprendizado de um segundo idioma é obrigatório. Desde pequenas, praticamente todas as crianças têm acesso à segunda língua e o aprendizado não é superestimado, flui de uma maneira natural. Não precisamos de uma segunda língua oficial para ter o ensino bilíngue implementado e acho que, aos poucos, vamos chegar a uma época em que a fluência em um segundo idioma não será um diferencial, mas algo comum”, afirma.

2 de ago de 2012

Aprender inglês desde cedo compensa no bolso e proficiência atrai oportunidades

Já comentamos aqui no blog que muitos alunos com enorme potencial perdem oportunidades de concorrer a bolsas de estudos de graduação, mestrado ou doutorado no exterior por conta de seu baixo conhecimento do segundo idioma. Foi pensando nisso que o Governo Federal brasileiro irá lançar no mês de agosto o programa Inglês Sem Fronteiras. O programa é voltado para os 100 mil estudantes com melhores resultados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – potenciais candidatos a 101 mil bolsas para estudar no exterior que devem ser concedidas até 2015.

Os selecionados passarão por uma prova de conhecimento do idioma e aqueles que ficarem entre patamares intermediários terão a oportunidade de fazer um curso de seis meses de inglês intensivo gratuito em universidades federais.

A iniciativa do governo é ótima, mas o problema poderia ser amenizado se os brasileiros não deixassem para aprender inglês tão tarde. Essa é a opinião de Ricardo Fontes, diretor de uma rede de escolas de inglês no interior de São Paulo. Ele conta que todos os meses aparecem adultos com mais de trinta anos de idade desesperados para dominar o idioma em menos de um mês, a fim de não perder uma oportunidade de transferência para o exterior ou novo emprego.

Só que o aprendizado não é assim tão simples. “As pessoas vêm atrás de um milagre e isso não podemos oferecer. Seria muito mais simples começar a ter contato com a língua aos poucos, desde cedo, ou por um tempo maior. Em um ou dois meses posso ensinar alguém a responder às perguntas do guarda da alfândega no aeroporto, mas essa pessoa não vai conseguir conversar, trabalhar ou estudar”, ressalta.

Para Fontes, aqueles que começam a ter aulas de inglês logo na infância ou ainda na adolescência, certamente se saem melhor em testes da língua e têm mais chances de conseguir oportunidades de estudar ou trabalhar no exterior. “Se seu cérebro já está acostumado com o idioma, você faz a prova com mais calma, tranquilidade e confiança. Se estiver desesperado e não souber falar a língua direito, é mais fácil cometer erros bobos”, afirma.

O diretor aponta ainda que o investimento no segundo idioma desde pequeno conta também no bolso. Afinal, aulas intensivas de inglês, principalmente as particulares, são muito caras e exigem do aluno a compra de muitos materiais de reforço para que o aprendizado se faça eficiente. “Vale mais a pena pagar aos poucos do que ter que desembolsar uma quantia grande. Sem contar que o inglês de quem fez aulas intensivas nunca será igual ao de quem aprendeu com o tempo”, garante.