13 de ago de 2012

Homeschooling não é adequado para ensino bilíngue

Ensino doméstico ou domiciliar consiste em educar os filhos dentro da própria casa em vez de confiá-los a escolas públicas ou privadas. A prática, também conhecida como homeschooling é muito comum em países como Estados Unidos, Portugal e Canadá – este último tem cerca de 60.000 crianças sendo ensinadas em casa. O aprendizado é, geralmente, ministrado por familiares ou professores particulares.

Denise Couto, fonoaudióloga e pedagoga, afirma que para o ensino bilíngue esta prática não é eficaz. Ela acredita que o homeschooling pode afetar até mesmo o poder de fala e entendimento de uma criança, porque o aprendizado de idiomas é mais eficiente se o aluno tiver contato com diferentes sotaques, pronúncias e entonações. “A interação com diferentes pessoas em um ou mais idiomas é fundamental para que a criança acostume seu ouvido e tenha a linguagem fixada no cérebro”, diz.

Denise orienta que o ensino em casa deve se ater a lições de casa e exercícios motivacionais para que o aprendizado seja mais prazeroso. “Se a criança tiver pais que falam inglês, por exemplo, é muito importante que incentivem a criança a praticar o segundo idioma e perguntem como se fala o nome de objetos na outra língua. Mas o ensino é dever de professores qualificados, que têm técnicas para que a educação bilíngue seja aplicada de maneira correta”, diz.

Controvérsias

Maria Lúcia Mendes, psicopedagoga, conta que o ensino doméstico não é permitido no Brasil e aqueles que decidirem educar os filhos dentro de casa estão sujeitos a processos por abandono intelectual.

A profissional ressalta, ainda, que existe um intenso debate entre educadores a respeito dos benefícios e malefícios desta modalidade. A discussão aborda temas como qualidade do ensino e convívio com outras crianças. “Escolas exigem professores qualificados, com especializações, mestrado e doutorado visando a eficácia do ensino e o aprendizado correto dos alunos. O grande problema educacional do homeschooling é a falta de preparo dos pais para ensinar a seus filhos disciplinas como matemática, ciências, história e geografia”, diz.

A psicopedagoga acredita também que a falta de contato com outras crianças pode prejudicar tanto a identidade quanto a noção de sociedade de uma criança. “É diferente brincar de vez em quando no parque com meninos e meninas e conviver com eles todos os dias e ter que lidar com diferenças. Uma pessoa que passa a infância e a adolescência dentro de casa vai ter muitas dificuldades quando tiver que encarar o mundo adulto”, aponta.

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